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Ilustração de abertura da história «Conselhos de Mocho Não Chegam ao Chão».

17 de Abril

Conselhos de Mocho Não Chegam ao Chão

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Uma vez o coelho e o rato encontraram-se.

– Tu tens os dentes da frente um bocado saídos – observou o rato para o coelho.

– Mas tu ainda tens mais – respondeu-lhe o coelho e deu uma corrida e foi-se embora.

O rato ficou sozinho, mas por pouco tempo. Apareceu ao pé dele uma lagartixa:

– Tu tens a cauda muito comprida – observou o rato para a lagartixa.

– Mas tu ainda tens mais – respondeu-lhe a lagartixa e deu meia volta e desapareceu.

O rato ficou outra vez sozinho, mas por pouco tempo. Apareceu ao pé dele uma rã.

– Tu és muito pequena e insignificante – observou o rato para a rã.

– Mas tu ainda és mais – respondeu-lhe a rã e deu um salto e fugiu.

O rato ficou, mais uma vez, sozinho. Que tempos!

Deu um suspiro e pensou:

– Ninguém se chega a mim. Não consigo fazer amigos. Porque será?

Como o rato pensava em voz alta, o mocho, que estava empoleirado numa árvore perto e a tudo tinha assistido, respondeu-lhe:

– Não fazes amigos, porque não olhas a bem para eles. Tenta proceder de outra maneira e verás os resultados.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O rato fechou os olhos e pensou:

– Quando encontrar o coelho vou dizer-lhe que gostava de ter as orelhas tão compridas como as dele.

Como pensava em voz alta, o mocho ouviu tudo e agitou-se, no seu poleiro. Estava nervoso e com vontade de intervir, mas o rato continuava:

– E quando encontrar a lagartixa vou dizer-lhe que gostava de arrastar a barriga pelo chão como ela arrasta.

Mais uma vez o mocho se enervou e ia falar, mas o rato prosseguia os seus pensamentos:

– Quando encontrar a rã vou dizer-lhe que gostava de ter a pele escorregadiça e fria como a dela.

O mocho não podia aguentar mais disparates e indignou-se:

– És tolo, duas vezes tolo, rato! Há elogios que matam. Não podes valorizar o que os teus amigos consideram defeitos. Vê se te emendas ou nunca encontrarás quem goste de andar contigo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O rato virou-se para ele e apreciou-o em silêncio. Depois, pensou em voz alta:

– O senhor mocho dá conselhos com muito acerto, apesar de ser tão feio.

Dito isto, foi-se embora.

Ficou o mocho a pensar, também em voz alta:

– Este rato não tem emenda. Se em vez de ter estado a aturá-lo o tivesse comido, eu tinha feito melhor. E tinha prestado um grande serviço ao resto da bicharada, porque este rato por onde passar só vai causar aborrecimentos. Eu é que fui parvo em poupá-lo, em vez de papá-lo.

E se os mochos gostam de ratos! Mas desta feita o jantar já ia longe.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Uma vez o coelho e o rato encontraram-se.

– Tu tens os dentes da frente um bocado saídos – observou o rato para o coelho.

– Mas tu ainda tens mais – respondeu-lhe o coelho e deu uma corrida e foi-se embora.

O rato ficou sozinho, mas por pouco tempo. Apareceu ao pé dele uma lagartixa:

– Tu tens a cauda muito comprida – observou o rato para a lagartixa.

– Mas tu ainda tens mais – respondeu-lhe a lagartixa e deu meia volta e desapareceu.

O rato ficou outra vez sozinho, mas por pouco tempo. Apareceu ao pé dele uma rã.

– Tu és muito pequena e insignificante – observou o rato para a rã.

– Mas tu ainda és mais – respondeu-lhe a rã e deu um salto e fugiu.

O rato ficou, mais uma vez, sozinho. Que tempos!

Deu um suspiro e pensou:

– Ninguém se chega a mim. Não consigo fazer amigos. Porque será?

Como o rato pensava em voz alta, o mocho, que estava empoleirado numa árvore perto e a tudo tinha assistido, respondeu-lhe:

– Não fazes amigos, porque não olhas a bem para eles. Tenta proceder de outra maneira e verás os resultados.

O rato fechou os olhos e pensou:

– Quando encontrar o coelho vou dizer-lhe que gostava de ter as orelhas tão compridas como as dele.

Como pensava em voz alta, o mocho ouviu tudo e agitou-se, no seu poleiro. Estava nervoso e com vontade de intervir, mas o rato continuava:

– E quando encontrar a lagartixa vou dizer-lhe que gostava de arrastar a barriga pelo chão como ela arrasta.

Mais uma vez o mocho se enervou e ia falar, mas o rato prosseguia os seus pensamentos:

– Quando encontrar a rã vou dizer-lhe que gostava de ter a pele escorregadiça e fria como a dela.

O mocho não podia aguentar mais disparates e indignou-se:

– És tolo, duas vezes tolo, rato! Há elogios que matam. Não podes valorizar o que os teus amigos consideram defeitos. Vê se te emendas ou nunca encontrarás quem goste de andar contigo.

O rato virou-se para ele e apreciou-o em silêncio. Depois, pensou em voz alta:

– O senhor mocho dá conselhos com muito acerto, apesar de ser tão feio.

Dito isto, foi-se embora.

Ficou o mocho a pensar, também em voz alta:

– Este rato não tem emenda. Se em vez de ter estado a aturá-lo o tivesse comido, eu tinha feito melhor. E tinha prestado um grande serviço ao resto da bicharada, porque este rato por onde passar só vai causar aborrecimentos. Eu é que fui parvo em poupá-lo, em vez de papá-lo.

E se os mochos gostam de ratos! Mas desta feita o jantar já ia longe.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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