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Ilustração de abertura da história «A cor dos gatos».

6 de Abril

A cor dos gatos

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Fui há dias dar um passeio pelo campo e até me perdi. Eu gosto muito de perder-me, principalmente porque sei que, mais tarde os mais cedo, acabo sempre por encontrar-me.

Quem se perde, sempre alcança. Ou não é assim o provérbio? Quem se perde por gosto, não se cansa. Será este? Também não me soa bem...

Mas já estou a desviar-me. Fui ao campo e, no meio do mato, o que é que eu encontrei? Um gato, que rima com mato. Um gato todo verde - verde-claro, verde-alface. Um gatinho.

Não acreditam? A mim, a princípio, também me custou a acreditar. Fui atrás dele e assim cheguei a uma clareira, com uma espécie de casinha de bonecas no meio.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

À janela estava uma velhota com um gato branco ao colo.

- Minha senhora, desculpe incomodá-la - disse eu -, mas há pouco vi um gato verde, verde-clarinho... Será possível?

- Pois claro que é - respondeu-me a velha ou, para sermos mais delicados, respondeu-me a senhora de idade. - A mãe é esta gata branca, que aqui vê ao meu colo.

- E o pai?

- O pai é um gato verde-escuro, que por aí anda. Está-se mesmo a ver: branco com verde-escuro não pode ser encarnado...

- Pois não - concordei eu. - Mas um gato verde-escuro não lhe parece esquisito?

- O senhor deve ter a mania das complicações - disse-me a velha, isto é, a senhora de idade, já um bocado arreliada. - A cor dele é verde-escura, porque a mãe era uma gata amarela e o pai um gato azul. Onde está a admiração?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- A admiração?! Não sei onde está - balbuciei eu. - Naturalmente também se perdeu.

Sem mais achar que dizer, despedi-me da senhora de idade e, pé ante pé, virei as costas àquela casa no meio do mato. Demorei que tempos até encontrar-me. Estava um bocado azamboado . E ainda estou. Nota-se?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para A cor dos gatos
Ilustração original recuperada

Fui há dias dar um passeio pelo campo e até me perdi. Eu gosto muito de perder-me, principalmente porque sei que, mais tarde os mais cedo, acabo sempre por encontrar-me.

Quem se perde, sempre alcança. Ou não é assim o provérbio? Quem se perde por gosto, não se cansa. Será este? Também não me soa bem...

Mas já estou a desviar-me. Fui ao campo e, no meio do mato, o que é que eu encontrei? Um gato, que rima com mato. Um gato todo verde - verde-claro, verde-alface. Um gatinho.

Não acreditam? A mim, a princípio, também me custou a acreditar. Fui atrás dele e assim cheguei a uma clareira, com uma espécie de casinha de bonecas no meio.

À janela estava uma velhota com um gato branco ao colo.

- Minha senhora, desculpe incomodá-la - disse eu -, mas há pouco vi um gato verde, verde-clarinho... Será possível?

- Pois claro que é - respondeu-me a velha ou, para sermos mais delicados, respondeu-me a senhora de idade. - A mãe é esta gata branca, que aqui vê ao meu colo.

- E o pai?

- O pai é um gato verde-escuro, que por aí anda. Está-se mesmo a ver: branco com verde-escuro não pode ser encarnado...

- Pois não - concordei eu. - Mas um gato verde-escuro não lhe parece esquisito?

- O senhor deve ter a mania das complicações - disse-me a velha, isto é, a senhora de idade, já um bocado arreliada. - A cor dele é verde-escura, porque a mãe era uma gata amarela e o pai um gato azul. Onde está a admiração?

- A admiração?! Não sei onde está - balbuciei eu. - Naturalmente também se perdeu.

Sem mais achar que dizer, despedi-me da senhora de idade e, pé ante pé, virei as costas àquela casa no meio do mato. Demorei que tempos até encontrar-me. Estava um bocado azamboado . E ainda estou. Nota-se?

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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