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Ilustração de abertura da história «Quem Vai Casar com a Princesa?».

19 de Abril

Quem Vai Casar com a Princesa?

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Lá para os lados da Malásia ou mais longe ainda, havia uma linda princesa, chamada Sita Devi. Como estava em idade de casar, o Rajá Masicó, seu pai, encomendou um grande banquete e convidou para a festa todos os rajás e príncipes, jovens, belos, amáveis e solteiros, das regiões vizinhas. Um de entre eles havia de ser o futuro marido da princesa.

O marajá Ravana, do reino de Langcapuri, embora fosse solteiro e reinasse numa ilha próxima, não chegou a ser convidado. Faltavam-lhe condições para pretender a mão da princesa. Não era jovem, não era belo e, principalmente, não era amável. Muito pelo contrário.

Ficou furioso o marajá Ravana de Langcapuri. Se não tinha sido convidado, fazia-se convidado. Também ia ao palácio, juntar-se aos pretendentes, ora pois.

Na fila dos candidatos estavam dois jovens príncipes, filhos de um marajá amigo do Rajá Masicó. Chamavam-se eles: Sri Bama e Lacsamana. Eram muito novos ainda, de forma que os outros pretendentes, de barba e bigode, faziam troça deles.

Estavam nesta chacota, quando um arauto anunciou a prova a que os príncipes e rajás iriam sujeitar-se, por vontade do Rajá Masicó. Os que fossem eliminados podiam ir-se embora, que nem ao banquete tinham direito. Assim mesmo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E em que consistia a prova?

– Cada pretendente – gritava o arauto – tem de disparar uma flecha através de um renque de quarenta palmeiras, situadas nos jardins do palácio de Sua Majestade Altíssima e Digníssima o Rajá Masicó, junto de quem os dragões rastejam, obedientes.

– Que tal está a história! – protestaram alguns dos príncipes. – A prova é difícil. Vamos desistir.

E desistiam, virando costas ao arauto.

Só ficaram os dois irmãos e o marajá Ravana, muito mal-encarado.

Foi o primeiro a disparar e falhou. Os seus gritos de raiva assustaram o Sol, que se escondeu atrás das nuvens. Passado um bocadinho, estava a chover. A prova teve de ser interrompida.

Um dos irmãos, o mais velho, indiferente ao aguaceiro, percorreu o renque das quarenta palmeiras e, lá para o fim, patinhando na lama, descobriu qualquer coisa, que veio, a correr, contar ao irmão mais novo:

– Duas palmeiras da fila têm as raízes assentes num dragão enorme, que de vez em quando se agita, debaixo da terra. Ora eu escavei um bocado na lama e descobri-lhe a cauda. Quando tu disparares o arco, eu prendo a cauda do dragão, para que ele se não mexa. Só assim conseguirás acertar no alvo.

Foi o que sucedeu. Glória ao príncipe Sri Bama, futuro marido da Sita Devi! O Sol espreitou atrás das nuvens e de novo surgiria em toda a sua grandeza, se o marajá Ravana não tivesse gritado e urrado rancorosos projectos de vingança. Escondeu-se, outra vez, o Sol e voltou a chover. Era um Sol muito assustadiço.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Por causa da chuva, que encharcou a mesa do banquete, a boda teve de ser adiada. Que pena!

Um dia, andavam os noivos a passear nas cercanias do palácio, quando, ambos ao mesmo tempo, tiveram sede. Como por encanto, brotaram a seus pés dois veios de água. Sim, era um encanto preparado pelo pérfido Ravana, que sabia das artes da feitiçaria.

Os dois enamorados beberam a água embruxada e ficaram transformados em macacos. Ravana, escondido no meio da folhagem, lançava grandes gargalhadas:

– Ah! Ah! Estes dois macaquinhos bravos só outro feitiço poderá desencantar. Teriam de ser atravessados por duas flechas, previamente mergulhadas em seiva de teca. Se tal sucedesse, deixavam de ser macacos e quem primeiro vos enfeitiçara é que ficava transformado em macaco, para sempre. Oh! Oh!

E ria-se muito o marajá Ravana, porque achava isso impossível.

No entanto, Lacsamana, irmão de Sri Bama, que, de longe, acompanhava os noivos, ouviu o que o odioso marajá dissera e correu em perseguição dos macaquinhos.

Foi difícil a caçada, porque os macaquinhos corriam e saltavam e guinchavam, como se nunca tivessem sido outra coisa na vida. Finalmente, Lacsamana conseguiu atingi-los com duas setas do seu arco. As flechas, impregnadas de seiva de teca, quebraram o encanto.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Nesse mesmo instante, Ravana chegava ao seu palácio. Ia, nesse preciso momento, ordenar aos guardas que lhe abrissem as portas, para o deixarem passar a ele, temido senhor de Langcapuri. Não chegou a dar as ordens. Um guincho cortou-lhe a fala. Estava transformado em macaco macacão. Os guardas atiraram-lhe pedras e gritaram:

– Vai-te daqui, macaco!

