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Ilustração de abertura da história «Os Ratos das Botas».

13 de Fevereiro

Os Ratos das Botas

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Eram dois ratos e cada um vivia na sua bota. Mas viviam um tanto afastados, porque, embora as botas fossem irmãs e em tempos tivessem caminhado juntas, os ratos que as habitavam, por razões que não vêm para o caso, andavam de mal um com o outro.

Por isso estavam as botas de costas voltadas, isto é, de calcanhares voltados, como as botas de Charlot.

Mas, num dia de grande temporal, o vento soprou a valer por aqueles sítios e empurrou uma das botas em direcção à irmã, que também se deslocou com a ventania.

- Quem está aos pontapés à minha casa? - irritou-se um dos ratinhos, muito assustado com a tempestade.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O vento puxou a chuva que, cada vez mais forte, alagou aquele cantinho do mundo onde estavam as botas.

- Ora botas! Já nem se vive em sossego na nossa própria casa - lastimou-se um dos ratinhos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Graças à proximidade, o outro rato ouviu o vizinho queixar-se e também se lamentou:

- Casas velhas e mal calafetadas não dão segurança nenhuma. Ora botas! Ora botas!

Que o pior ainda estava para vir.

Quando a água da chuva inundou aquelas paragens, e a corrente deu em rio, as duas botas foram arrastadas na chuva e rolaram, muito trangalhadanças , sobre pedras e seixos.

- Ora botas! Em vez de casa, um barco - desesperava-se um ratinho.

- Ora botas! Em vez de bota, um bote - desesperava-se o outro ratinho.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Amainou a tempestade, estancou a chuva e as duas botas acabaram poisadas, lado a lado, num montinho de areia.

Os dois ratos, quando sentiram que o perigo tinha passado, saíram ao mesmo tempo das respectivas botas, isto é, das respectivas casas.

- Que viagem mais tormentosa - queixou-se um.

- Nunca mais acabava - queixou-se o outro.

Sem darem por isso estavam a falar um com o outro.

- Mas o sítio é bonito.

- E tem bom ar.

- E boa vista.

- E bom piso.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Um dos ratinhos apontou para a bota, isto é, para a casa do outro, e reparou:

- Tem as persianas todas escangalhadas.

Eram os atacadores fora das ilhós e deslaçados.

O outro ratinho retorquiu:

- As suas persianas também precisam de arranjo. Eu ajudo-o.

Passaram a tarde a consertar as casas e, com a boa ajuda um do outro, o trabalho rendeu muito. Vão agora, segundo combinaram, fazer uma vedação para proteger uma horta, que querem cultivar a meias.

Ficaram outra vez dois ratinhos amigos, e as botas, aliás as casas geminadas , são bem prova disso.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Eram dois ratos e cada um vivia na sua bota. Mas viviam um tanto afastados, porque, embora as botas fossem irmãs e em tempos tivessem caminhado juntas, os ratos que as habitavam, por razões que não vêm para o caso, andavam de mal um com o outro.

Por isso estavam as botas de costas voltadas, isto é, de calcanhares voltados, como as botas de Charlot.

Mas, num dia de grande temporal, o vento soprou a valer por aqueles sítios e empurrou uma das botas em direcção à irmã, que também se deslocou com a ventania.

- Quem está aos pontapés à minha casa? - irritou-se um dos ratinhos, muito assustado com a tempestade.

O vento puxou a chuva que, cada vez mais forte, alagou aquele cantinho do mundo onde estavam as botas.

- Ora botas! Já nem se vive em sossego na nossa própria casa - lastimou-se um dos ratinhos.

Graças à proximidade, o outro rato ouviu o vizinho queixar-se e também se lamentou:

- Casas velhas e mal calafetadas não dão segurança nenhuma. Ora botas! Ora botas!

Que o pior ainda estava para vir.

Quando a água da chuva inundou aquelas paragens, e a corrente deu em rio, as duas botas foram arrastadas na chuva e rolaram, muito trangalhadanças , sobre pedras e seixos.

- Ora botas! Em vez de casa, um barco - desesperava-se um ratinho.

- Ora botas! Em vez de bota, um bote - desesperava-se o outro ratinho.

Amainou a tempestade, estancou a chuva e as duas botas acabaram poisadas, lado a lado, num montinho de areia.

Os dois ratos, quando sentiram que o perigo tinha passado, saíram ao mesmo tempo das respectivas botas, isto é, das respectivas casas.

- Que viagem mais tormentosa - queixou-se um.

- Nunca mais acabava - queixou-se o outro.

Sem darem por isso estavam a falar um com o outro.

- Mas o sítio é bonito.

- E tem bom ar.

- E boa vista.

- E bom piso.

Um dos ratinhos apontou para a bota, isto é, para a casa do outro, e reparou:

- Tem as persianas todas escangalhadas.

Eram os atacadores fora das ilhós e deslaçados.

O outro ratinho retorquiu:

- As suas persianas também precisam de arranjo. Eu ajudo-o.

Passaram a tarde a consertar as casas e, com a boa ajuda um do outro, o trabalho rendeu muito. Vão agora, segundo combinaram, fazer uma vedação para proteger uma horta, que querem cultivar a meias.

Ficaram outra vez dois ratinhos amigos, e as botas, aliás as casas geminadas , são bem prova disso.

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