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Ilustração de abertura da história «O elefante Bumbo».

20 de Fevereiro

O elefante Bumbo

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

No Circo Maravilhas ou mesmo fora do Circo Maravilhas, o elefante era o mais abelhudo. Em tudo metia o nariz. Não havia cantinho escondido, panela tapada, caixa voltada, que o elefante Bumbo não investigasse, metendo delicadamente a ponta da tromba no objecto da sua curiosidade.

O domador Cola-tudo muito se afligia com a teima do seu elefante preferido e bastas vezes o ameaçara:

- Se tu não te emendas, ponho-te um açaime .

Ele dizia isto muito a sério, mas no fundo não acreditava que fosse possível arranjar um açaime onde coubesse a tromba, mesmo enrolada, do elefante Bumbo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E, o que é mais grave, o elefante também não acreditava.

Pois sucedeu, de uma vez em que o Circo Maravilhas ia de viagem, o caso que vamos contar. O Bumbo fechava a caravana. Se fosse à frente, empatava o caminho com as suas tardanças e coscuvilhices , por coisas que não valiam meio real.

Assim, ia atrás de todos e livremente se demorava a meter a tromba pela ramagem folhuda de uma árvore ou a estendê-la até alguma toca abandonada de coelho. Se a caravana se distanciava muito, o Bumbo dava uma corrida que estremecia o caminho e voltava para junto dos seus companheiros de jornada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Num campo murado, viu umas caixas cilíndricas de cortiça com um buraquinho na base, por onde entravam e saíam uns insectos de asas rápidas, que zumbiam numa grande ânsia de trabalho. Intrigante...

Ver não bastava ao elefante Bumbo. Cheirar o que se passava no interior dos cortiços, isso sim, valia a pena.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Alongou a tromba, apontou-a à entrada e enfiou-a afoitamente num desse esquisitos objectos de cortiça.

Nem teve tempo de cheirar o mel lá guardado, porque uma legião de abelhas-guerreiras cravou as lanças dos seus ferrões aguçados na tromba do intrometido.

- Ui, que comichão! - protestou o elefante, encolhendo a tromba.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Depois da comichão, veio a dor.

- Ai! Ui! - bramia ele.

O domador Cola-tudo, que, lá da frente do caminho, acudiu aos seus lamentos, comentou:

- As abelhas não gostam de elefantes abelhudos, fica sabendo!

- Nem os elefantes abelhudos gostam de abelhas aguçadas - dizia o elefante Bumbo, muito dorido.

E, enquanto andou com a tromba inchada, não a meteu onde não devia.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

No Circo Maravilhas ou mesmo fora do Circo Maravilhas, o elefante era o mais abelhudo. Em tudo metia o nariz. Não havia cantinho escondido, panela tapada, caixa voltada, que o elefante Bumbo não investigasse, metendo delicadamente a ponta da tromba no objecto da sua curiosidade.

O domador Cola-tudo muito se afligia com a teima do seu elefante preferido e bastas vezes o ameaçara:

- Se tu não te emendas, ponho-te um açaime .

Ele dizia isto muito a sério, mas no fundo não acreditava que fosse possível arranjar um açaime onde coubesse a tromba, mesmo enrolada, do elefante Bumbo.

E, o que é mais grave, o elefante também não acreditava.

Pois sucedeu, de uma vez em que o Circo Maravilhas ia de viagem, o caso que vamos contar. O Bumbo fechava a caravana. Se fosse à frente, empatava o caminho com as suas tardanças e coscuvilhices , por coisas que não valiam meio real.

Assim, ia atrás de todos e livremente se demorava a meter a tromba pela ramagem folhuda de uma árvore ou a estendê-la até alguma toca abandonada de coelho. Se a caravana se distanciava muito, o Bumbo dava uma corrida que estremecia o caminho e voltava para junto dos seus companheiros de jornada.

Num campo murado, viu umas caixas cilíndricas de cortiça com um buraquinho na base, por onde entravam e saíam uns insectos de asas rápidas, que zumbiam numa grande ânsia de trabalho. Intrigante...

Ver não bastava ao elefante Bumbo. Cheirar o que se passava no interior dos cortiços, isso sim, valia a pena.

Alongou a tromba, apontou-a à entrada e enfiou-a afoitamente num desse esquisitos objectos de cortiça.

Nem teve tempo de cheirar o mel lá guardado, porque uma legião de abelhas-guerreiras cravou as lanças dos seus ferrões aguçados na tromba do intrometido.

- Ui, que comichão! - protestou o elefante, encolhendo a tromba.

- Depois da comichão, veio a dor.

- Ai! Ui! - bramia ele.

O domador Cola-tudo, que, lá da frente do caminho, acudiu aos seus lamentos, comentou:

- As abelhas não gostam de elefantes abelhudos, fica sabendo!

- Nem os elefantes abelhudos gostam de abelhas aguçadas - dizia o elefante Bumbo, muito dorido.

E, enquanto andou com a tromba inchada, não a meteu onde não devia.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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