Lá longe, no palácio do Rajá Masicó, realizava-se no meio de grande pompa o casamento da princesa Sita Devi com o príncipe Sri Bama. Iam os dois muito bonitos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Lá para os lados da Malásia ou mais longe ainda, havia uma linda princesa, chamada Sita Devi. Como estava em idade de casar, o Rajá Masicó, seu pai, encomendou um grande banquete e convidou para a festa todos os rajás e príncipes, jovens, belos, amáveis e solteiros, das regiões vizinhas. Um de entre eles havia de ser o futuro marido da princesa.

O marajá Ravana, do reino de Langcapuri, embora fosse solteiro e reinasse numa ilha próxima, não chegou a ser convidado. Faltavam-lhe condições para pretender a mão da princesa. Não era jovem, não era belo e, principalmente, não era amável. Muito pelo contrário.

Ficou furioso o marajá Ravana de Langcapuri. Se não tinha sido convidado, fazia-se convidado. Também ia ao palácio, juntar-se aos pretendentes, ora pois.

Na fila dos candidatos estavam dois jovens príncipes, filhos de um marajá amigo do Rajá Masicó. Chamavam-se eles: Sri Bama e Lacsamana. Eram muito novos ainda, de forma que os outros pretendentes, de barba e bigode, faziam troça deles.

Estavam nesta chacota, quando um arauto anunciou a prova a que os príncipes e rajás iriam sujeitar-se, por vontade do Rajá Masicó. Os que fossem eliminados podiam ir-se embora, que nem ao banquete tinham direito. Assim mesmo.

E em que consistia a prova?

– Cada pretendente – gritava o arauto – tem de disparar uma flecha através de um renque de quarenta palmeiras, situadas nos jardins do palácio de Sua Majestade Altíssima e Digníssima o Rajá Masicó, junto de quem os dragões rastejam, obedientes.

– Que tal está a história! – protestaram alguns dos príncipes. – A prova é difícil. Vamos desistir.

E desistiam, virando costas ao arauto.

Só ficaram os dois irmãos e o marajá Ravana, muito mal-encarado.

Foi o primeiro a disparar e falhou. Os seus gritos de raiva assustaram o Sol, que se escondeu atrás das nuvens. Passado um bocadinho, estava a chover. A prova teve de ser interrompida.

Um dos irmãos, o mais velho, indiferente ao aguaceiro, percorreu o renque das quarenta palmeiras e, lá para o fim, patinhando na lama, descobriu qualquer coisa, que veio, a correr, contar ao irmão mais novo:

– Duas palmeiras da fila têm as raízes assentes num dragão enorme, que de vez em quando se agita, debaixo da terra. Ora eu escavei um bocado na lama e descobri-lhe a cauda. Quando tu disparares o arco, eu prendo a cauda do dragão, para que ele se não mexa. Só assim conseguirás acertar no alvo.

Foi o que sucedeu. Glória ao príncipe Sri Bama, futuro marido da Sita Devi! O Sol espreitou atrás das nuvens e de novo surgiria em toda a sua grandeza, se o marajá Ravana não tivesse gritado e urrado rancorosos projectos de vingança. Escondeu-se, outra vez, o Sol e voltou a chover. Era um Sol muito assustadiço.

Por causa da chuva, que encharcou a mesa do banquete, a boda teve de ser adiada. Que pena!

Um dia, andavam os noivos a passear nas cercanias do palácio, quando, ambos ao mesmo tempo, tiveram sede. Como por encanto, brotaram a seus pés dois veios de água. Sim, era um encanto preparado pelo pérfido Ravana, que sabia das artes da feitiçaria.

Os dois enamorados beberam a água embruxada e ficaram transformados em macacos. Ravana, escondido no meio da folhagem, lançava grandes gargalhadas:

– Ah! Ah! Estes dois macaquinhos bravos só outro feitiço poderá desencantar. Teriam de ser atravessados por duas flechas, previamente mergulhadas em seiva de teca. Se tal sucedesse, deixavam de ser macacos e quem primeiro vos enfeitiçara é que ficava transformado em macaco, para sempre. Oh! Oh!

E ria-se muito o marajá Ravana, porque achava isso impossível.

No entanto, Lacsamana, irmão de Sri Bama, que, de longe, acompanhava os noivos, ouviu o que o odioso marajá dissera e correu em perseguição dos macaquinhos.

Foi difícil a caçada, porque os macaquinhos corriam e saltavam e guinchavam, como se nunca tivessem sido outra coisa na vida. Finalmente, Lacsamana conseguiu atingi-los com duas setas do seu arco. As flechas, impregnadas de seiva de teca, quebraram o encanto.

Nesse mesmo instante, Ravana chegava ao seu palácio. Ia, nesse preciso momento, ordenar aos guardas que lhe abrissem as portas, para o deixarem passar a ele, temido senhor de Langcapuri. Não chegou a dar as ordens. Um guincho cortou-lhe a fala. Estava transformado em macaco macacão. Os guardas atiraram-lhe pedras e gritaram:

– Vai-te daqui, macaco!

Lá longe, no palácio do Rajá Masicó, realizava-se no meio de grande pompa o casamento da princesa Sita Devi com o príncipe Sri Bama. Iam os dois muito bonitos.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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