• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «O Papagaio bem ensinado».

2 de Março

O Papagaio bem ensinado

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era um papagaio muito bem ensinado. Tinha poiso à porta de uma mercearia. De uma vez que o merceeiro estava lá para dentro, um freguês, por pirraça , ensinou o papagaio a dizer: "Está tudo podre".

E o papagaio, de aí em diante, não disse outra coisa. O anúncio, lançado aos quatro ventos, afastava a clientela.

Mal chegava alguém ao balcão da mercearia, o papagaio avisava:

- Está tudo podre.

Ficava furioso o merceeiro:

- Este papagaio leva-me à ruína - dizia o merceeiro. - Tenho de dá-lo.

E assim fez. Deu-o a um barbeiro.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Por sinal, o tal malandrote, que convencera o papagaio a dizer "Está tudo podre", também frequentava a barbearia. À socapa , ensinou-o a dizer: "Corta-lhe a orelha".

O papagaio passou a repetir. Por tudo e por nada, assim que o cliente se sentava na cadeira, o papagaio pedia:

- Corta-lhe a orelha.

Isto enervava o barbeiro e enervada o barbeado.

- Tenho de ver-me livre deste animal - disse o barbeiro.

E atirou-o pela janela. Mas o papagaio, que não estava habituado à liberdade, voltou a poisar no parapeito.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Isto uma, duas, três vezes, até que o barbeiro, já exasperado com a teima do passaroco, foi buscar uma caçadeira e deu uns tiros para o ar, só para afugentá-lo, enquanto gritava:

- Rua! Rua!

O papagaio esvoaçou, a princípio atarantado, mas depressa ganhou altura e voou feliz. Passado muito tempo, foi ter a um armazém em ruínas.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Cansado da viagem, acolheu-se a um recanto protegido e adormeceu.

Ora o armazém era frequentado, à noite, por duas quadrilhas de contrabandistas e ladrões, que aí faziam as suas trocas e baldrocas.

Estavam os membros das duas quadrilhas a descarregar e a carregar fardos, quando o papagaio, acordado com o barulho, soltou o aviso, ainda trazido do sonho e das suas recordações:

- Está tudo podre.

- Quem é que disse que está tudo podre? - perguntou o chefe de um dos bandos.

Nisto, ouviu-se uma voz a gritar:

- Corta-lhe a orelha.

Pior ainda. Armou-se uma zaragata entre os dois grupos, em que ninguém ficou de fora.

Então, o papagaio, assustado, lembrou-se dos tiros da caçadeira com que o último dono o afugentara.

Deu-lhe para reproduzi-los, enquanto imitava também a voz do barbeiro:

- Rua! Rua!

Os bandidos, assim que ouviram os disparos, saltaram de medo, supondo que era a polícia. Fugiram todos, rua fora, largando tudo.

O papagaio bem ensinado acertara, ao menos uma vez, no que dizia.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para O Papagaio bem ensinado
Ilustração original recuperada

Era um papagaio muito bem ensinado. Tinha poiso à porta de uma mercearia. De uma vez que o merceeiro estava lá para dentro, um freguês, por pirraça , ensinou o papagaio a dizer: "Está tudo podre".

E o papagaio, de aí em diante, não disse outra coisa. O anúncio, lançado aos quatro ventos, afastava a clientela.

Mal chegava alguém ao balcão da mercearia, o papagaio avisava:

- Está tudo podre.

Ficava furioso o merceeiro:

- Este papagaio leva-me à ruína - dizia o merceeiro. - Tenho de dá-lo.

E assim fez. Deu-o a um barbeiro.

Por sinal, o tal malandrote, que convencera o papagaio a dizer "Está tudo podre", também frequentava a barbearia. À socapa , ensinou-o a dizer: "Corta-lhe a orelha".

O papagaio passou a repetir. Por tudo e por nada, assim que o cliente se sentava na cadeira, o papagaio pedia:

- Corta-lhe a orelha.

Isto enervava o barbeiro e enervada o barbeado.

- Tenho de ver-me livre deste animal - disse o barbeiro.

E atirou-o pela janela. Mas o papagaio, que não estava habituado à liberdade, voltou a poisar no parapeito.

Isto uma, duas, três vezes, até que o barbeiro, já exasperado com a teima do passaroco, foi buscar uma caçadeira e deu uns tiros para o ar, só para afugentá-lo, enquanto gritava:

- Rua! Rua!

O papagaio esvoaçou, a princípio atarantado, mas depressa ganhou altura e voou feliz. Passado muito tempo, foi ter a um armazém em ruínas.

Cansado da viagem, acolheu-se a um recanto protegido e adormeceu.

Ora o armazém era frequentado, à noite, por duas quadrilhas de contrabandistas e ladrões, que aí faziam as suas trocas e baldrocas.

Estavam os membros das duas quadrilhas a descarregar e a carregar fardos, quando o papagaio, acordado com o barulho, soltou o aviso, ainda trazido do sonho e das suas recordações:

- Está tudo podre.

- Quem é que disse que está tudo podre? - perguntou o chefe de um dos bandos.

Nisto, ouviu-se uma voz a gritar:

- Corta-lhe a orelha.

Pior ainda. Armou-se uma zaragata entre os dois grupos, em que ninguém ficou de fora.

Então, o papagaio, assustado, lembrou-se dos tiros da caçadeira com que o último dono o afugentara.

Deu-lhe para reproduzi-los, enquanto imitava também a voz do barbeiro:

- Rua! Rua!

Os bandidos, assim que ouviram os disparos, saltaram de medo, supondo que era a polícia. Fugiram todos, rua fora, largando tudo.

O papagaio bem ensinado acertara, ao menos uma vez, no que dizia.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Palavras da história

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Abrir PDF recuperado