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Ilustração de abertura da história «Manuel e os Pássaros».

18 de Abril

Manuel e os Pássaros

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

No tempo em que os meninos trabalhavam de criados, havia uma patroa muito má que tomara a seu serviço um rapazinho, o Manuel, a quem dava ordens por tudo e por nada, qual delas a mais disparatada.

No quintal, a senhora dona tinha uma figueira que, nesse ano, dera um único figo. Pois não é que a maluca da mulher exigiu ao Manuel que estivesse todo o tempo de atalaia, não se desse o caso de os pássaros cobiçarem o figuinho?

– Quero comê-lo, quando estiver maduro. Ai de ti, se deixares os melros roubarem-no.

Bem os afugentava o garoto, mas os passarocos de bico cor de laranja são teimosos. E gulosos... Às duas por três, adeus figuinho.

– Maldito miúdo. Vais pagar-mas – gritou a megera.

E meteu-o de castigo numa pipa vazia, às escuras. Sorte para o Manuel que os melros tivessem sabido. Logo convocaram os pica-paus e outros passarinhos de bico duro. Todos juntos, toc toc toc, libertaram o Manelinho.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Depois, uma águia, que também tinha sido chamada para ajudar, levantou o rapazinho nos ares.

A patroa viu-os e foi buscar uma caçadeira, mas já não chegou a tempo. Era mesmo má a criatura.

A águia sobrevoou montes, campos, pinhais, aldeias, como se andasse à procura não se sabe de quê, até que poisou o Manuel num quintal, onde havia uma figueira. Depois, bateu as asas e desapareceu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O rapaz, ainda meio tonto, viu a figueira e nela um único figo lampo. "Que desgraça a minha. Vai voltar tudo ao princípio", pensou o Manuel.

De dentro da casa, donde era o quintal, apareceu uma velhota. O miúdo encolheu-se e pensou: "Estou mesmo com azar. Esta há-de ser ainda mais torta do que a outra".

– Como te chamas? – perguntou a velha.

– Manuel, para a servir.

– Para me servires? – riu-se a velha, num riso desdentado. – Eu nunca tive criados, mas querendo, podes ficar a cuidar-me da horta. Queres?

– Sim, minha senhora.

– Estamos acertados. E, olha, enquanto te preparo umas sopas, lambe-te com aquele figuinho único que a figueira me deu.

– A senhora não o quer para si?

A velhota fez uma careta.

– Não me dou bem com figos e tu puseste-te a olhar para ele como nunca vi ninguém olhar para um figo. Deve ser da fome que trazes.

O Manuel chamou a si o figo e pronto. Enquanto saboreava o figo e a velhinha, enternecida, sorria para ele, o Manuel pensou: "Valera a pena conhecer as alturas, porque a águia sabia onde me deixava."

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Também estamos em crer que sim. As águias, lá de cima, vêem muito, olá se vêem.

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

No tempo em que os meninos trabalhavam de criados, havia uma patroa muito má que tomara a seu serviço um rapazinho, o Manuel, a quem dava ordens por tudo e por nada, qual delas a mais disparatada.

No quintal, a senhora dona tinha uma figueira que, nesse ano, dera um único figo. Pois não é que a maluca da mulher exigiu ao Manuel que estivesse todo o tempo de atalaia, não se desse o caso de os pássaros cobiçarem o figuinho?

– Quero comê-lo, quando estiver maduro. Ai de ti, se deixares os melros roubarem-no.

Bem os afugentava o garoto, mas os passarocos de bico cor de laranja são teimosos. E gulosos... Às duas por três, adeus figuinho.

– Maldito miúdo. Vais pagar-mas – gritou a megera.

E meteu-o de castigo numa pipa vazia, às escuras. Sorte para o Manuel que os melros tivessem sabido. Logo convocaram os pica-paus e outros passarinhos de bico duro. Todos juntos, toc toc toc, libertaram o Manelinho.

Depois, uma águia, que também tinha sido chamada para ajudar, levantou o rapazinho nos ares.

A patroa viu-os e foi buscar uma caçadeira, mas já não chegou a tempo. Era mesmo má a criatura.

A águia sobrevoou montes, campos, pinhais, aldeias, como se andasse à procura não se sabe de quê, até que poisou o Manuel num quintal, onde havia uma figueira. Depois, bateu as asas e desapareceu.

O rapaz, ainda meio tonto, viu a figueira e nela um único figo lampo. "Que desgraça a minha. Vai voltar tudo ao princípio", pensou o Manuel.

De dentro da casa, donde era o quintal, apareceu uma velhota. O miúdo encolheu-se e pensou: "Estou mesmo com azar. Esta há-de ser ainda mais torta do que a outra".

– Como te chamas? – perguntou a velha.

– Manuel, para a servir.

– Para me servires? – riu-se a velha, num riso desdentado. – Eu nunca tive criados, mas querendo, podes ficar a cuidar-me da horta. Queres?

– Sim, minha senhora.

– Estamos acertados. E, olha, enquanto te preparo umas sopas, lambe-te com aquele figuinho único que a figueira me deu.

– A senhora não o quer para si?

A velhota fez uma careta.

– Não me dou bem com figos e tu puseste-te a olhar para ele como nunca vi ninguém olhar para um figo. Deve ser da fome que trazes.

O Manuel chamou a si o figo e pronto. Enquanto saboreava o figo e a velhinha, enternecida, sorria para ele, o Manuel pensou: "Valera a pena conhecer as alturas, porque a águia sabia onde me deixava."

Também estamos em crer que sim. As águias, lá de cima, vêem muito, olá se vêem.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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