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Ilustração de abertura da história «Ovos frescos».

3 de Agosto

Ovos frescos

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez um açafate com ovos. Puseram-se à conversa. Eram ovos ainda frescos e tinham ambições. Um deles disse:

- Quem me dera a mim fazer-me em fios de ovos, a enfeitar um bolo...

- Não está má a pretensão - comentou um outro. - Pois eu preferia ajudar umas fatias douradas a ficar mais douradinhas.

- Fritos, não - cortou um terceiro. - Mas, numa gemada com açúcar, já eu entrava com gosto.

Outro ovo confessou:

- Gostava tanto de ser ovo estrelado. Estrelado vem de estrela... Deve ser bonito. Mas, não podendo ser, qualquer uso serve. Um ovo nunca passa despercebido.

Só faltava um.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- E tu o que queres ser? - perguntaram os outros.

- O ovo de Colombo.

Vamos fazer-lhe a vontade.

Como vocês sabem, Cristóvão Colombo descobriu a América. Quando regressou a Espanha, trazendo a notícia da sua descoberta, os fidalgos da corte, invejosos, desdenharam do feito.

Isso também eles eram capazes. Bastava lá ir. Então, Colombo mostrou-lhes um ovo e disse-lhes:

- Ponham-no de pé.

Eles tentaram. Insistiram. Obstinaram-se.

- Não é possível - concluíram.

- Pois eu consigo - disse Colombo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Muito ao de leve, bateu na mesa com a parte mais redonda e cheia do ovo, a casca amolgou-se, mas só um bocadinho, e o ovo ficou de pé.

- Que fácil - comentaram os fidalgos. - Isso também nós éramos capazes.

- Mas não o fizeram. Quem pôs o ovo de pé, quem descobriu um novo continente fui eu.

Cabe-me o mérito a mim.

Aqui têm como eu fiz a vontade ao ovo que queria ser ovo de Colombo.

E agora? Agora, já satisfeito, vai juntar-se aos outros e, todos juntos, vão fazer uma omeleta.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Ovos frescos
Ilustração original recuperada

Era uma vez um açafate com ovos. Puseram-se à conversa. Eram ovos ainda frescos e tinham ambições. Um deles disse:

- Quem me dera a mim fazer-me em fios de ovos, a enfeitar um bolo...

- Não está má a pretensão - comentou um outro. - Pois eu preferia ajudar umas fatias douradas a ficar mais douradinhas.

- Fritos, não - cortou um terceiro. - Mas, numa gemada com açúcar, já eu entrava com gosto.

Outro ovo confessou:

- Gostava tanto de ser ovo estrelado. Estrelado vem de estrela... Deve ser bonito. Mas, não podendo ser, qualquer uso serve. Um ovo nunca passa despercebido.

Só faltava um.

- E tu o que queres ser? - perguntaram os outros.

- O ovo de Colombo.

Vamos fazer-lhe a vontade.

Como vocês sabem, Cristóvão Colombo descobriu a América. Quando regressou a Espanha, trazendo a notícia da sua descoberta, os fidalgos da corte, invejosos, desdenharam do feito.

Isso também eles eram capazes. Bastava lá ir. Então, Colombo mostrou-lhes um ovo e disse-lhes:

- Ponham-no de pé.

Eles tentaram. Insistiram. Obstinaram-se.

- Não é possível - concluíram.

- Pois eu consigo - disse Colombo.

Muito ao de leve, bateu na mesa com a parte mais redonda e cheia do ovo, a casca amolgou-se, mas só um bocadinho, e o ovo ficou de pé.

- Que fácil - comentaram os fidalgos. - Isso também nós éramos capazes.

- Mas não o fizeram. Quem pôs o ovo de pé, quem descobriu um novo continente fui eu.

Cabe-me o mérito a mim.

Aqui têm como eu fiz a vontade ao ovo que queria ser ovo de Colombo.

E agora? Agora, já satisfeito, vai juntar-se aos outros e, todos juntos, vão fazer uma omeleta.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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