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Ilustração de abertura da história «Os Dois Primos Li».

18 de Agosto

Os Dois Primos Li

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Eram dois primos, mas nem pareciam. Um, Li-Fong, um coração de oiro. O outro, Li-Kong, um patifório sem coração.

Trabalhavam ambos no mesmo ramo. Cada qual tinha um armazém de sementes e frutos secos, frente a frente, numa das ruas de mercadores da cidade Piong, na Península da Coreia.

Li-Kong passava o tempo a queixar-se de tudo. Eram os negócios que corriam mal. Eram as chuvas que vinham fora da época. Eram os pássaros que lhe roubavam as sementes.

Li-Fong sorria a tudo. Se tinha razões de queixa, não se dava por isso. Até os pássaros que depenicavam sementes, à porta do armazém, lhe davam motivo para sorrir.

Uma vez, uma pequena andorinha, que ainda não sabia voar, partiu uma asa, ao cair no beiral. Li-Fong cuidou dela e com muito carinho pôs-lhe uma tala, que atou com um fio à asa partida.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A andorinha recuperou e, chegado o Outono, ganhou forças para subir aos ares com as suas companheiras, em direcção a outras paragens. Mas não se esqueceu de quem a salvara...

Na Primavera seguinte, passou pelo armazém de Li-Fong e depositou nas mãos do seu protector uma semente, que trouxera no bico, sabe-se lá donde. Depois, abalou.

Li-Fong, que sabia tudo de sementes, mas não conhecia aquela, resolveu semeá-la no quintal. A semente germinou e uma planta de grandes folhas verdes trepou pela parede. Li-Fong regava-a cuidadosamente e animava-a a crescer, com palavras de mimo, como se ela o entendesse.

A planta deu flor e a flor fruto, um grande e estranho fruto dourado do tamanho de uma abóbora. Li-Fong cheirou-o, mas não o reconheceu pelo cheiro. A bem dizer, não cheirava a nada. Em contrapartida, encostando o ouvido à casca do fruto, parecia que se ouvia música e uma longínqua agitação de festa.

O primo Li-Kong troçou dele, com o seu habitual azedume:

– Esse fruto estapafúrdio vai dar-te para fazeres uma sopa de barulho.

Li-Fong resolveu-se a abri-lo e, quando o fez, diante do primo, ficaram ambos sem fala. Daquela espécie de abóbora saiu um exército de criados que armou mesas e dispôs iguarias para um grande banquete. Seguiu-se um exército de artesãos que montou móveis, estendeu tapetes, armou cortinados e transformou o armazém num palácio. Depois, vieram músicos e com eles um financeiro, carregado de sacos, cheios de moedas de ouro.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

No fim – ah! ah!, no fim... – saiu do fruto mágico uma jovem linda que disse que queria casar-se com Li-Fong.

E tudo, num repente, num sopro, sem que os dois primos tivessem sequer tempo para fechar a boca.

O invejoso do Li-Kong não descansou enquanto não soube a origem de toda aquela fortuna. Quando o primo lhe contou a história da andorinha que socorrera, Li-Kong rangeu os dentes e disse:

– Só por isso? Então, não custa nada.

Foi ao beiral do seu armazém, pegou numa andorinha, que ainda estava no ninho, e partiu-lhe uma asa. Em seguida, muito despachadamente, depois de ter feito o mal, tentou fazer o bem. Tal como o primo lhe ensinara, atou uma tala à asa partida da pobre andorinha e recomendou-lhe, ameaçadoramente:

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Vê lá se agora não te esqueces de mim...

De facto, na Primavera seguinte, esta andorinha quis demonstrar a Li-Kong que estava bem lembrada do que ele lhe fizera. Trouxe-lhe uma semente.

Li-Kong enterrou-a no quintal e ficou à espera. Brotou da terra uma planta de grandes folhas verdes, que demorou a crescer, parede acima.

– Então cresces ou não cresces, maldita? – impacientava-se Li-Kong. – Dá-me frutos, depressa.

A planta fez-lhe a vontade e presenteou-o com três enormes frutos dourados.

– Vou ser três vezes mais rico do que o meu primo – rejubilava Li-Kong, de faca na mão.

Golpeou o primeiro fruto, que se abriu numa grande gargalhada e logo se desfez.

Segundo fruto e outra gargalhada enorme...

Furioso, Li-Kong atirou-se ao terceiro fruto, como se a faca fosse um punhal.

– Não quero que te rias mais de mim! Não quero que te rias! – gritava ele.

Pelos lanhos abertos no fruto disparou uma ventania que varreu as sementes todas do armazém. Saltaram portas e janelas, voaram as telhas e estremeceram as paredes até aos alicerces. Li-Kong, soprado para longe, perdeu os sentidos. Quando os recuperou viu-se sozinho, desamparado, no meio das ruínas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Eram dois primos, mas nem pareciam. Um, Li-Fong, um coração de oiro. O outro, Li-Kong, um patifório sem coração.

