• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «O Peixe Tolo».

12 de Julho

O Peixe Tolo

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

O peixe-espada gostava de ser espingarda, bazuca, metralhadora... Espada é que não.

– Está fora de moda, nas guerras de agora.

E perguntara aos outros peixes se peixe-metralhadora lhes soava bem. Eles, que o achavam um bacoco peixe taralhoco, diziam-lhe a tudo que sim, mas a rirem de troça. O peixe-espada é que não dava por isso, incorrigível na sua ideia de trocar a espada por arma mais actual. Que grande tolo!

– Quem poderá mudar-me o nome? – perguntava ele, a torto e a direito.

– Talvez a santola saiba – respondiam-lhe, só para despachá-lo.

A santola ganhara fama de sábia, vai-se lá saber porquê. E da fama tirava bom proveito.

Exposta a pretensão à santola, disse-lhe ela:

– Foram os homens que te deram, dantes, esse nome, a condizer com o teu feitio. Não vejo quem mais possa trocar-te o nome senão eles.

Afinal, à santola não faltava sabedoria.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Então, como é que eu faço?

– Tanto não sei – respondeu a santola. – Não te aconselho a meteres-te numa dessas redes que, de vez em quando, eles lançam, mas a decisão é tua.

Está-se mesmo a ver o que o peixe-espada decidiu. Meteu-se mesmo numa das redes, onde já se debatiam outros peixes, que, evidentemente, ali tinham ido parar de má vontade. Cardumes de carapaus, sardinhas, sardas e chicharros. O único que ali estava muito feliz era o peixe-espada.

– Eles puxam a rede e, chegando lá acima, ao primeiro homem que encontrar exijo que me dê um nome mais moderno. Peixe-foguetão é que estava a calhar-me.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Quando os pescadores puxaram as redes e os peixes e peixinhos começaram a saltar no convés, um dos homens, vendo, no meio deles, o desgraçado herói desta história, exclamou:

– Que belo peixe-espada. É um espadão!

Mas o infeliz já não ouviu o elogio. E, mesmo que ainda estivesse vivo, talvez não gostasse.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original recuperada para O Peixe Tolo
Ilustração original recuperada

O peixe-espada gostava de ser espingarda, bazuca, metralhadora... Espada é que não.

– Está fora de moda, nas guerras de agora.

E perguntara aos outros peixes se peixe-metralhadora lhes soava bem. Eles, que o achavam um bacoco peixe taralhoco, diziam-lhe a tudo que sim, mas a rirem de troça. O peixe-espada é que não dava por isso, incorrigível na sua ideia de trocar a espada por arma mais actual. Que grande tolo!

– Quem poderá mudar-me o nome? – perguntava ele, a torto e a direito.

– Talvez a santola saiba – respondiam-lhe, só para despachá-lo.

A santola ganhara fama de sábia, vai-se lá saber porquê. E da fama tirava bom proveito.

Exposta a pretensão à santola, disse-lhe ela:

– Foram os homens que te deram, dantes, esse nome, a condizer com o teu feitio. Não vejo quem mais possa trocar-te o nome senão eles.

Afinal, à santola não faltava sabedoria.

– Então, como é que eu faço?

– Tanto não sei – respondeu a santola. – Não te aconselho a meteres-te numa dessas redes que, de vez em quando, eles lançam, mas a decisão é tua.

Está-se mesmo a ver o que o peixe-espada decidiu. Meteu-se mesmo numa das redes, onde já se debatiam outros peixes, que, evidentemente, ali tinham ido parar de má vontade. Cardumes de carapaus, sardinhas, sardas e chicharros. O único que ali estava muito feliz era o peixe-espada.

– Eles puxam a rede e, chegando lá acima, ao primeiro homem que encontrar exijo que me dê um nome mais moderno. Peixe-foguetão é que estava a calhar-me.

Quando os pescadores puxaram as redes e os peixes e peixinhos começaram a saltar no convés, um dos homens, vendo, no meio deles, o desgraçado herói desta história, exclamou:

– Que belo peixe-espada. É um espadão!

Mas o infeliz já não ouviu o elogio. E, mesmo que ainda estivesse vivo, talvez não gostasse.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Pendente
PDF original
Pendente