24 de Abril
O mosquito ignorante
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Era uma vez um mosquito que andava à procura de insecticida. Isto é: andava à procura, no dicionário, da palavra "insecticida".
Tanto que o tinham prevenido: "Cuidado com os insecticidas! Não te chegues aos insecticidas! Não deixes que os insecticidas se cheguem a ti!" Mas não lhe tinham explicado mais.
Sim, o que seria isso de insecticida? Ali estava, em letras mais pretas: "Insecticida - substância que destrói, que mata insectos." Alto lá! A coisa era grave, devia ser grave para os insectos, pobrezinhos. E, no fim de contas, o que queria dizer "insecto"?
O mosquito era pouco versado em zoologia.
A bem dizer, este mosquito era pouco versado numa quantidade de disciplinas - Zoologia, Biologia, Mecânica, Cartografia, Geometria Descritiva, Estatística, Logística, Balística... E também não falava francês. Era um mosquito muito ignorante.
Como tal, não sabia o que queria dizer "insecto". Não estranhem.
Se perguntarem a uma mosca, aposto que ela também não sabe. Nem as aranhas. Nem as melgas. Nem as baratas. Todas muito incultas.
O mosquito, depois de ter encontrado "insecticida", foi procurar "insecto": animal in...ver...te...bra...do, de corpo ar...ticu...lado, provido de seis patas, que respira pela tra...
queia e sofre meta...morfoses. Meta... quê? Tanta palavra esquisita.
Primeiro: "invertebrado". Leu no dicionário: "que não tem vértebras". Pouco esclarecedor. E "vértebras"? O dicionário ensinava: "cada um dos ossos que constitui a coluna vertebral". Ossos? Isso não lhe dizia respeito. Ele não possuía ossos. Em contrapartida, tinha patas.
Precisamente seis, como esses tais insectos. Coincidência interessante.
Dar-se-ia o caso de...? Que grande novidade, se assim fosse! Leu outra vez: ... provido de seis patas, que respira pela traqueia...
Nisto, atrás dele um som "pff!", seguido dum cheiro desmoralizador.
O mosquito procurou afanosamente a palavra "traqueia", mas já não foi a tempo...
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Era uma vez um mosquito que andava à procura de insecticida. Isto é: andava à procura, no dicionário, da palavra "insecticida".
Tanto que o tinham prevenido: "Cuidado com os insecticidas! Não te chegues aos insecticidas! Não deixes que os insecticidas se cheguem a ti!" Mas não lhe tinham explicado mais.
Sim, o que seria isso de insecticida? Ali estava, em letras mais pretas: "Insecticida - substância que destrói, que mata insectos." Alto lá! A coisa era grave, devia ser grave para os insectos, pobrezinhos. E, no fim de contas, o que queria dizer "insecto"?
O mosquito era pouco versado em zoologia.
A bem dizer, este mosquito era pouco versado numa quantidade de disciplinas - Zoologia, Biologia, Mecânica, Cartografia, Geometria Descritiva, Estatística, Logística, Balística... E também não falava francês. Era um mosquito muito ignorante.
Como tal, não sabia o que queria dizer "insecto". Não estranhem.
Se perguntarem a uma mosca, aposto que ela também não sabe. Nem as aranhas. Nem as melgas. Nem as baratas. Todas muito incultas.
O mosquito, depois de ter encontrado "insecticida", foi procurar "insecto": animal in...ver...te...bra...do, de corpo ar...ticu...lado, provido de seis patas, que respira pela tra...
queia e sofre meta...morfoses. Meta... quê? Tanta palavra esquisita.
Primeiro: "invertebrado". Leu no dicionário: "que não tem vértebras". Pouco esclarecedor. E "vértebras"? O dicionário ensinava: "cada um dos ossos que constitui a coluna vertebral". Ossos? Isso não lhe dizia respeito. Ele não possuía ossos. Em contrapartida, tinha patas.
Precisamente seis, como esses tais insectos. Coincidência interessante.
Dar-se-ia o caso de...? Que grande novidade, se assim fosse! Leu outra vez: ... provido de seis patas, que respira pela traqueia...
Nisto, atrás dele um som "pff!", seguido dum cheiro desmoralizador.
O mosquito procurou afanosamente a palavra "traqueia", mas já não foi a tempo...
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