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Ilustração de abertura da história «Os esquilos Danilos e a ponte nova».

2 de Julho

Os esquilos Danilos e a ponte nova

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Os dois esquilos Danilos - Danilo Pai e Danilo Filho - são muito viajados.

Numa das suas viagens, tiveram de atravessar um rio. Quando chegaram à ponte e viram a ponte partida, não desanimaram.

- Por aí adiante, mais coisa menos coisa, deve haver outra ponte nova - lembrou-se um dos esquilos Danilos.

E foram à procura da ponte. Só que, por azar, não tomaram o caminho certo. Foram no sentido contrário.

Quando passaram por uma rã, perguntaram-lhe:

- Sabe onde fica a ponte nova?

- Ponte? É coisa de que não preciso - e a rã saltou para a água.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Depois encontraram um sapo e perguntaram-lhe:

- Sabe onde fica a ponte nova?

- Por aí... Por aí... - respondeu o sapo, quase sem fechar a boca.

O sapo estava de língua estendida, à espera de que algum mosquito nela poisasse, e não lhe convinha muita conversa.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Depois encontraram um grilo e perguntaram-lhe:

- Sabe onde fica a ponte nova?

- Ponte nova, ponte nova

quem não sabe não se assoa.

Dão-me tema e faço a trova

nem que a rima seja à toa.

Ponte nova, ponte nova

pontapé e ponto-de-cruz

quem tais versos não aprova

cai no chão e catrapus!

Do grilo poeta também não levavam nada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E como já estavam cansados de andar pela margem do rio, os dois esquilos Danilos - Danilo Pai e Danilo Filho - decidiram fazer uma jangada. Juntaram umas canas, amarraram-nas com raízes e saltaram-lhe para cima.

A princípio não houve novidade, mas como a corrente do rio era cada vez mais forte, os dois esquilos perderam o domínio da jangada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Socorro! - gritavam. - Atirem-nos uma corda.

Da margem, o grilo, indiferente ao pedido, fazia versos:

- Uma corda ou um cordel

um cordel ou uma cordinha

quem tem lápis, tem papel

quem não tem, é porque tinha...

- Socorro! - gritavam, depois, para o sapo na margem. - Uma corda...

- Por aí... Por aí... - respondeu o sapo, sem se mexer, e quase sem fechar a boca.

- Socorro! - gritavam para a rã, pouco depois. - Lance-nos uma corda.

- Uma corda? Nunca precisei de tal coisa! - e a rã mergulhou.

Passaram a seguir, a toda a velocidade, pelo meio da velha ponte destroçada, e mais adiante deram finalmente com a ponte nova. De um salto - porque os dois esquilos Danilos eram ágeis - agarraram-se à ponte e treparam para o tabuleiro. A jangada, essa, continuou correndo, ao sabor da corrente...

- Conseguimos - exclamou o Danilo Filho para o Danilo Pai, enquanto se sacudia da água.

- Mais coisa menos coisa, conseguimos sempre - aprovou o Danilo Pai, alisando o pêlo.

E os dois esquilos Danilos prosseguiram viagem.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Os esquilos Danilos e a ponte nova
Ilustração original recuperada

Os dois esquilos Danilos - Danilo Pai e Danilo Filho - são muito viajados.

Numa das suas viagens, tiveram de atravessar um rio. Quando chegaram à ponte e viram a ponte partida, não desanimaram.

- Por aí adiante, mais coisa menos coisa, deve haver outra ponte nova - lembrou-se um dos esquilos Danilos.

E foram à procura da ponte. Só que, por azar, não tomaram o caminho certo. Foram no sentido contrário.

Quando passaram por uma rã, perguntaram-lhe:

- Sabe onde fica a ponte nova?

- Ponte? É coisa de que não preciso - e a rã saltou para a água.

Depois encontraram um sapo e perguntaram-lhe:

- Sabe onde fica a ponte nova?

- Por aí... Por aí... - respondeu o sapo, quase sem fechar a boca.

O sapo estava de língua estendida, à espera de que algum mosquito nela poisasse, e não lhe convinha muita conversa.

Depois encontraram um grilo e perguntaram-lhe:

- Sabe onde fica a ponte nova?

- Ponte nova, ponte nova

quem não sabe não se assoa.

Dão-me tema e faço a trova

nem que a rima seja à toa.

Ponte nova, ponte nova

pontapé e ponto-de-cruz

quem tais versos não aprova

cai no chão e catrapus!

Do grilo poeta também não levavam nada.

E como já estavam cansados de andar pela margem do rio, os dois esquilos Danilos - Danilo Pai e Danilo Filho - decidiram fazer uma jangada. Juntaram umas canas, amarraram-nas com raízes e saltaram-lhe para cima.

A princípio não houve novidade, mas como a corrente do rio era cada vez mais forte, os dois esquilos perderam o domínio da jangada.

- Socorro! - gritavam. - Atirem-nos uma corda.

Da margem, o grilo, indiferente ao pedido, fazia versos:

- Uma corda ou um cordel

um cordel ou uma cordinha

quem tem lápis, tem papel

quem não tem, é porque tinha...

- Socorro! - gritavam, depois, para o sapo na margem. - Uma corda...

- Por aí... Por aí... - respondeu o sapo, sem se mexer, e quase sem fechar a boca.

- Socorro! - gritavam para a rã, pouco depois. - Lance-nos uma corda.

- Uma corda? Nunca precisei de tal coisa! - e a rã mergulhou.

Passaram a seguir, a toda a velocidade, pelo meio da velha ponte destroçada, e mais adiante deram finalmente com a ponte nova. De um salto - porque os dois esquilos Danilos eram ágeis - agarraram-se à ponte e treparam para o tabuleiro. A jangada, essa, continuou correndo, ao sabor da corrente...

- Conseguimos - exclamou o Danilo Filho para o Danilo Pai, enquanto se sacudia da água.

- Mais coisa menos coisa, conseguimos sempre - aprovou o Danilo Pai, alisando o pêlo.

E os dois esquilos Danilos prosseguiram viagem.

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