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Ilustração de abertura da história «Dona Florinda das Sete Chaves».

31 de Janeiro

Dona Florinda das Sete Chaves

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Em casa da Dona Florinda não havia nada aberto.

Claro que a porta da rua estava sempre fechada. E a sete chaves. Até aqui tudo certo.

Mas fechadas também estavam a porta da despensa, a porta do quarto de arrumações, a porta do quarto da Dona Florinda, a porta da casa de banho, a porta da cozinha, a porta da salinha, a porta do salão.

A Dona Florinda andava sempre com um molho de chaves à cinta. Por cada porta que fechava, por cada volta que dava a uma fechadura, a Dona Florinda dizia "Trru, está fechada!" Muito contente.

A gente nem percebia qual o motivo de tanto cuidado. Seria que a Dona Florinda não queria deixar entrar o ar lá em casa?

Seria que a Dona Florinda não queria deixar sair o ar lá de casa? Ou seria que a Dona Florinda tinha medo que o ar lá de casa apanhasse correntes de ar?

Vivia sozinha a Dona Florinda. Com aquele feitio de tudo fechar, de tudo guardar bem fechado, a Dona Florinda claro que não podia viver acompanhada.

Para as gavetas tinha outro molho com todas as chavinhas.

E por cada gaveta fechada a Dona Florinda também dizia: "Trru, está fechada!"

Mas onde é que a Dona Florinda guardava as chaves, quando à noite se deitava? Guardava numa caixinha, que fechava e metia dentro de uma caixa, que fechava e metia dentro de uma gaveta, que fechava e... "Trru, está fechada!", mais nada.

As três chaves, a da gaveta, a da caixa e a da caixinha, pendurava-as num fio que usava sempre ao pescoço, quer de dia quer de noite. Coitada!

Um dia, como se está mesmo a ver, o fio partiu-se e a Dona Florinda perdeu as chaves. Sumiram-se as três chaves que abriam a gaveta, a caixa e a caixinha, a tal caixinha onde estavam guardadas todas as outras chaves. Que fazer?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E tudo fechado...

Sim, que fazer? Arrombar a gaveta, rebentar a caixa, partir a caixinha e recuperar as outras chaves. Depois abrir as portas, as gavetas, os armários, de par em par. Isto faria qualquer pessoa, que não fosse a Dona Florinda.

Desesperada de procurar as três chaves, mães das outras todas, a Dona Florinda abriu a única porta que tinha à mão.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

A da varanda. E pôs-se a gritar:

- Estou fechada. Socorro. Estou fechada.

Vieram os bombeiros, lançaram a escada e trouxeram a Dona Florinda da varanda à rua.

E agora? Agora a Dona Florinda anda à procura de um nova casa onde morar - uma casa com novas fechaduras, novas chaves.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E a casa antiga da Dona Florinda? Essa, definitivamente, trru, está fechada.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

Em casa da Dona Florinda não havia nada aberto.

Claro que a porta da rua estava sempre fechada. E a sete chaves. Até aqui tudo certo.

Mas fechadas também estavam a porta da despensa, a porta do quarto de arrumações, a porta do quarto da Dona Florinda, a porta da casa de banho, a porta da cozinha, a porta da salinha, a porta do salão.

A Dona Florinda andava sempre com um molho de chaves à cinta. Por cada porta que fechava, por cada volta que dava a uma fechadura, a Dona Florinda dizia "Trru, está fechada!" Muito contente.

A gente nem percebia qual o motivo de tanto cuidado. Seria que a Dona Florinda não queria deixar entrar o ar lá em casa?

Seria que a Dona Florinda não queria deixar sair o ar lá de casa? Ou seria que a Dona Florinda tinha medo que o ar lá de casa apanhasse correntes de ar?

Vivia sozinha a Dona Florinda. Com aquele feitio de tudo fechar, de tudo guardar bem fechado, a Dona Florinda claro que não podia viver acompanhada.

Para as gavetas tinha outro molho com todas as chavinhas.

E por cada gaveta fechada a Dona Florinda também dizia: "Trru, está fechada!"

Mas onde é que a Dona Florinda guardava as chaves, quando à noite se deitava? Guardava numa caixinha, que fechava e metia dentro de uma caixa, que fechava e metia dentro de uma gaveta, que fechava e... "Trru, está fechada!", mais nada.

As três chaves, a da gaveta, a da caixa e a da caixinha, pendurava-as num fio que usava sempre ao pescoço, quer de dia quer de noite. Coitada!

Um dia, como se está mesmo a ver, o fio partiu-se e a Dona Florinda perdeu as chaves. Sumiram-se as três chaves que abriam a gaveta, a caixa e a caixinha, a tal caixinha onde estavam guardadas todas as outras chaves. Que fazer?

E tudo fechado...

Sim, que fazer? Arrombar a gaveta, rebentar a caixa, partir a caixinha e recuperar as outras chaves. Depois abrir as portas, as gavetas, os armários, de par em par. Isto faria qualquer pessoa, que não fosse a Dona Florinda.

Desesperada de procurar as três chaves, mães das outras todas, a Dona Florinda abriu a única porta que tinha à mão.

A da varanda. E pôs-se a gritar:

- Estou fechada. Socorro. Estou fechada.

Vieram os bombeiros, lançaram a escada e trouxeram a Dona Florinda da varanda à rua.

E agora? Agora a Dona Florinda anda à procura de um nova casa onde morar - uma casa com novas fechaduras, novas chaves.

E a casa antiga da Dona Florinda? Essa, definitivamente, trru, está fechada.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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