24 de Fevereiro
O Espelhinho
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Naquela terra não havia espelhos. Nem nunca tinha havido.
Era uma aldeia longe de tudo, onde nada chegava. Nem espelhos.
Uma vez, o senhor Chamisso, lá da aldeia, foi à cidade. Ih, que assombro! Ruas, carros, gente com pressa, casas altas de pasmar…
Atarantado, o senhor Chamisso o que queria era voltar para a sua aldeia. Ia a passar por uma loja e viu, na montra, um espelho.
– Olha o retrato do meu pai – exclamou.
O pai do senhor Chamisso tinha morrido há anos e não era de estranhar que o filho estivesse parecido com ele.
Entrou na loja e comprou o espelho. Depois, com o espelho embrulhado debaixo do braço, voltou para a aldeia.
Chegou já era noite.
Na manhã seguinte, quando acordou, virou-se para a mulher, ainda meio estremunhada, e disse-lhe:
– Calcula o que eu encontrei, na cidade. Nem mais nem menos do que o retrato do meu pai. Vai tu ver, que o deixei embrulhado, na cozinha.
A mulher calçou os chinelos e, ainda desgrenhada e mal pronta, foi ver. Quando desembrulhou o espelho, indignou-se:
– Ai que mentiroso que é o meu marido. A dizer que tinha trazido o retrato do pai, quando o que trouxe para casa foi o retrato de uma marafona, com cara de porca.
E foi fazer queixa à mãe.
– Só queria que a mãe visse a feiosa que ela é, toda mal pronta e esguedelhada. Uma pouca-vergonha de uma mulher!
– Deixa estar, filha, que eu vou ver e, se for como tu dizes, a gente dá uma desanda no teu marido.
A mãe foi espreitar o espelho.
– Ai que velha avantesma! – gritou.
Com o susto, largou o espelhinho, que caiu no chão e se partiu em mil bocados.
Pois foi assim tal e qual. Naquela família continuaram a não saber o que era um espelho… Melhor para eles…
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Naquela terra não havia espelhos. Nem nunca tinha havido.
Era uma aldeia longe de tudo, onde nada chegava. Nem espelhos.
Uma vez, o senhor Chamisso, lá da aldeia, foi à cidade. Ih, que assombro! Ruas, carros, gente com pressa, casas altas de pasmar…
Atarantado, o senhor Chamisso o que queria era voltar para a sua aldeia. Ia a passar por uma loja e viu, na montra, um espelho.
– Olha o retrato do meu pai – exclamou.
O pai do senhor Chamisso tinha morrido há anos e não era de estranhar que o filho estivesse parecido com ele.
Entrou na loja e comprou o espelho. Depois, com o espelho embrulhado debaixo do braço, voltou para a aldeia.
Chegou já era noite.
Na manhã seguinte, quando acordou, virou-se para a mulher, ainda meio estremunhada, e disse-lhe:
– Calcula o que eu encontrei, na cidade. Nem mais nem menos do que o retrato do meu pai. Vai tu ver, que o deixei embrulhado, na cozinha.
A mulher calçou os chinelos e, ainda desgrenhada e mal pronta, foi ver. Quando desembrulhou o espelho, indignou-se:
– Ai que mentiroso que é o meu marido. A dizer que tinha trazido o retrato do pai, quando o que trouxe para casa foi o retrato de uma marafona, com cara de porca.
E foi fazer queixa à mãe.
– Só queria que a mãe visse a feiosa que ela é, toda mal pronta e esguedelhada. Uma pouca-vergonha de uma mulher!
– Deixa estar, filha, que eu vou ver e, se for como tu dizes, a gente dá uma desanda no teu marido.
A mãe foi espreitar o espelho.
– Ai que velha avantesma! – gritou.
Com o susto, largou o espelhinho, que caiu no chão e se partiu em mil bocados.
Pois foi assim tal e qual. Naquela família continuaram a não saber o que era um espelho… Melhor para eles…
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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