• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Mau Aliado».

21 de Agosto

Mau Aliado

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Dantes, o cavalo e o veado eram amigos. Repartiam as mesmas pastagens. Bebiam lado a lado da água do mesmo ribeiro. Dormiam, trocando calor, na paz do mesmo conchego. Eram amigos, pronto.

Mas, nem eles saberiam dizer porquê, um dia, zangaram-se.

Ou porque um pisou a relva destinada ao outro.

Ou porque um turvou a água que o outro ia beber.

Ou porque um se agitou no sono e interrompeu o dormir do outro.

Por qualquer ninharia tola deixaram de ser amigos.

Zangaram-se, pronto.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Muito enfadado com o antigo parceiro, o cavalo foi ter com o homem.

– Quero que tu me livres do javardão do veado – disse ele ao homem, por sinal um caçador de arco e flecha.

– Isso interessa-me – respondeu o homem, aprestando os instrumentos de caça. – Mas o veado é rápido. Vai ser difícil apanhá-lo.

– Não é impedimento, se tu me montares – ofereceu-se o cavalo. – Eu sou tão ou mais rápido do que ele e depressa o alcançaremos.

Não sei se já disse que o cavalo era selvagem.

Nunca tinha suportado peso nenhum em cima nem sabia o que era puxar uma carroça. Vivera sempre em liberdade, ao lado do veado, e longe dos homens, das cilhas, das selas, dos freios, das bridas, das esporas, que os homens inventam para submeter os cavalos ao seu mando. Era livre, pronto.

Aparelhado à conveniência do caçador, lá foi o cavalo a galope, ao encontro do veado. Caçá-lo não custou nada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Livrei-te do teu inimigo – disse o cavaleiro ao cavalo. – Estás contente?

Aqui para nós, o cavalo o que estava era arrependido. Ver o antigo companheiro trespassado pelas setas do homem doía-lhe muito. Mas fez-se forte e disse:

– Claro que estou contente. Este veado não merecia outra coisa. Agora tira-me a sela e desaperta-me as correias. Quero gozar sozinho o que, dantes, tinha de partilhar com o paspalhão do veado.

O homem riu-se:

– Acho-te muita graça, cavalinho. Então tu julgas que, depois do trabalho que me deste, ia deixar-te partir?

– Mas foi só um serviço, um negócio, uma aliança entre nós dois – protestou o cavalo. – Arrumado o caso, volta cada um para seu lado. Liberta-me do freio que me está a magoar.

– Nunca mais – sentenciou o homem. – Vais conhecer as minhas cavalariças, assim como já conheceste as minhas ordens.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

De nada valeu ao cavalo escoicear e encabritar-se, na vã tentativa de escapar ao aperto do homem. Ele era um bom cavaleiro e estava habituado a domar cavalos selvagens.

Aquele oferecera-se. Agora suportava as consequências.

O cavalo acabou por aceitar, resignado, o seu novo destino. Era o castigo, pronto. Acabou-se.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Dantes, o cavalo e o veado eram amigos. Repartiam as mesmas pastagens. Bebiam lado a lado da água do mesmo ribeiro. Dormiam, trocando calor, na paz do mesmo conchego. Eram amigos, pronto.

Mas, nem eles saberiam dizer porquê, um dia, zangaram-se.

Ou porque um pisou a relva destinada ao outro.

Ou porque um turvou a água que o outro ia beber.

Ou porque um se agitou no sono e interrompeu o dormir do outro.

Por qualquer ninharia tola deixaram de ser amigos.

Zangaram-se, pronto.

Muito enfadado com o antigo parceiro, o cavalo foi ter com o homem.

– Quero que tu me livres do javardão do veado – disse ele ao homem, por sinal um caçador de arco e flecha.

– Isso interessa-me – respondeu o homem, aprestando os instrumentos de caça. – Mas o veado é rápido. Vai ser difícil apanhá-lo.

– Não é impedimento, se tu me montares – ofereceu-se o cavalo. – Eu sou tão ou mais rápido do que ele e depressa o alcançaremos.

Não sei se já disse que o cavalo era selvagem.

Nunca tinha suportado peso nenhum em cima nem sabia o que era puxar uma carroça. Vivera sempre em liberdade, ao lado do veado, e longe dos homens, das cilhas, das selas, dos freios, das bridas, das esporas, que os homens inventam para submeter os cavalos ao seu mando. Era livre, pronto.

Aparelhado à conveniência do caçador, lá foi o cavalo a galope, ao encontro do veado. Caçá-lo não custou nada.

– Livrei-te do teu inimigo – disse o cavaleiro ao cavalo. – Estás contente?

Aqui para nós, o cavalo o que estava era arrependido. Ver o antigo companheiro trespassado pelas setas do homem doía-lhe muito. Mas fez-se forte e disse:

– Claro que estou contente. Este veado não merecia outra coisa. Agora tira-me a sela e desaperta-me as correias. Quero gozar sozinho o que, dantes, tinha de partilhar com o paspalhão do veado.

O homem riu-se:

– Acho-te muita graça, cavalinho. Então tu julgas que, depois do trabalho que me deste, ia deixar-te partir?

– Mas foi só um serviço, um negócio, uma aliança entre nós dois – protestou o cavalo. – Arrumado o caso, volta cada um para seu lado. Liberta-me do freio que me está a magoar.

– Nunca mais – sentenciou o homem. – Vais conhecer as minhas cavalariças, assim como já conheceste as minhas ordens.

De nada valeu ao cavalo escoicear e encabritar-se, na vã tentativa de escapar ao aperto do homem. Ele era um bom cavaleiro e estava habituado a domar cavalos selvagens.

Aquele oferecera-se. Agora suportava as consequências.

O cavalo acabou por aceitar, resignado, o seu novo destino. Era o castigo, pronto. Acabou-se.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Pendente
PDF original
Pendente