19 de Maio
O tempo das vacas magras
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Os reis que mandavam no Egipto de antigamente eram os faraós. Um deles, uma vez, teve um sonho.
No princípio do sonho, o faraó viu-se junto à margem de um rio. Do rio saíram sete vacas bonitas e gordas, que se puseram a pastar na erva. Passado algum tempo, outras sete vacas saíram do rio, mas estas eram enfezadas e feias.
Depois - coisa estranha! - as sete vacas magras devoraram as sete vacas gordas. Só em sonhos isto pode acontecer.
Foi este o pensamento do faraó, ao acordar.
Sentia-se incomodado com o sonho que tivera e todo o dia empreendeu nele, a ponto de o contar aos seu séquito , com todos os pormenores, como se ainda o estivesse a sonhar.
- Há-de ser um sinal, um aviso - dizia, constantemente, o faraó. - Mas que sinal, que aviso?
Alguém se lembrou de um escravo, chamado José, que tinha fama de interpretar os sonhos mais escabrosos . Naquele tempo, acreditava-se que os sonhos eram recomendações divinas para guiar a conduta dos homens.
Chamado à corte, José ouviu do faraó o estranho sonho. Os cortesãos já quase o sabiam de cor.
José ouviu e ficou, depois, em meditações, como se estivesse a rezar. À sua volta, aumentava a impaciência.
Até que José anunciou:
- As sete vacas gordas vão ser sete anos de abundância. A seguir virão sete anos de fome, como sete vacas magras.
A riqueza dos sete primeiros anos será consumida pelos sete anos seguintes, em que o Egipto, devastado, se for mal gerido, conhecerá a miséria.
O faraó concordou. Algo lhe dizia que as palavras do escravo eram portadoras da verdade.
- Que devo, então, fazer? - perguntou o faraó.
José respondeu, como se fosse um profeta:
- Deveis mandar acumular toda a alimentação excedente desses anos férteis, que se aproximam. O trigo armazenado ficará de reserva, como recurso para minorar os sete anos de fome.
- Visto que o teu Deus te revelou tudo isso, não há ninguém, no Egipto, mais sábio do que tu - proclamou o faraó. - Tu mesmo serás o chefe da minha casa. Todo o meu povo será governado por ti, como primeiro representante do meu mando.
Então, o faraó tirou da sua mão direita um anel e entregou-o a José.
Tudo aconteceu como ele previra. Quando chegaram os anos de seca, a fome tomou conta dos países vizinhos, mas no Egipto não faltou o pão. Por isso o povo glorificou o nome do antigo escravo que ensinara ao faraó as regras do bom governo e os ditames da prudência.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Os reis que mandavam no Egipto de antigamente eram os faraós. Um deles, uma vez, teve um sonho.
No princípio do sonho, o faraó viu-se junto à margem de um rio. Do rio saíram sete vacas bonitas e gordas, que se puseram a pastar na erva. Passado algum tempo, outras sete vacas saíram do rio, mas estas eram enfezadas e feias.
Depois - coisa estranha! - as sete vacas magras devoraram as sete vacas gordas. Só em sonhos isto pode acontecer.
Foi este o pensamento do faraó, ao acordar.
Sentia-se incomodado com o sonho que tivera e todo o dia empreendeu nele, a ponto de o contar aos seu séquito , com todos os pormenores, como se ainda o estivesse a sonhar.
- Há-de ser um sinal, um aviso - dizia, constantemente, o faraó. - Mas que sinal, que aviso?
Alguém se lembrou de um escravo, chamado José, que tinha fama de interpretar os sonhos mais escabrosos . Naquele tempo, acreditava-se que os sonhos eram recomendações divinas para guiar a conduta dos homens.
Chamado à corte, José ouviu do faraó o estranho sonho. Os cortesãos já quase o sabiam de cor.
José ouviu e ficou, depois, em meditações, como se estivesse a rezar. À sua volta, aumentava a impaciência.
Até que José anunciou:
- As sete vacas gordas vão ser sete anos de abundância. A seguir virão sete anos de fome, como sete vacas magras.
A riqueza dos sete primeiros anos será consumida pelos sete anos seguintes, em que o Egipto, devastado, se for mal gerido, conhecerá a miséria.
O faraó concordou. Algo lhe dizia que as palavras do escravo eram portadoras da verdade.
- Que devo, então, fazer? - perguntou o faraó.
José respondeu, como se fosse um profeta:
- Deveis mandar acumular toda a alimentação excedente desses anos férteis, que se aproximam. O trigo armazenado ficará de reserva, como recurso para minorar os sete anos de fome.
- Visto que o teu Deus te revelou tudo isso, não há ninguém, no Egipto, mais sábio do que tu - proclamou o faraó. - Tu mesmo serás o chefe da minha casa. Todo o meu povo será governado por ti, como primeiro representante do meu mando.
Então, o faraó tirou da sua mão direita um anel e entregou-o a José.
Tudo aconteceu como ele previra. Quando chegaram os anos de seca, a fome tomou conta dos países vizinhos, mas no Egipto não faltou o pão. Por isso o povo glorificou o nome do antigo escravo que ensinara ao faraó as regras do bom governo e os ditames da prudência.
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