26 de Maio
Figura de urso
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
O urso Gingão gostava de dar nas vistas. Mas, por mais que se esforçasse, não conseguia chamar a atenção dos outros bichos. O que é que adiantava aos afazeres de cada qual um urso com um enorme laçarote à volta do pescoço? Nem lhe ligavam.
E o urso Gingão lá ia tirar o laçarote. No dia seguinte, aparecia a fazer o pino.
Atravessava a floresta, de cabeça para baixo, ouvido atento a qualquer comentário. Nenhum! Os bichos tinham mais que fazer.
Então, o urso Gingão pegava num violino e ia tocar para uma clareira. Tocava, tocava (pouco bem, aliás!), mas espectadores nem um.
De aí a dias, montado numa bicicleta, pedalava com ganas de corredor:
- Cá vou eu! Cá vou eu!
Fugiam os lagartos, com medo de ficarem sem rabo. Fugiam as doninhas, os coelhos, os texugos, as lebres, as perdizes... Fugiam todos.
E ele que gostava tanto de dar nas vistas!
Desanimado, foi procurar outras paragens. Por atalhos e desvios, chegou diante de um palácio. Porque não tentar ali mesmo a sua sorte? Sem cerimónia, como se estivesse na floresta, entrou no palacete iluminado.
Era um baile de máscaras. O urso fez sensação. Tocou violino. Muitas palmas. Fez o pino. Mais palmas. Deu cambalhotas e perdeu o tino.
Mais e mais palmas. No mais animado da festa, a dona da casa anunciou:
- Meus queridos convidados, chegou o momento de tirarem as máscaras. Quero ver os vossos rostos amigos.
Os piratas desfizeram-se das palas, as bruxas dos narizes, os sultões dos bigodes. Só o urso ficou, no meio da sala, um pouco comprometido.
- Quer que eu puxe o fecho de correr? - perguntou uma senhora, muito amável.
Muitas outras mãos acorreram. E procuravam, fazendo cócegas, os botões, o fecho, os colchetes...
- Mas é um urso de verdade! - exclamou, aterrorizado, um senhor vestido de general.
As luzes quase desfaleceram de susto. Tudo fugiu, numa grande gritaria.
Só ficou na sala o urso. Afinal, tinham-no tomado por aquilo que ele não era.
Cabisbaixo, voltou à floresta, saboreando pensamentos novos.
Parece que o urso Gingão ainda toca violino, mas porque gosta. Já não quer dar nas vistas. Perdeu a presunção num baile de máscaras.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
O urso Gingão gostava de dar nas vistas. Mas, por mais que se esforçasse, não conseguia chamar a atenção dos outros bichos. O que é que adiantava aos afazeres de cada qual um urso com um enorme laçarote à volta do pescoço? Nem lhe ligavam.
E o urso Gingão lá ia tirar o laçarote. No dia seguinte, aparecia a fazer o pino.
Atravessava a floresta, de cabeça para baixo, ouvido atento a qualquer comentário. Nenhum! Os bichos tinham mais que fazer.
Então, o urso Gingão pegava num violino e ia tocar para uma clareira. Tocava, tocava (pouco bem, aliás!), mas espectadores nem um.
De aí a dias, montado numa bicicleta, pedalava com ganas de corredor:
- Cá vou eu! Cá vou eu!
Fugiam os lagartos, com medo de ficarem sem rabo. Fugiam as doninhas, os coelhos, os texugos, as lebres, as perdizes... Fugiam todos.
E ele que gostava tanto de dar nas vistas!
Desanimado, foi procurar outras paragens. Por atalhos e desvios, chegou diante de um palácio. Porque não tentar ali mesmo a sua sorte? Sem cerimónia, como se estivesse na floresta, entrou no palacete iluminado.
Era um baile de máscaras. O urso fez sensação. Tocou violino. Muitas palmas. Fez o pino. Mais palmas. Deu cambalhotas e perdeu o tino.
Mais e mais palmas. No mais animado da festa, a dona da casa anunciou:
- Meus queridos convidados, chegou o momento de tirarem as máscaras. Quero ver os vossos rostos amigos.
Os piratas desfizeram-se das palas, as bruxas dos narizes, os sultões dos bigodes. Só o urso ficou, no meio da sala, um pouco comprometido.
- Quer que eu puxe o fecho de correr? - perguntou uma senhora, muito amável.
Muitas outras mãos acorreram. E procuravam, fazendo cócegas, os botões, o fecho, os colchetes...
- Mas é um urso de verdade! - exclamou, aterrorizado, um senhor vestido de general.
As luzes quase desfaleceram de susto. Tudo fugiu, numa grande gritaria.
Só ficou na sala o urso. Afinal, tinham-no tomado por aquilo que ele não era.
Cabisbaixo, voltou à floresta, saboreando pensamentos novos.
Parece que o urso Gingão ainda toca violino, mas porque gosta. Já não quer dar nas vistas. Perdeu a presunção num baile de máscaras.
Imagens recuperadas
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
Palavras da história
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Recuperação
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