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Ilustração de abertura da história «Exposição de Flores».

25 de Março

Exposição de Flores

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Aqui perto, houve uma exposição de flores. De flores naturais, fiquem sabendo Nem fazia sentido que a exposição fosse de flores de plástico. Ou de pano. Ou de papel. Ou de flores pintadas em quadros.

As flores, em qualquer jardim, estão sempre em exposição.

– Admirem as nossas cores – dizem as rosas.

– Apreciem o vigor do nosso caule e a elegância da nossa corola – dizem os jarros, a que os brasileiros chamam "copos de leite". Porque será?

– Extasiem-se com a delicada pintura das nossas pétalas – dizem os amores-perfeitos.

As flores de jardim são umas vaidosas. Na exposição, dispostas em jarros ou em vasos, encantavam quem por elas passava.

À entrada, mas do lado de fora do festival das flores, uma papoila chama-me a atenção.

– Não me deixaram entrar – queixou-se ela. – Dizem que a exposição é só para flores cultivadas. Acho uma injustiça.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Também achei o mesmo. Por isso, para repor a justiça e homenagear as flores do campo, que têm tanto de humildade como de beleza, peguei na papoila e prendi-a na lapela. Depois, entrei na exposição como se trouxesse ao peito uma condecoração de fazer inveja a generais.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Houve escândalo entre as flores a concurso.

– O que é que esta paspalhona provinciana tem de estar aqui a exibir-se? – perguntavam umas às outras.

Mas os visitantes da exposição olhavam para nós – para a papoila e para mim – e sorriam.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A minha papoila, muito ruborizada, sentia-se a rainha da festa. Nunca concentrara sobre ela tantos olhares, tanta atenção, tanta simpatia. Era emoção demais para uma papoila tão frágil. Antes que eu chegasse ao fim da exposição as pétalas da minha papoila voaram. Para onde? Não importa. Aquele tinha sido o momento mais glorioso da sua curta vida.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Aqui perto, houve uma exposição de flores. De flores naturais, fiquem sabendo Nem fazia sentido que a exposição fosse de flores de plástico. Ou de pano. Ou de papel. Ou de flores pintadas em quadros.

As flores, em qualquer jardim, estão sempre em exposição.

– Admirem as nossas cores – dizem as rosas.

– Apreciem o vigor do nosso caule e a elegância da nossa corola – dizem os jarros, a que os brasileiros chamam "copos de leite". Porque será?

– Extasiem-se com a delicada pintura das nossas pétalas – dizem os amores-perfeitos.

As flores de jardim são umas vaidosas. Na exposição, dispostas em jarros ou em vasos, encantavam quem por elas passava.

À entrada, mas do lado de fora do festival das flores, uma papoila chama-me a atenção.

– Não me deixaram entrar – queixou-se ela. – Dizem que a exposição é só para flores cultivadas. Acho uma injustiça.

Também achei o mesmo. Por isso, para repor a justiça e homenagear as flores do campo, que têm tanto de humildade como de beleza, peguei na papoila e prendi-a na lapela. Depois, entrei na exposição como se trouxesse ao peito uma condecoração de fazer inveja a generais.

Houve escândalo entre as flores a concurso.

– O que é que esta paspalhona provinciana tem de estar aqui a exibir-se? – perguntavam umas às outras.

Mas os visitantes da exposição olhavam para nós – para a papoila e para mim – e sorriam.

A minha papoila, muito ruborizada, sentia-se a rainha da festa. Nunca concentrara sobre ela tantos olhares, tanta atenção, tanta simpatia. Era emoção demais para uma papoila tão frágil. Antes que eu chegasse ao fim da exposição as pétalas da minha papoila voaram. Para onde? Não importa. Aquele tinha sido o momento mais glorioso da sua curta vida.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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