Trabalhavam ambos no mesmo ramo. Cada qual tinha um armazém de sementes e frutos secos, frente a frente, numa das ruas de mercadores da cidade Piong, na Península da Coreia.

Li-Kong passava o tempo a queixar-se de tudo. Eram os negócios que corriam mal. Eram as chuvas que vinham fora da época. Eram os pássaros que lhe roubavam as sementes.

Li-Fong sorria a tudo. Se tinha razões de queixa, não se dava por isso. Até os pássaros que depenicavam sementes, à porta do armazém, lhe davam motivo para sorrir.

Uma vez, uma pequena andorinha, que ainda não sabia voar, partiu uma asa, ao cair no beiral. Li-Fong cuidou dela e com muito carinho pôs-lhe uma tala, que atou com um fio à asa partida.

A andorinha recuperou e, chegado o Outono, ganhou forças para subir aos ares com as suas companheiras, em direcção a outras paragens. Mas não se esqueceu de quem a salvara...

Na Primavera seguinte, passou pelo armazém de Li-Fong e depositou nas mãos do seu protector uma semente, que trouxera no bico, sabe-se lá donde. Depois, abalou.

Li-Fong, que sabia tudo de sementes, mas não conhecia aquela, resolveu semeá-la no quintal. A semente germinou e uma planta de grandes folhas verdes trepou pela parede. Li-Fong regava-a cuidadosamente e animava-a a crescer, com palavras de mimo, como se ela o entendesse.

A planta deu flor e a flor fruto, um grande e estranho fruto dourado do tamanho de uma abóbora. Li-Fong cheirou-o, mas não o reconheceu pelo cheiro. A bem dizer, não cheirava a nada. Em contrapartida, encostando o ouvido à casca do fruto, parecia que se ouvia música e uma longínqua agitação de festa.

O primo Li-Kong troçou dele, com o seu habitual azedume:

– Esse fruto estapafúrdio vai dar-te para fazeres uma sopa de barulho.

Li-Fong resolveu-se a abri-lo e, quando o fez, diante do primo, ficaram ambos sem fala. Daquela espécie de abóbora saiu um exército de criados que armou mesas e dispôs iguarias para um grande banquete. Seguiu-se um exército de artesãos que montou móveis, estendeu tapetes, armou cortinados e transformou o armazém num palácio. Depois, vieram músicos e com eles um financeiro, carregado de sacos, cheios de moedas de ouro.

No fim – ah! ah!, no fim... – saiu do fruto mágico uma jovem linda que disse que queria casar-se com Li-Fong.

E tudo, num repente, num sopro, sem que os dois primos tivessem sequer tempo para fechar a boca.

O invejoso do Li-Kong não descansou enquanto não soube a origem de toda aquela fortuna. Quando o primo lhe contou a história da andorinha que socorrera, Li-Kong rangeu os dentes e disse:

– Só por isso? Então, não custa nada.

Foi ao beiral do seu armazém, pegou numa andorinha, que ainda estava no ninho, e partiu-lhe uma asa. Em seguida, muito despachadamente, depois de ter feito o mal, tentou fazer o bem. Tal como o primo lhe ensinara, atou uma tala à asa partida da pobre andorinha e recomendou-lhe, ameaçadoramente:

– Vê lá se agora não te esqueces de mim...

De facto, na Primavera seguinte, esta andorinha quis demonstrar a Li-Kong que estava bem lembrada do que ele lhe fizera. Trouxe-lhe uma semente.

Li-Kong enterrou-a no quintal e ficou à espera. Brotou da terra uma planta de grandes folhas verdes, que demorou a crescer, parede acima.

– Então cresces ou não cresces, maldita? – impacientava-se Li-Kong. – Dá-me frutos, depressa.

A planta fez-lhe a vontade e presenteou-o com três enormes frutos dourados.

– Vou ser três vezes mais rico do que o meu primo – rejubilava Li-Kong, de faca na mão.

Golpeou o primeiro fruto, que se abriu numa grande gargalhada e logo se desfez.

Segundo fruto e outra gargalhada enorme...

Furioso, Li-Kong atirou-se ao terceiro fruto, como se a faca fosse um punhal.

– Não quero que te rias mais de mim! Não quero que te rias! – gritava ele.

Pelos lanhos abertos no fruto disparou uma ventania que varreu as sementes todas do armazém. Saltaram portas e janelas, voaram as telhas e estremeceram as paredes até aos alicerces. Li-Kong, soprado para longe, perdeu os sentidos. Quando os recuperou viu-se sozinho, desamparado, no meio das ruínas.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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