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  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Os Grãozinhos Andam de Barco».

29 de Agosto

Os Grãozinhos Andam de Barco

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um grão de areia que vivia num barco. O barco não era dele, já se vê, mas de uns pescadores, que todos os dias deitavam as redes ao mar.

– Onde é que eu estou? – perguntou um outro grão de areia, acabado de chegar.

Este tinha vindo da praia, agarrado ao pé de um dos pescadores, e estava um tanto enjoado com os balanços do barco.

O grão de areia mais antigo explicou-lhe onde se encontravam.

– Com a prática do mar alto, vais habituar-te – disse o grão de areia marinheiro.

Por sinal que não lhe deram tempo para tal, porque o barco estava muito velho, metia água e, depois de uma última pescaria, foi abandonado, como coisa sem préstimo.

– Já não balança – disse o grão de areia menos viajado.

– Estamos na praia – explicou o grão de areia mais viajado.

– Não vejo praia nenhuma – estranhou o grão de areia menos viajado.

Pudera! Donde estavam só se via o barco por dentro e o céu, lá muito em cima. Assim ficaram que tempos. Anos, talvez. Tanto fazia.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A madeira do barco apodreceu e, numa noite de Inverno, uns rapazes resolveram fazer uma fogueira com o que restava do velho barco.

– Vamos morrer queimados – alarmou-se o grão de areia menos experiente.

– Não há-de ser fácil – tranquilizou-o o outro. – Nós, os grãos de areia, somos muito resistentes.

Se eram! Tudo à volta em cinzas e eles a brilharem como novos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– E agora? – perguntou o grão de areia mais assustadiço.

– Depois se verá – respondeu o grão de areia que sabia muito. – Nós, os grãos de areia, temos de estar prontos para tudo.

Veio o vento que varreu as cinzas e deu asas aos grãozinhos. Cada qual para seu lado.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Que impressão. Tenho um grão de areia num olho – queixou-se uma namorada para o respectivo namorado.

– Eu tiro-to, meu amor – acorreu o namorado a socorrê-la.

Soprou e pronto. O grão caiu. Era um dos tais, por sinal o mais viajado.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Caiu no convés de um grande barco, daqueles que proporcionam excursões, à beira-mar.

– Olá, colega – disse-lhe, à beira dele, outro grão de areia.

Era o menos viajado. Tinha vindo agarrado a um cadeirinha de transportar bebés. Poisada a cadeirinha, caíra para o chão.

– E já se não sente agoniado? – perguntou-lhe o grão de areia mais experiente.

– Este barco é muito mais cómodo – respondeu o grãozinho. – Por este andar, à velocidade a que temos progredido, ainda vamos parar a um transatlântico e atravessar os mares, até à América.

O outro concordou. Sabia por experiência própria que a um grão de areia tudo pode acontecer.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Era uma vez um grão de areia que vivia num barco. O barco não era dele, já se vê, mas de uns pescadores, que todos os dias deitavam as redes ao mar.

– Onde é que eu estou? – perguntou um outro grão de areia, acabado de chegar.

Este tinha vindo da praia, agarrado ao pé de um dos pescadores, e estava um tanto enjoado com os balanços do barco.

O grão de areia mais antigo explicou-lhe onde se encontravam.

– Com a prática do mar alto, vais habituar-te – disse o grão de areia marinheiro.

Por sinal que não lhe deram tempo para tal, porque o barco estava muito velho, metia água e, depois de uma última pescaria, foi abandonado, como coisa sem préstimo.

– Já não balança – disse o grão de areia menos viajado.

– Estamos na praia – explicou o grão de areia mais viajado.

– Não vejo praia nenhuma – estranhou o grão de areia menos viajado.

Pudera! Donde estavam só se via o barco por dentro e o céu, lá muito em cima. Assim ficaram que tempos. Anos, talvez. Tanto fazia.

A madeira do barco apodreceu e, numa noite de Inverno, uns rapazes resolveram fazer uma fogueira com o que restava do velho barco.

– Vamos morrer queimados – alarmou-se o grão de areia menos experiente.

– Não há-de ser fácil – tranquilizou-o o outro. – Nós, os grãos de areia, somos muito resistentes.

Se eram! Tudo à volta em cinzas e eles a brilharem como novos.

– E agora? – perguntou o grão de areia mais assustadiço.

– Depois se verá – respondeu o grão de areia que sabia muito. – Nós, os grãos de areia, temos de estar prontos para tudo.

Veio o vento que varreu as cinzas e deu asas aos grãozinhos. Cada qual para seu lado.

– Que impressão. Tenho um grão de areia num olho – queixou-se uma namorada para o respectivo namorado.

– Eu tiro-to, meu amor – acorreu o namorado a socorrê-la.

Soprou e pronto. O grão caiu. Era um dos tais, por sinal o mais viajado.

Caiu no convés de um grande barco, daqueles que proporcionam excursões, à beira-mar.

– Olá, colega – disse-lhe, à beira dele, outro grão de areia.

Era o menos viajado. Tinha vindo agarrado a um cadeirinha de transportar bebés. Poisada a cadeirinha, caíra para o chão.

– E já se não sente agoniado? – perguntou-lhe o grão de areia mais experiente.

– Este barco é muito mais cómodo – respondeu o grãozinho. – Por este andar, à velocidade a que temos progredido, ainda vamos parar a um transatlântico e atravessar os mares, até à América.

O outro concordou. Sabia por experiência própria que a um grão de areia tudo pode acontecer.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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