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Ilustração de abertura da história «Queda para o negócio».

19 de Junho

Queda para o negócio

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Um rato, que andava a viajar, chegou, a certa altura, à margem de um rio profundo. Nem ponte nem barco.

Uma rã, que andava por ali, ofereceu-se para levá-lo até ao outro lado. Como paga pelo serviço pedia vinte mosquitos.

- Mosquitos não tenho, que não é moeda do meu uso - disse-lhe o rato.

- Mas se aceita o câmbio, disponho de notas de mais valor, na minha bagagem. Quer receber duas fatias de queijo pelo trabalho?

- Três - respondeu a rã, que tinha queda para o negócio.

O rato acedeu. Também não lhe restava outra alternativa...

A rã pôs-se a nadar, com o rato encavalitado no dorso.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Faltavam talvez dois terços da viagem, quando a rã disse:

- Afinal você pesa mais do que eu supunha. Levo quatro fatias pelo transporte.

O rato, que não sabia nadar, olhou para a água, em corrente assustadora, e disse que sim. Nem tinha outro remédio.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Mais adiante, voltou a rã:

- Estive a pensar que quatro fatias não chegam. Ficamos em cinco. O que é que acha?

O rato atemorizado achou bem. Se achasse mal, o que o esperaria?

Estavam a chegar ao sítio mais fundo do rio.

- Amigo rato, vamos concluir o negócio.

Eu por doze fatias levo-o à outra margem. Combinado?

- Combinado... - disse o rato, a tremer de medo.

E assim continuaram, até terem a margem à vista. Mais calmo, o rato falou assim:

- Eu não sou de regatear, mas sobre aquela nossa conversa de há bocado, compete-me dizer que acho o seu preço muito pesado.

- Mau!

- sobressaltou-se a rã. - Então em que ficamos?

Estava a margem à largura de um salto. Foi o salto que o rato deu, salpicando-se todo. Mas estava em terra firme.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Então, afinal, em que ficamos? - perguntou a rã, a boiar de bruços.

- Eu fico aqui, agora você vá para onde lhe apetecer, que não quero ser eu a mandá-la - respondeu o rato.

E desapareceu, pelo meio de uns caniços.

- Já me tinha constado que se não deve concluir negócios com ratos - disse de si para si a rã. - São muito pouco honestos...

E o que diria o rato, se pudéssemos ouvi-lo?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Um rato, que andava a viajar, chegou, a certa altura, à margem de um rio profundo. Nem ponte nem barco.

Uma rã, que andava por ali, ofereceu-se para levá-lo até ao outro lado. Como paga pelo serviço pedia vinte mosquitos.

- Mosquitos não tenho, que não é moeda do meu uso - disse-lhe o rato.

- Mas se aceita o câmbio, disponho de notas de mais valor, na minha bagagem. Quer receber duas fatias de queijo pelo trabalho?

- Três - respondeu a rã, que tinha queda para o negócio.

O rato acedeu. Também não lhe restava outra alternativa...

A rã pôs-se a nadar, com o rato encavalitado no dorso.

Faltavam talvez dois terços da viagem, quando a rã disse:

- Afinal você pesa mais do que eu supunha. Levo quatro fatias pelo transporte.

O rato, que não sabia nadar, olhou para a água, em corrente assustadora, e disse que sim. Nem tinha outro remédio.

Mais adiante, voltou a rã:

- Estive a pensar que quatro fatias não chegam. Ficamos em cinco. O que é que acha?

O rato atemorizado achou bem. Se achasse mal, o que o esperaria?

Estavam a chegar ao sítio mais fundo do rio.

- Amigo rato, vamos concluir o negócio.

Eu por doze fatias levo-o à outra margem. Combinado?

- Combinado... - disse o rato, a tremer de medo.

E assim continuaram, até terem a margem à vista. Mais calmo, o rato falou assim:

- Eu não sou de regatear, mas sobre aquela nossa conversa de há bocado, compete-me dizer que acho o seu preço muito pesado.

- Mau!

- sobressaltou-se a rã. - Então em que ficamos?

Estava a margem à largura de um salto. Foi o salto que o rato deu, salpicando-se todo. Mas estava em terra firme.

- Então, afinal, em que ficamos? - perguntou a rã, a boiar de bruços.

- Eu fico aqui, agora você vá para onde lhe apetecer, que não quero ser eu a mandá-la - respondeu o rato.

E desapareceu, pelo meio de uns caniços.

- Já me tinha constado que se não deve concluir negócios com ratos - disse de si para si a rã. - São muito pouco honestos...

E o que diria o rato, se pudéssemos ouvi-lo?

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