27 de Julho
O Rato Ratolas
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Era uma vez um rato, chamado Ratolas, que se julgava mais que os outros - os outros animais rasteiros da sua condição ou aproximados. Ratos, ratazanas, toupeiras, doninhas, ouriços, lagartixas e restante pessoal do mundo subterrâneo ou rente à terra, nunca lhe ouviram um "Olá, como vais tu?", porque o Ratolas não prestava atenção aos insignificantes bichos seus iguais. Ele só se dava com a alta, com os bicharocos grossos e pernaltas, girafas, leões, elefantes, rinocerontes, hipopótamos e outros que tais matulões.
Um dos amigos era o elefante. Que montanha ondulante, bamboleante o elefante! Que gigante!
– Psst! – chamava o ratinho – Olá, amigo! Então passa e não fala?
– Não fala? – intrigava-se o elefante – Não fala a quem? Quem me fala?
– Sou eu, o Ratolas. Estou aqui, em cima desta pedra, em bicos de pés. Então não me vês?
– Agora vejo. Como tens passado, aí por baixo?
O Ratolas respondia que sim, que passava bem, muito obrigado. Soprava mais umas coisitas sem importância e, depois, calava-se. Conversas destas nunca podiam ser muito longas, porque o rato depressa ficava com a garganta seca de tanto se esganiçar. Então, o elefante dizia-lhe adeus e lá continuava nas suas graves passadas, que abalavam a floresta.
Uma vez, os elefantes deram uma festa. O Ratolas não tinha sido convidado, mas se ele era quase da família, porque não havia também de ir?
Arranjou uma noz para cada elefante, embrulhadas numa folhinha, à maneira de presente, o que era simpático, e carregou com tudo até à clareira da floresta, para onde estava marcada a reunião.
Demorou que tempos pelo caminho, porque levava carga pesada. Quando chegou, já a festa ia em meio.
– Resolvi trazer-vos uma prenda – começou o ratito, na orla da clareira.
Mas ninguém o ouvia. Os elefantes estavam a dançar. Estremeciam as árvores da raiz à copa, estremecia a floresta de ponta a ponta, estremecia o continente, estremecia a Terra. Elefantes a dançar – zumba-pumba-zumba – imaginem!
Adiantou-se um passo o Ratolas:
– Trago-vos um presente, uma pequena lembrança...
Mas a dança, que era de truz, abalava tudo. Abalava tudo e tanto que as nozes rolaram pelo chão. Foi o Ratolas apanhá-las, mas não fosse ele tão rápido nos movimentos e a história acabava mesmo aqui. Acabava mesmo aqui, o que era um pena. Por pouco que o ratinho Ratolas não ficou esmagado debaixo da pata de chumbo de um dos elefantes matulões. Escapou-se por uma unha limpa.
Escapou-se, voltou costas aos elefantes, à clareira da festa e regressou à sua toca, pensativo. Pelo caminho, encontrou uma lagartixa e cumprimentou-a:
– Como tem passado, senhora lagartixa? Que tal vai de comidinha?
Mais adiante cruzou-se com um esquilo:
– Que belo dia, amigo esquilo. Saúde e sorte é o que lhe desejo.
Estava mudado, não havia dúvida, o ratinho Ratolas.
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
Era uma vez um rato, chamado Ratolas, que se julgava mais que os outros - os outros animais rasteiros da sua condição ou aproximados. Ratos, ratazanas, toupeiras, doninhas, ouriços, lagartixas e restante pessoal do mundo subterrâneo ou rente à terra, nunca lhe ouviram um "Olá, como vais tu?", porque o Ratolas não prestava atenção aos insignificantes bichos seus iguais. Ele só se dava com a alta, com os bicharocos grossos e pernaltas, girafas, leões, elefantes, rinocerontes, hipopótamos e outros que tais matulões.
Um dos amigos era o elefante. Que montanha ondulante, bamboleante o elefante! Que gigante!
– Psst! – chamava o ratinho – Olá, amigo! Então passa e não fala?
– Não fala? – intrigava-se o elefante – Não fala a quem? Quem me fala?
– Sou eu, o Ratolas. Estou aqui, em cima desta pedra, em bicos de pés. Então não me vês?
– Agora vejo. Como tens passado, aí por baixo?
O Ratolas respondia que sim, que passava bem, muito obrigado. Soprava mais umas coisitas sem importância e, depois, calava-se. Conversas destas nunca podiam ser muito longas, porque o rato depressa ficava com a garganta seca de tanto se esganiçar. Então, o elefante dizia-lhe adeus e lá continuava nas suas graves passadas, que abalavam a floresta.
Uma vez, os elefantes deram uma festa. O Ratolas não tinha sido convidado, mas se ele era quase da família, porque não havia também de ir?
Arranjou uma noz para cada elefante, embrulhadas numa folhinha, à maneira de presente, o que era simpático, e carregou com tudo até à clareira da floresta, para onde estava marcada a reunião.
Demorou que tempos pelo caminho, porque levava carga pesada. Quando chegou, já a festa ia em meio.
– Resolvi trazer-vos uma prenda – começou o ratito, na orla da clareira.
Mas ninguém o ouvia. Os elefantes estavam a dançar. Estremeciam as árvores da raiz à copa, estremecia a floresta de ponta a ponta, estremecia o continente, estremecia a Terra. Elefantes a dançar – zumba-pumba-zumba – imaginem!
Adiantou-se um passo o Ratolas:
– Trago-vos um presente, uma pequena lembrança...
Mas a dança, que era de truz, abalava tudo. Abalava tudo e tanto que as nozes rolaram pelo chão. Foi o Ratolas apanhá-las, mas não fosse ele tão rápido nos movimentos e a história acabava mesmo aqui. Acabava mesmo aqui, o que era um pena. Por pouco que o ratinho Ratolas não ficou esmagado debaixo da pata de chumbo de um dos elefantes matulões. Escapou-se por uma unha limpa.
Escapou-se, voltou costas aos elefantes, à clareira da festa e regressou à sua toca, pensativo. Pelo caminho, encontrou uma lagartixa e cumprimentou-a:
– Como tem passado, senhora lagartixa? Que tal vai de comidinha?
Mais adiante cruzou-se com um esquilo:
– Que belo dia, amigo esquilo. Saúde e sorte é o que lhe desejo.
Estava mudado, não havia dúvida, o ratinho Ratolas.
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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