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Ilustração de abertura da história «O piquenique da Felisbela».

25 de Maio

O piquenique da Felisbela

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Por altura dos piqueniques na mata, a lebre Felisbela anda mais descuidada.

Onde há piqueniques não há caçadores. Em contrapartida, há comida à escolha, restos de salada, cascas de fruta e outros manjares fora do vulgar dia-a-dia de uma lebre fomenica.

Então depois dos domingos e dos feriados, a mata é uma mesa de banquete.

Andava a lebre Felisbela, numa matina de segunda-feira, na recolha regalada da comida para o resto da semana, quando viu, junto a um castanheiro, um enorme cesto de vime.

"Alguém que o deixou esquecido", pensou a lebre, sem estranhar a prenda.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E logo a seguir veio-lhe à memória uma saladinha de frutas exóticas que provara de uma saladeira partida e abandonada por piqueniqueiros desleixados.

Não pensou mais. Levantou a tampa do cesto e atirou-se lá para dentro. Grande surpresa! Garras poderosas fincaram-se-lhe as orelhas.

- Apanhei-te - disse uma voz de meter medo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Era o lobo, que urdira aquela armadilha para provar que os lobos não são tão tolos como, nas histórias, os descrevem.

O lobo triunfante ergueu-se do cesto e com a lebre bem presa dirigiu-se à fonte da mata.

- Não gosto de comer nada sem lavar primeiro - esclareceu o lobo. - Tomo muito cuidado com a minha alimentação.

- Prudente regra, senhor lobo - aprovou a lebre Felisbela. - Foi por não ter seguido esse preceito que estou como estou.

- E como é que tu estás, posso saber?

Em resposta, o lobo ouviu um fundo suspiro de desalento. Logo a seguir, um gemido de cortar o coração.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Não te sentes bem? - perguntou o lobo, abrandando as tenazes das garras sobre as orelhas da lebre.

- Sob a protecção do senhor lobo sinto-me muito bem - respondeu a lebre, voltando a suspirar.

- Mas eu não estou a proteger-te. Vou matar-te não tarda.

- Quanto mais depressa melhor, senhor lobo.

Nem eu esperava outra coisa, quando levantei a tampa do cabaz, à sua procura.

- À minha procura? - admirou-se o lobo. - Pois tu sabias que eu estava lá dentro?

- Vi-o entrar. Por isso, fui ter consigo.

O lobo desconfiou:

- Estás a maquinar alguma, lebre. Isto já não me cheira bem.

- Se já cheiro mal, a culpa é dos cogumelos - e a lebre, de propósito, largou uma bufa daquelas de agoniar até as moscas.

- Ui, que pivete! - queixou-se o lobo. - De que cogumelos falas?

- De uns venenosos, que comi, desprevenida - explicou a lebre.

- Estou com umas cólicas que, se o senhor lobo não me mata depressa, cuido que rebento antes. Por isso me atirei para dentro da seira , para abreviar o sofrimento.

- Ó maldita - exclamou o lobo, enojado. - E escolheste-me a mim para carrasco? Tu não sabias que eu não como bichos doentes, ainda para mais envenenados.

O lobo arremessou a lebre para longe, o mais longe que pôde. Ainda a Felisbela ia no ar e já se estava a rir. Que grande desfeita ela pregara ao bronco do lobo! E salvara a vida...

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Por altura dos piqueniques na mata, a lebre Felisbela anda mais descuidada.

Onde há piqueniques não há caçadores. Em contrapartida, há comida à escolha, restos de salada, cascas de fruta e outros manjares fora do vulgar dia-a-dia de uma lebre fomenica.

Então depois dos domingos e dos feriados, a mata é uma mesa de banquete.

Andava a lebre Felisbela, numa matina de segunda-feira, na recolha regalada da comida para o resto da semana, quando viu, junto a um castanheiro, um enorme cesto de vime.

"Alguém que o deixou esquecido", pensou a lebre, sem estranhar a prenda.

E logo a seguir veio-lhe à memória uma saladinha de frutas exóticas que provara de uma saladeira partida e abandonada por piqueniqueiros desleixados.

Não pensou mais. Levantou a tampa do cesto e atirou-se lá para dentro. Grande surpresa! Garras poderosas fincaram-se-lhe as orelhas.

- Apanhei-te - disse uma voz de meter medo.

Era o lobo, que urdira aquela armadilha para provar que os lobos não são tão tolos como, nas histórias, os descrevem.

O lobo triunfante ergueu-se do cesto e com a lebre bem presa dirigiu-se à fonte da mata.

- Não gosto de comer nada sem lavar primeiro - esclareceu o lobo. - Tomo muito cuidado com a minha alimentação.

- Prudente regra, senhor lobo - aprovou a lebre Felisbela. - Foi por não ter seguido esse preceito que estou como estou.

- E como é que tu estás, posso saber?

Em resposta, o lobo ouviu um fundo suspiro de desalento. Logo a seguir, um gemido de cortar o coração.

- Não te sentes bem? - perguntou o lobo, abrandando as tenazes das garras sobre as orelhas da lebre.

- Sob a protecção do senhor lobo sinto-me muito bem - respondeu a lebre, voltando a suspirar.

- Mas eu não estou a proteger-te. Vou matar-te não tarda.

- Quanto mais depressa melhor, senhor lobo.

Nem eu esperava outra coisa, quando levantei a tampa do cabaz, à sua procura.

- À minha procura? - admirou-se o lobo. - Pois tu sabias que eu estava lá dentro?

- Vi-o entrar. Por isso, fui ter consigo.

O lobo desconfiou:

- Estás a maquinar alguma, lebre. Isto já não me cheira bem.

- Se já cheiro mal, a culpa é dos cogumelos - e a lebre, de propósito, largou uma bufa daquelas de agoniar até as moscas.

- Ui, que pivete! - queixou-se o lobo. - De que cogumelos falas?

- De uns venenosos, que comi, desprevenida - explicou a lebre.

- Estou com umas cólicas que, se o senhor lobo não me mata depressa, cuido que rebento antes. Por isso me atirei para dentro da seira , para abreviar o sofrimento.

- Ó maldita - exclamou o lobo, enojado. - E escolheste-me a mim para carrasco? Tu não sabias que eu não como bichos doentes, ainda para mais envenenados.

O lobo arremessou a lebre para longe, o mais longe que pôde. Ainda a Felisbela ia no ar e já se estava a rir. Que grande desfeita ela pregara ao bronco do lobo! E salvara a vida...

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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