30 de Abril
Uma vela a apagar-se
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Era uma vela, uma única vela que alumiava debilmente um quarto. A longa língua rubra da vela estremecia, enquanto ela falava:
- Vou morrer, não tarda. Em vão, porque a minha chama não deu luz a nada que merecesse a pena. Nem testemunhei o nascimento de uma criança nem realcei um beijo de amor nem inspirei o poema de um poeta.
Podia ter sido o minúsculo farol que ajudasse alguém a ir ter com alguém, mas nenhum vulto quis pegar no meu castiçal solitário. Sou uma inútil.
E a vela, a extinguir-se, desfazia-se em lágrimas de cera.
Mas um leve ruído, vindo do corredor, alvoraçou-lhe os últimos lampejos .
Era um ladrão, que, guiado pela luz da vela, se preparava para levantar a tampa de uma arca que guardaria, decerto, algum tesouro.
A vela viu tudo, num relance.
Nada já podia, porque o pavio, que sustenta a chama, se afundava no pequeno lago de cera da vela a desfazer-se, a apagar-se, de vez.
E eis que, de repente, escureceu. O ladrão sobressaltou-se e, sem luz para guiá-lo, tropeçou numa esteira, que deslocou uma cadeira, que tombou sobre uma prateleira, cheia de livros. Alguns caíram, fazendo imenso barulho.
- Quem está aí? - gritou uma voz forte de alguém, que o barulho acordara.
O visitante furtivo preferiu não responder e fugiu, deitando ao chão mais cadeiras e estantes, num grande atarantamento. Desceu uma escada, correu por um jardim, saltou um muro e ainda ouviu gritos e o estampido de uma caçadeira, à conta dele.
Não fosse ter-se apagado a vela, que se julgava inútil, e a história teria sido diferente.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Era uma vela, uma única vela que alumiava debilmente um quarto. A longa língua rubra da vela estremecia, enquanto ela falava:
- Vou morrer, não tarda. Em vão, porque a minha chama não deu luz a nada que merecesse a pena. Nem testemunhei o nascimento de uma criança nem realcei um beijo de amor nem inspirei o poema de um poeta.
Podia ter sido o minúsculo farol que ajudasse alguém a ir ter com alguém, mas nenhum vulto quis pegar no meu castiçal solitário. Sou uma inútil.
E a vela, a extinguir-se, desfazia-se em lágrimas de cera.
Mas um leve ruído, vindo do corredor, alvoraçou-lhe os últimos lampejos .
Era um ladrão, que, guiado pela luz da vela, se preparava para levantar a tampa de uma arca que guardaria, decerto, algum tesouro.
A vela viu tudo, num relance.
Nada já podia, porque o pavio, que sustenta a chama, se afundava no pequeno lago de cera da vela a desfazer-se, a apagar-se, de vez.
E eis que, de repente, escureceu. O ladrão sobressaltou-se e, sem luz para guiá-lo, tropeçou numa esteira, que deslocou uma cadeira, que tombou sobre uma prateleira, cheia de livros. Alguns caíram, fazendo imenso barulho.
- Quem está aí? - gritou uma voz forte de alguém, que o barulho acordara.
O visitante furtivo preferiu não responder e fugiu, deitando ao chão mais cadeiras e estantes, num grande atarantamento. Desceu uma escada, correu por um jardim, saltou um muro e ainda ouviu gritos e o estampido de uma caçadeira, à conta dele.
Não fosse ter-se apagado a vela, que se julgava inútil, e a história teria sido diferente.
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
Palavras da história
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Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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