21 de Julho
Não Cabem Mais
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
N aquelas férias, a Estalagem Pestana do senhor Pestana não era das mais frequentadas. Por isso, quando, um dia, chegou à recepção, atrás da qual o senhor Pestana fazia as suas contas, um hóspede que perguntou:
– Tem um quarto espaçoso, com cama de casal e casa-de-banho?
O senhor Pestana, sem levantar os olhos dos seus papéis, respondeu:
– Tenho sim, senhor, e com vista para o lago. Já mando buscar as suas bagagens.
Dizendo isto, encarou com o novo hóspede. Era um hipopótamo, um hipopótamo autêntico, como o do Jardim Zoológico e o dos filmes de África. O senhor Pestana, atarantado, só conseguiu gaguejar estas palavras:
– Lamentamos... lamento... mas, a piscina... a piscina ainda não está a funcionar.
– Não tem importância. Tomo banho no lago.
O senhor Pestana, que era um excelente estalajadeiro, sempre muito correcto e atencioso, perguntou a medo:
– Vossa Excelência vem acompanhado?
– Venho sozinho – esclareceu o hipopótamo. – Se pedi uma cama de casal, é porque a minha corpulência... Compreende?
– Perfeitamente. Vossa Excelência pode ficar descansado, que as nossas camas são óptimas e muito resistentes. Agradecia, no entanto, que não utilizasse o elevador.
– Não se preocupe. Eu também compreendo.
Era, de facto, um hipopótamo muito compreensivo. Tomava, discretamente, o pequeno-almoço no quarto, descia as escadas com toda a delicadeza e ia dar uma voltinha. Pelas onze da manhã, já estava a tomar banho no lago, para grande satisfação dos outros clientes da estalagem, encantados com aquela novidade em cores africanas.
A notícia divulgou-se e a estalagem encheu-se. O senhor Pestana andava contentíssimo. Calculem, portanto, a decepção que ele sofreu quando, um dia, o seu afamado cliente o informou:
– Faça-me a conta, por favor, porque parto amanhã.
Desolado, o senhor Pestana perguntou ao hipopótamo:
– Vossa Excelência tem alguma razão de queixa dos nossos serviços? Parte incomodado ou desagradado com alguma falta nossa?
– De forma alguma – tranquilizou-o o hipopótamo. – Gostei imenso destas férias. Esteja seguro de que vou recomendar a sua estalagem aos meus amigos.
Assim aconteceu. E foi devido às boas informações dadas pelo hipopótamo que, no ano seguinte, o senhor Pestana teve de recusar muitos clientes...
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
N aquelas férias, a Estalagem Pestana do senhor Pestana não era das mais frequentadas. Por isso, quando, um dia, chegou à recepção, atrás da qual o senhor Pestana fazia as suas contas, um hóspede que perguntou:
– Tem um quarto espaçoso, com cama de casal e casa-de-banho?
O senhor Pestana, sem levantar os olhos dos seus papéis, respondeu:
– Tenho sim, senhor, e com vista para o lago. Já mando buscar as suas bagagens.
Dizendo isto, encarou com o novo hóspede. Era um hipopótamo, um hipopótamo autêntico, como o do Jardim Zoológico e o dos filmes de África. O senhor Pestana, atarantado, só conseguiu gaguejar estas palavras:
– Lamentamos... lamento... mas, a piscina... a piscina ainda não está a funcionar.
– Não tem importância. Tomo banho no lago.
O senhor Pestana, que era um excelente estalajadeiro, sempre muito correcto e atencioso, perguntou a medo:
– Vossa Excelência vem acompanhado?
– Venho sozinho – esclareceu o hipopótamo. – Se pedi uma cama de casal, é porque a minha corpulência... Compreende?
– Perfeitamente. Vossa Excelência pode ficar descansado, que as nossas camas são óptimas e muito resistentes. Agradecia, no entanto, que não utilizasse o elevador.
– Não se preocupe. Eu também compreendo.
Era, de facto, um hipopótamo muito compreensivo. Tomava, discretamente, o pequeno-almoço no quarto, descia as escadas com toda a delicadeza e ia dar uma voltinha. Pelas onze da manhã, já estava a tomar banho no lago, para grande satisfação dos outros clientes da estalagem, encantados com aquela novidade em cores africanas.
A notícia divulgou-se e a estalagem encheu-se. O senhor Pestana andava contentíssimo. Calculem, portanto, a decepção que ele sofreu quando, um dia, o seu afamado cliente o informou:
– Faça-me a conta, por favor, porque parto amanhã.
Desolado, o senhor Pestana perguntou ao hipopótamo:
– Vossa Excelência tem alguma razão de queixa dos nossos serviços? Parte incomodado ou desagradado com alguma falta nossa?
– De forma alguma – tranquilizou-o o hipopótamo. – Gostei imenso destas férias. Esteja seguro de que vou recomendar a sua estalagem aos meus amigos.
Assim aconteceu. E foi devido às boas informações dadas pelo hipopótamo que, no ano seguinte, o senhor Pestana teve de recusar muitos clientes...
Imagens recuperadas
Ouvir
Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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