24 de Maio
A escola dos gatos
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Dantes, os cães e os gatos eram amigos. Tanto assim era que, uma vez, um cão pediu a um gato para ir com ele à escola.
Que escola? A escola dos gatos, já se vê.
- Gostava de saber fazer o que vocês fazem - disse o cão. - Gostava de aprender a miar, a trepar às árvores...
O gato aceitou o novo colega e levou-o para o meio da gataria que andava a aprender.
Mas o cão era muito distraído.
Não só dava pouca atenção às aulas como faltava muito. E chegava sempre atrasado.
Perdia que tempos até chegar à escola. Pelo caminho, junto de cada árvore, alçava a perna...
Ora, quando se tem de chegar a horas, não se pode perder tempo com distracções destas.
Uma vez, chegou à escola já depois de ela ter fechado.
- Para onde foram os meus amigos gatos? - perguntou ele à professora, que ia a sair.
- Procura - respondeu a professora e foi à sua vida.
O cão baseou-se no pouco que até aí tinha aprendido.
Farejou para um lado, farejou para o outro e encontrou um rasto de gato.
Sempre de focinho no chão, chegou ao pé de uma árvore. Ia fazer o que costumava fazer junto de cada árvore, quando ouviu um risinho por cima da sua cabeça. Era o gato que o tinha inscrito na escola dos gatos.
- Do que é que estás a rir ? - perguntou-lhe o cão.
- De ti - respondeu o gato. - És um palonço .
- Não sou nada - protestou o cão.
- És um burro - continuou o gato.
- Não sou nada - irritou-se o cão.
- És um desqualificado - insistiu o gato.
- Não sou nada - zangou-se o cão.
E começou a ladrar, de patas fincadas ao tronco da árvore.
- Vês - disse-lhe o gato. - Se tivesses sido um bom aluno, já sabias trepar às árvores como eu sei.
O cão desesperou-se, mas já era tarde.
Nunca iria aprender a miar e a subir às árvores. Por culpa sua.
E o cão e o gato deixaram de ser amigos.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Dantes, os cães e os gatos eram amigos. Tanto assim era que, uma vez, um cão pediu a um gato para ir com ele à escola.
Que escola? A escola dos gatos, já se vê.
- Gostava de saber fazer o que vocês fazem - disse o cão. - Gostava de aprender a miar, a trepar às árvores...
O gato aceitou o novo colega e levou-o para o meio da gataria que andava a aprender.
Mas o cão era muito distraído.
Não só dava pouca atenção às aulas como faltava muito. E chegava sempre atrasado.
Perdia que tempos até chegar à escola. Pelo caminho, junto de cada árvore, alçava a perna...
Ora, quando se tem de chegar a horas, não se pode perder tempo com distracções destas.
Uma vez, chegou à escola já depois de ela ter fechado.
- Para onde foram os meus amigos gatos? - perguntou ele à professora, que ia a sair.
- Procura - respondeu a professora e foi à sua vida.
O cão baseou-se no pouco que até aí tinha aprendido.
Farejou para um lado, farejou para o outro e encontrou um rasto de gato.
Sempre de focinho no chão, chegou ao pé de uma árvore. Ia fazer o que costumava fazer junto de cada árvore, quando ouviu um risinho por cima da sua cabeça. Era o gato que o tinha inscrito na escola dos gatos.
- Do que é que estás a rir ? - perguntou-lhe o cão.
- De ti - respondeu o gato. - És um palonço .
- Não sou nada - protestou o cão.
- És um burro - continuou o gato.
- Não sou nada - irritou-se o cão.
- És um desqualificado - insistiu o gato.
- Não sou nada - zangou-se o cão.
E começou a ladrar, de patas fincadas ao tronco da árvore.
- Vês - disse-lhe o gato. - Se tivesses sido um bom aluno, já sabias trepar às árvores como eu sei.
O cão desesperou-se, mas já era tarde.
Nunca iria aprender a miar e a subir às árvores. Por culpa sua.
E o cão e o gato deixaram de ser amigos.
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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