• Texto original recuperado
  • Ilustração original recuperada
  • PDF recuperado
  • Áudio original em Flash
  • Narração sintetizada
Ilustração de abertura da história «Não sou capaz».

28 de Fevereiro

Não sou capaz

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

A águia de penugem branca ainda não tinha saído do ninho. Via o pai e a mãe, num voo alto, rente às nuvens, e pensava: "Nunca vou ser capaz".

O pai e a mãe traziam-lhe comida no bico. A aguiazinha devorava os petiscos, gulosa.

- Não engulas tudo de uma vez, que ainda te engasgas - recomendava-lhe a mãe.

Mas a aguiazinha não queria saber.

Tinha fome, muita fome, uma fome insaciável, que ela não sabia controlar. Algumas penas de brancas passavam a cinzentas. O corpo ganhava elegância. As asas cresciam.

Os pais iam e vinham, num voo planado, que era a admiração da filha. "Nunca vou ser capaz de fazer o mesmo", pensava.

- Amanhã começas a aprender a voar - disse-lhe o pai.

Mas, nesse dia, choveu e a lição foi adiada. Os pais é que não desistiram de caçar. Deixaram-na só, no quente do ninho.

Estava ela aconchegada e contente pelo adiamento da lição, quando sentiu um roçar de perigo, nos ramos perto. Era uma serpente, que se desenroscava por um tronco, em direcção a ela.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A aguiazinha piou, aterrorizada. Eriçaram-se-lhe as penas. Bateu as asas, para afugentar a intrusa de língua silvante. A serpente continuava a deslizar para ela, segura da presa. Ia armar o último salto. Ia destroçá-la. Ia comê-la.

Bateu a águia as asas com mais força e suspendeu-se no ar. Num impulso de pânico, largou o ninho. Ia cair. Não caiu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Soltou-se no ar, a curta distância da árvore que abrigara o ninho. Sentiu uma tontura. Agarrou as patas a um ramo, mas o ramo cedeu. Agitou as asas com mais força e elevou-se nos ares. Tudo aquilo lhe parecia impossível. Ela voava.

Quando os pais regressaram, a aguiazinha, de asas distendidas, como se quisesse abarcar o céu num grande abraço, voou, feliz, ao seu encontro.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

A águia de penugem branca ainda não tinha saído do ninho. Via o pai e a mãe, num voo alto, rente às nuvens, e pensava: "Nunca vou ser capaz".

O pai e a mãe traziam-lhe comida no bico. A aguiazinha devorava os petiscos, gulosa.

- Não engulas tudo de uma vez, que ainda te engasgas - recomendava-lhe a mãe.

Mas a aguiazinha não queria saber.

Tinha fome, muita fome, uma fome insaciável, que ela não sabia controlar. Algumas penas de brancas passavam a cinzentas. O corpo ganhava elegância. As asas cresciam.

Os pais iam e vinham, num voo planado, que era a admiração da filha. "Nunca vou ser capaz de fazer o mesmo", pensava.

- Amanhã começas a aprender a voar - disse-lhe o pai.

Mas, nesse dia, choveu e a lição foi adiada. Os pais é que não desistiram de caçar. Deixaram-na só, no quente do ninho.

Estava ela aconchegada e contente pelo adiamento da lição, quando sentiu um roçar de perigo, nos ramos perto. Era uma serpente, que se desenroscava por um tronco, em direcção a ela.

A aguiazinha piou, aterrorizada. Eriçaram-se-lhe as penas. Bateu as asas, para afugentar a intrusa de língua silvante. A serpente continuava a deslizar para ela, segura da presa. Ia armar o último salto. Ia destroçá-la. Ia comê-la.

Bateu a águia as asas com mais força e suspendeu-se no ar. Num impulso de pânico, largou o ninho. Ia cair. Não caiu.

Soltou-se no ar, a curta distância da árvore que abrigara o ninho. Sentiu uma tontura. Agarrou as patas a um ramo, mas o ramo cedeu. Agitou as asas com mais força e elevou-se nos ares. Tudo aquilo lhe parecia impossível. Ela voava.

Quando os pais regressaram, a aguiazinha, de asas distendidas, como se quisesse abarcar o céu num grande abraço, voou, feliz, ao seu encontro.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

Voltar ao texto

Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

Página original arquivada
Ver no arquivo
PDF original
Abrir PDF recuperado