26 de Julho
História Perdida
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Ia para contar uma história, mas no caminho para casa ou lá onde fosse esqueci-me.
Sentado à secretária, onde escrevo as histórias que me ocorrem por aqui e por ali, chamei pela minha história e ela nicles! Não respondeu à chamada.
Onde a teria perdido? No corredor? Não, que não era história de correr. Na casa de jantar? Não, que não era história de comer. No quarto? Não, que não era história para adormecer.
Naturalmente, foi na rua, antes de eu ter entrado em casa. Ficou à porta, envergonhada, e andará agora por aí, ao deus-dará, sem ninguém que lhe dê a mão, desabrigadinha de todo, a minha pobre história perdida.
Que impressão isto me faz.
Vou amanhã a um jornal e ponho um anúncio: HISTÓRIA PERDEU-SE. RECOMPENSA-SE QUEM A ACHAR E A TROUXER À SEGUINTE MORADA...
Mas como é que as pessoas vão dar com a minha história, se andam por aí tantas histórias pela rua, ao desamparo, só à espera de alguém que as conte? Vou ficar com a minha casa cheia de histórias que não me pertencem. É embaraçante. Eu só preciso de uma. A minha. Como resolver esta aflição?
Bem... Podia imaginar... Podia, por exemplo, imaginar que a minha história, depois de ter andado ao acaso, foi ter a um jardim, onde estava uma senhora de cabelos brancos, sentada num banco, pensativa, preocupada... Ia visitar os netos e não tinha nada para lhes levar. Nem carrinho, nem bola, nem boneco... E eles, já se vê, à espera de uma lembrança. Mas a vida tão cara!
A minha história adivinhou-lhe os pensamentos. E a minha história, sempre tão tímida, tão metida consigo, teve uma ousadia. Ofereceu-se:
– Leve-me aos seus netos. Conte-me. Também sou uma prenda.
Assim aconteceu. E os netos parece que gostaram.
Afinal, sempre se aproveitou a minha história perdida.
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
Ia para contar uma história, mas no caminho para casa ou lá onde fosse esqueci-me.
Sentado à secretária, onde escrevo as histórias que me ocorrem por aqui e por ali, chamei pela minha história e ela nicles! Não respondeu à chamada.
Onde a teria perdido? No corredor? Não, que não era história de correr. Na casa de jantar? Não, que não era história de comer. No quarto? Não, que não era história para adormecer.
Naturalmente, foi na rua, antes de eu ter entrado em casa. Ficou à porta, envergonhada, e andará agora por aí, ao deus-dará, sem ninguém que lhe dê a mão, desabrigadinha de todo, a minha pobre história perdida.
Que impressão isto me faz.
Vou amanhã a um jornal e ponho um anúncio: HISTÓRIA PERDEU-SE. RECOMPENSA-SE QUEM A ACHAR E A TROUXER À SEGUINTE MORADA...
Mas como é que as pessoas vão dar com a minha história, se andam por aí tantas histórias pela rua, ao desamparo, só à espera de alguém que as conte? Vou ficar com a minha casa cheia de histórias que não me pertencem. É embaraçante. Eu só preciso de uma. A minha. Como resolver esta aflição?
Bem... Podia imaginar... Podia, por exemplo, imaginar que a minha história, depois de ter andado ao acaso, foi ter a um jardim, onde estava uma senhora de cabelos brancos, sentada num banco, pensativa, preocupada... Ia visitar os netos e não tinha nada para lhes levar. Nem carrinho, nem bola, nem boneco... E eles, já se vê, à espera de uma lembrança. Mas a vida tão cara!
A minha história adivinhou-lhe os pensamentos. E a minha história, sempre tão tímida, tão metida consigo, teve uma ousadia. Ofereceu-se:
– Leve-me aos seus netos. Conte-me. Também sou uma prenda.
Assim aconteceu. E os netos parece que gostaram.
Afinal, sempre se aproveitou a minha história perdida.
Ouvir
Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
Voltar ao texto
Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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