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Ilustração de abertura da história «Esqueceram o corvo».

5 de Agosto

Esqueceram o corvo

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Um dia, a família dos pombos resolveu dar um banquete. Convidaram para a festa todos os animais de asas e penas, mas esqueceram-se do corvo.

Imperdoável!

Se estavam a águia, o falcão, a cegonha, o gaio, a coruja, o ganso, o cisne, a galinha mais o galo, o pardal, a pardoca e os respectivos pardalinhos, a codorniz, a andorinha, o melro e tantos mais, quem daria por falta do corvo?

Deu ele, que muito se susceptibilizou com o esquecimento.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E, como era vingativo, agarrou numa grande pedra e sobrevoou, lá muito do alto, a mesa da festança.

Quando as aves estavam todas a comer, na maior das alegrias, o corvo, lá de cima, fez pontaria e largou o pedregulho. Não se queira saber! A pedra caiu no meio da mesa e espatifou tudo. Estava estragada a festa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Empoleirado no galho de uma faia, o corvo assistiu à confusão que provocara e fartou-se de rir. Riso de malvado. Assim:

- Eh! Eh! Eh! Eh! Eh!

Houve uma garça que o viu rir e calculou o resto. Foi dizer aos pombos, que por sua vez foram dizer às outras aves.

- Ah, o culpado pelo estardalhaço que interrompeu a festa foi o corvo? Pois deixa estar que não perdes pela pancada - ameaçaram.

E as aves todas juntas acertaram numa conspiração .

Dias depois, a família dos pombos convidou o corvo para um jantar de gala. Era ele o único convidado.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Muito honrado com o convite, o corvo, vestido com o seu luzidio fato de cerimónia, todo preto, apresentou-se para o jantar de festa.

Sentaram-se à mesa os pombos todos brancos, a fazerem companhia ao corvo. Veio a terrina da sopa, que foi colocada diante do convidado.

- Faça favor de se servir primeiro - disseram os pombos, com muito bons modos.

- Do que é a sopa? - perguntou o corvo, cheio de apetite.

- Sopa de pedra - disseram os pombos, em coro.

E era mesmo. Lá estava, dentro de uma enorme terrina, o pedregulho que o corvo atirara.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Não tenho vontade - disse o corvo, embaraçado.

- Pois nós também não temos mais nada para oferecer - disseram os pombos. - Este cozinhado caiu do céu e pela forma como nos chegou à mesa estamos convencidos que é muito especial. Por isso o reservámos para as visitas mais ilustres. Faça favor de provar.

O corvo, para não dar parte fraca, não teve outro remédio senão dar uma bicada na pedra.

- Está saborosa? Quer repetir? - perguntaram os pombos.

- Muito obrigada. Estou satisfeito - respondeu o corvo.

- Só mais um bocadinho, vá lá... - insistiram os pombos.

E o corvo passou o jantar às bicadas à pedra.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Esqueceram o corvo
Ilustração original recuperada

Um dia, a família dos pombos resolveu dar um banquete. Convidaram para a festa todos os animais de asas e penas, mas esqueceram-se do corvo.

Imperdoável!

Se estavam a águia, o falcão, a cegonha, o gaio, a coruja, o ganso, o cisne, a galinha mais o galo, o pardal, a pardoca e os respectivos pardalinhos, a codorniz, a andorinha, o melro e tantos mais, quem daria por falta do corvo?

Deu ele, que muito se susceptibilizou com o esquecimento.

E, como era vingativo, agarrou numa grande pedra e sobrevoou, lá muito do alto, a mesa da festança.

Quando as aves estavam todas a comer, na maior das alegrias, o corvo, lá de cima, fez pontaria e largou o pedregulho. Não se queira saber! A pedra caiu no meio da mesa e espatifou tudo. Estava estragada a festa.

Empoleirado no galho de uma faia, o corvo assistiu à confusão que provocara e fartou-se de rir. Riso de malvado. Assim:

- Eh! Eh! Eh! Eh! Eh!

Houve uma garça que o viu rir e calculou o resto. Foi dizer aos pombos, que por sua vez foram dizer às outras aves.

- Ah, o culpado pelo estardalhaço que interrompeu a festa foi o corvo? Pois deixa estar que não perdes pela pancada - ameaçaram.

E as aves todas juntas acertaram numa conspiração .

Dias depois, a família dos pombos convidou o corvo para um jantar de gala. Era ele o único convidado.

Muito honrado com o convite, o corvo, vestido com o seu luzidio fato de cerimónia, todo preto, apresentou-se para o jantar de festa.

Sentaram-se à mesa os pombos todos brancos, a fazerem companhia ao corvo. Veio a terrina da sopa, que foi colocada diante do convidado.

- Faça favor de se servir primeiro - disseram os pombos, com muito bons modos.

- Do que é a sopa? - perguntou o corvo, cheio de apetite.

- Sopa de pedra - disseram os pombos, em coro.

E era mesmo. Lá estava, dentro de uma enorme terrina, o pedregulho que o corvo atirara.

- Não tenho vontade - disse o corvo, embaraçado.

- Pois nós também não temos mais nada para oferecer - disseram os pombos. - Este cozinhado caiu do céu e pela forma como nos chegou à mesa estamos convencidos que é muito especial. Por isso o reservámos para as visitas mais ilustres. Faça favor de provar.

O corvo, para não dar parte fraca, não teve outro remédio senão dar uma bicada na pedra.

- Está saborosa? Quer repetir? - perguntaram os pombos.

- Muito obrigada. Estou satisfeito - respondeu o corvo.

- Só mais um bocadinho, vá lá... - insistiram os pombos.

E o corvo passou o jantar às bicadas à pedra.

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