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Ilustração de abertura da história «Os esquilos Danilos no castelo dos fantasmas medrosos».

14 de Agosto

Os esquilos Danilos no castelo dos fantasmas medrosos

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Estes dois esquilos, Danilo Pai e Danilo Filho, andam sempre em viagem.

Desta vez, foram ter a um castelo, um velho castelo abandonado. Como era quase noite, resolveram abrigar-se no meio das ruínas.

- Havia de ser engraçado, se houvesse fantasmas - disse o Danilo Filho.

- Convinha, convinha - aprovou o Danilo Pai. - Sempre era mais uma boa história para contar, quando voltássemos.

- Mas nós vamos voltar? - quis saber o Danilo Filho.

- Por agora, estamos a ir - explicou o Danilo Pai. - Mas sempre ouvi dizer que há ir e voltar. A Terra é redonda.

Estavam eles nesta conversa, quando ouviram o pio de uma coruja.

- Ouviste? É a coruja a anunciar a chegada de algum fantasma... - avisou o Danilo Filho.

- Muito interessante - disse o Danilo Pai. - E achas que, daqui, a gente vê bem?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O Danilo Filho esclareceu que os fantasmas, quando aparecem, exibem-se para todo o público, esteja onde estiver, e fazem muito barulho para chamar a atenção - batem com os pés, empurram cadeiras, arrastam correntes...

Nisto, as asas silenciosas de um morcego passaram rente aos dois esquilos.

O relógio de uma torre, longe, bateu as doze badaladas da meia-noite.

- Está na hora - bichanou o Danilo Filho ao ouvido do pai.

- Tens a certeza? - perguntou este, também em voz baixa. - E porque é que estamos a falar assim, como se estivéssemos a contar segredos um ao outro?

- Para não assustar os fantasmas - esclareceu o filho.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O pai Danilo impacientou-se:

- Não me convidem para festas com fantasmas medrosos. Desinteresso-me e vou dormir.

Dito e feito. Enrolou a cauda e adormeceu.

Em compensação, o filho continuou acordado, na esperança de que aparecessem os tais fantasmas das correntes a arrastar.

A meio da noite, bateu nos ombros do pai, numa grande excitação.

- Olhe, pai, olhe que lá vem um.

- Um quê? - perguntou o Danilo Pai, muito ensonado.

- Um fantasma de olhos brilhantes, repare, pai.

Danilo Pai fixou as luminárias :

- Ou o teu fantasma tem os olhos tortos ou são dois pirilampos a jogar às escondidas...

Eram mesmo. Danilo Filho, desanimado, encostou a cabeça a uma pedra. Daí a nada estava a dormir e a sonhar com fantasmas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

No dia seguinte, enquanto arrumavam as bagagens, o pai disse para o filho:

- Não fiques amuado. Afinal, mais coisa menos coisa, já temos uma história de fantasmas para contar.

E os dois esquilos Danilos prosseguiram viagem.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Os esquilos Danilos no castelo dos fantasmas medrosos
Ilustração original recuperada

Estes dois esquilos, Danilo Pai e Danilo Filho, andam sempre em viagem.

Desta vez, foram ter a um castelo, um velho castelo abandonado. Como era quase noite, resolveram abrigar-se no meio das ruínas.

- Havia de ser engraçado, se houvesse fantasmas - disse o Danilo Filho.

- Convinha, convinha - aprovou o Danilo Pai. - Sempre era mais uma boa história para contar, quando voltássemos.

- Mas nós vamos voltar? - quis saber o Danilo Filho.

- Por agora, estamos a ir - explicou o Danilo Pai. - Mas sempre ouvi dizer que há ir e voltar. A Terra é redonda.

Estavam eles nesta conversa, quando ouviram o pio de uma coruja.

- Ouviste? É a coruja a anunciar a chegada de algum fantasma... - avisou o Danilo Filho.

- Muito interessante - disse o Danilo Pai. - E achas que, daqui, a gente vê bem?

O Danilo Filho esclareceu que os fantasmas, quando aparecem, exibem-se para todo o público, esteja onde estiver, e fazem muito barulho para chamar a atenção - batem com os pés, empurram cadeiras, arrastam correntes...

Nisto, as asas silenciosas de um morcego passaram rente aos dois esquilos.

O relógio de uma torre, longe, bateu as doze badaladas da meia-noite.

- Está na hora - bichanou o Danilo Filho ao ouvido do pai.

- Tens a certeza? - perguntou este, também em voz baixa. - E porque é que estamos a falar assim, como se estivéssemos a contar segredos um ao outro?

- Para não assustar os fantasmas - esclareceu o filho.

O pai Danilo impacientou-se:

- Não me convidem para festas com fantasmas medrosos. Desinteresso-me e vou dormir.

Dito e feito. Enrolou a cauda e adormeceu.

Em compensação, o filho continuou acordado, na esperança de que aparecessem os tais fantasmas das correntes a arrastar.

A meio da noite, bateu nos ombros do pai, numa grande excitação.

- Olhe, pai, olhe que lá vem um.

- Um quê? - perguntou o Danilo Pai, muito ensonado.

- Um fantasma de olhos brilhantes, repare, pai.

Danilo Pai fixou as luminárias :

- Ou o teu fantasma tem os olhos tortos ou são dois pirilampos a jogar às escondidas...

Eram mesmo. Danilo Filho, desanimado, encostou a cabeça a uma pedra. Daí a nada estava a dormir e a sonhar com fantasmas.

No dia seguinte, enquanto arrumavam as bagagens, o pai disse para o filho:

- Não fiques amuado. Afinal, mais coisa menos coisa, já temos uma história de fantasmas para contar.

E os dois esquilos Danilos prosseguiram viagem.

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