• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Olhos Verdes».

26 de Abril

Olhos Verdes

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Esta história passou-se na Índia, há muito tempo.

Certo rajá tinha dois filhos, dois filhos já homens, mas muito diferentes entre eles. Um, o mais velho, era tão feio por dentro como por fora. Para condizer, casara-se com uma feiticeira, uma peste.

O mais novo, ainda solteiro, não era feio nem bonito, mas, conhecendo-o melhor, percebia-se que a beleza dele estava toda concentrada no coração. E tinha olhos verdes.

O rei ou rajá, encarando os dois filhos e ajuizando sobre o que deles sabia, decidiu:

– Quem vai herdar o meu reino será o meu filho mais novo, que tem qualidade para ser um bom rei.

A feiticeira, casada com o mais velho, não gostou da escolha do sogro e maquinou um feitiço para afastar o cunhado rival. Convidou-o a tomar chá na varanda dos seus aposentos e misturou uma poção mágica nas folhas da chaleira.

O bom príncipe bebeu e transformou-se em peixe.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Vai nadar para o meio dos teus irmãos – disse a bruxa, atirando-o ao rio, que corria debaixo da varanda do palácio, e largando uma daquelas gargalhadas arrepiantes, que só as bruxas sabem dar: – Ah! Ah! Ah! Não é assim, nem pouco mais ou menos, mas como não sou bruxa...

O príncipe, transformado em peixe, nadou rio abaixo. Deste rio passou para outro maior, que se comunicava com outro imenso, tão largo como um braço de mar.

Foi pescado.

A rede que o pescou, de cambulhada com outros peixes, era puxada pelos servos de outro rajá, rei de outro reino.

Muitos peixes morreram antes de chegar ao palácio. Um dos que sobreviveu e que chamou a atenção do cozinheiro foi o bom do peixe-príncipe.

– É diferente dos outros – disse o cozinheiro. – Tem olhos verdes e corpo dourado. Vou oferecê-lo à princesa.

Ficou num aquário, à cabeceira da cama da princesa, que logo se encantou por ele.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Gostava tanto de ser peixe, para nadar ao teu lado – segredou-lhe, um dia, a princesa.

– Pois eu gostava de ser homem, para poder estar ao teu lado – segredou-lhe o peixe.

Tamanha vontade dos dois tinha de resultar. O amor é uma grande magia.

A jovem princesa começou por surpreender-se com as falas de um peixe de olhos verdes. Mais razão tinha para estranhar, quando o peixe se transformou em homem. Mas não estranhou. Os olhos verdes eram os mesmos...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Claro que daí a um tempo casaram.

Com ajuda dos exércitos do sogro, o príncipe de olhos verdes recuperou o reino, aprisionou a cunhada e o irmão e reinou feliz em companhia da princesa, rodeados por principezinhos de olhos verdes e de olhos castanhos. Não sei se disse que a princesa tinha olhos profundamente castanhos. Belíssimos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Nestas histórias fica sempre muita coisa por contar...

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Esta história passou-se na Índia, há muito tempo.

Certo rajá tinha dois filhos, dois filhos já homens, mas muito diferentes entre eles. Um, o mais velho, era tão feio por dentro como por fora. Para condizer, casara-se com uma feiticeira, uma peste.

O mais novo, ainda solteiro, não era feio nem bonito, mas, conhecendo-o melhor, percebia-se que a beleza dele estava toda concentrada no coração. E tinha olhos verdes.

O rei ou rajá, encarando os dois filhos e ajuizando sobre o que deles sabia, decidiu:

– Quem vai herdar o meu reino será o meu filho mais novo, que tem qualidade para ser um bom rei.

A feiticeira, casada com o mais velho, não gostou da escolha do sogro e maquinou um feitiço para afastar o cunhado rival. Convidou-o a tomar chá na varanda dos seus aposentos e misturou uma poção mágica nas folhas da chaleira.

O bom príncipe bebeu e transformou-se em peixe.

– Vai nadar para o meio dos teus irmãos – disse a bruxa, atirando-o ao rio, que corria debaixo da varanda do palácio, e largando uma daquelas gargalhadas arrepiantes, que só as bruxas sabem dar: – Ah! Ah! Ah! Não é assim, nem pouco mais ou menos, mas como não sou bruxa...

O príncipe, transformado em peixe, nadou rio abaixo. Deste rio passou para outro maior, que se comunicava com outro imenso, tão largo como um braço de mar.

Foi pescado.

A rede que o pescou, de cambulhada com outros peixes, era puxada pelos servos de outro rajá, rei de outro reino.

Muitos peixes morreram antes de chegar ao palácio. Um dos que sobreviveu e que chamou a atenção do cozinheiro foi o bom do peixe-príncipe.

– É diferente dos outros – disse o cozinheiro. – Tem olhos verdes e corpo dourado. Vou oferecê-lo à princesa.

Ficou num aquário, à cabeceira da cama da princesa, que logo se encantou por ele.

– Gostava tanto de ser peixe, para nadar ao teu lado – segredou-lhe, um dia, a princesa.

– Pois eu gostava de ser homem, para poder estar ao teu lado – segredou-lhe o peixe.

Tamanha vontade dos dois tinha de resultar. O amor é uma grande magia.

A jovem princesa começou por surpreender-se com as falas de um peixe de olhos verdes. Mais razão tinha para estranhar, quando o peixe se transformou em homem. Mas não estranhou. Os olhos verdes eram os mesmos...

Claro que daí a um tempo casaram.

Com ajuda dos exércitos do sogro, o príncipe de olhos verdes recuperou o reino, aprisionou a cunhada e o irmão e reinou feliz em companhia da princesa, rodeados por principezinhos de olhos verdes e de olhos castanhos. Não sei se disse que a princesa tinha olhos profundamente castanhos. Belíssimos.

Nestas histórias fica sempre muita coisa por contar...

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Pendente
PDF original
Pendente