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Ilustração de abertura da história «Joca e os Lobos».

16 de Fevereiro

Joca e os Lobos

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Naquelas manhãs frias, frias, frias, em que as ruas que vão dar à escola estão como gelo e as frieiras dos pés ardem, por dentro das botas, e o nariz pinga, por fora do cachecol, o Joca, ainda no quente fofo da cama, põe-se a tiritar de falso medo.

Joca: Mãe, mãe, hoje é o Dia Mundial do Lobo.

Mãe: Não sabia dessa. Mas levanta-te. Despacha-te.

Joca: Hoje é o dia de protecção ao lobo, que é um animal que está a acabar.

Mãe: Uma espécie em vias de extinção, queres tu dizer. Mas levanta-te.

Joca: Hoje não se pode fazer mal aos lobos. Eles vão andar por todo o lado, aos montes…

Mãe: Em alcateia, queres tu dizer. Despacha-te.

Joca: E não se lhes pode fazer mal. Vão andar nas ruas, nos autocarros, à porta das escolas…

Mãe: O que tu queres dizer sei eu, Joca. Deixa-te de invenções e despacha-te.

Joca: A nossa professora vai convidar lobos para comerem connosco, na cantina.

Mãe: Boa ideia. Partilhas com eles do teu almoço. Levanta-te, Joca, que já estás atrasado.

Joca: Mas os lobos comem imenso e não gostam de sopa nem de alface nem de pastéis de bacalhau. Eu tenho medo de, logo à noite, não chegar a casa inteiro.

Mãe: Chegas. Tenho a certeza. Levanta-te, Joca, ou puxo-te por um braço e sais da cama magoado.

Joca: Os lobos vão fazer ginástica connosco. E vão jogar à bola, no recreio. Sabias que os lobos não gostam de perder?

Mãe: Não sabia nem isso, agora, interessa. Levanta-te, Joca.

Joca: Quando os lobos perdem, dão dentadas nos outros.

Mãe: Nos adversários, queres tu dizer. Mas, se assim acontecer, o árbitro expulsa-os do jogo.

Joca: Mas os árbitros, hoje, são todos lobos. Estão feitos com eles.

Mãe: Já chega, Joca. Levanta-te ou eu zango-me. E, quando eu me zango, uivo.

Joca: Tu uivas, mãe?

Mãe: Claro que uivo. Queres ouvir: Uh! Uh! Uh! Se não sais da cama como-te cru.

O Joca riu-se. Fartou-se de rir. E a rir-se, desmanchou a cama e saltou para o chão.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Joca: Tenho uma mãe-loba! Tenho uma mãe-loba!

Mãe: E tu és o meu lobinho.

Joca: Somos lobos. Uh! Uh! Uh! Hoje é o nosso dia.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Mãe e filho juntaram num abraço riso e uivos, como numa gruta de lobos felizes. Daqueles dois seria sempre cada dia, fizesse o frio que fizesse lá fora. O calor do abraço deles estava ali pronto para vencer e derreter o gelo todo do mundo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Naquelas manhãs frias, frias, frias, em que as ruas que vão dar à escola estão como gelo e as frieiras dos pés ardem, por dentro das botas, e o nariz pinga, por fora do cachecol, o Joca, ainda no quente fofo da cama, põe-se a tiritar de falso medo.

Joca: Mãe, mãe, hoje é o Dia Mundial do Lobo.

Mãe: Não sabia dessa. Mas levanta-te. Despacha-te.

Joca: Hoje é o dia de protecção ao lobo, que é um animal que está a acabar.

Mãe: Uma espécie em vias de extinção, queres tu dizer. Mas levanta-te.

Joca: Hoje não se pode fazer mal aos lobos. Eles vão andar por todo o lado, aos montes…

Mãe: Em alcateia, queres tu dizer. Despacha-te.

Joca: E não se lhes pode fazer mal. Vão andar nas ruas, nos autocarros, à porta das escolas…

Mãe: O que tu queres dizer sei eu, Joca. Deixa-te de invenções e despacha-te.

Joca: A nossa professora vai convidar lobos para comerem connosco, na cantina.

Mãe: Boa ideia. Partilhas com eles do teu almoço. Levanta-te, Joca, que já estás atrasado.

Joca: Mas os lobos comem imenso e não gostam de sopa nem de alface nem de pastéis de bacalhau. Eu tenho medo de, logo à noite, não chegar a casa inteiro.

Mãe: Chegas. Tenho a certeza. Levanta-te, Joca, ou puxo-te por um braço e sais da cama magoado.

Joca: Os lobos vão fazer ginástica connosco. E vão jogar à bola, no recreio. Sabias que os lobos não gostam de perder?

Mãe: Não sabia nem isso, agora, interessa. Levanta-te, Joca.

Joca: Quando os lobos perdem, dão dentadas nos outros.

Mãe: Nos adversários, queres tu dizer. Mas, se assim acontecer, o árbitro expulsa-os do jogo.

Joca: Mas os árbitros, hoje, são todos lobos. Estão feitos com eles.

Mãe: Já chega, Joca. Levanta-te ou eu zango-me. E, quando eu me zango, uivo.

Joca: Tu uivas, mãe?

Mãe: Claro que uivo. Queres ouvir: Uh! Uh! Uh! Se não sais da cama como-te cru.

O Joca riu-se. Fartou-se de rir. E a rir-se, desmanchou a cama e saltou para o chão.

Joca: Tenho uma mãe-loba! Tenho uma mãe-loba!

Mãe: E tu és o meu lobinho.

Joca: Somos lobos. Uh! Uh! Uh! Hoje é o nosso dia.

Mãe e filho juntaram num abraço riso e uivos, como numa gruta de lobos felizes. Daqueles dois seria sempre cada dia, fizesse o frio que fizesse lá fora. O calor do abraço deles estava ali pronto para vencer e derreter o gelo todo do mundo.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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