29 de Janeiro
O Rei dos Soldados
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Era uma vez um rei que gostava muito de desfiles e paradas. Até lhe chamavam o rei dos soldados ou rei-soldado, embora ele fosse o general de todos os generais.
Quando passava revista à guarda de honra, cerimónia a que se dedicava várias vezes ao dia, tinha por hábito estacar de tantos em tantos homens, para dirigir, cara na cara, ao soldado perfilado à sua frente as seguintes perguntas:
– Que idade tens?
O magala respondia.
– Há quanto tempo estás ao meu serviço?
O magala respondia.
– O soldo e o rancho satisfazem-te?
O magala, já se vê, respondia que ambos o satisfaziam.
Bem impressionado com as respostas, o rei prosseguia, de peito inchado e queixo alto, muito orgulhoso do seu exército de luzidos soldados.
Ora entrou para o serviço militar um rapaz vindo de longe, de uma região onde não se falava a mesma língua da cidade. Tinha por isso muita dificuldade em perceber as ordens e em fazer-se entender. Os colegas troçavam dele, mas o rapaz não se importava.
Pelo sim pelo não, o sargento ensinou-o a pronunciar as respostas convenientes às perguntas que o rei costumava fazer. Como a fiada de perguntas era sempre igual e pela mesma ordem, caso lhe calhasse em sorte ser interrogado pelo rei, o novo soldado não daria parte fraca.
E calhou.
Logo por azar, dessa vez o rei alterou a ordem das perguntas. Começou assim:
– Há quanto tempo estás ao meu serviço?
– Vinte anos – respondeu o rapaz, imperturbável.
O rei encarou o jovem tarata com estranheza e fez-lhe a segunda pergunta:
– E que idade tens?
– Dois meses, Majestade.
Mais se admirou o rei, que comentou:
– Isso não faz sentido. Um de nós está maluco.
O rapaz, julgando que estava a responder à terceira pergunta, sorriu com cortesia e disse:
– Ambos, Majestade.
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Era uma vez um rei que gostava muito de desfiles e paradas. Até lhe chamavam o rei dos soldados ou rei-soldado, embora ele fosse o general de todos os generais.
Quando passava revista à guarda de honra, cerimónia a que se dedicava várias vezes ao dia, tinha por hábito estacar de tantos em tantos homens, para dirigir, cara na cara, ao soldado perfilado à sua frente as seguintes perguntas:
– Que idade tens?
O magala respondia.
– Há quanto tempo estás ao meu serviço?
O magala respondia.
– O soldo e o rancho satisfazem-te?
O magala, já se vê, respondia que ambos o satisfaziam.
Bem impressionado com as respostas, o rei prosseguia, de peito inchado e queixo alto, muito orgulhoso do seu exército de luzidos soldados.
Ora entrou para o serviço militar um rapaz vindo de longe, de uma região onde não se falava a mesma língua da cidade. Tinha por isso muita dificuldade em perceber as ordens e em fazer-se entender. Os colegas troçavam dele, mas o rapaz não se importava.
Pelo sim pelo não, o sargento ensinou-o a pronunciar as respostas convenientes às perguntas que o rei costumava fazer. Como a fiada de perguntas era sempre igual e pela mesma ordem, caso lhe calhasse em sorte ser interrogado pelo rei, o novo soldado não daria parte fraca.
E calhou.
Logo por azar, dessa vez o rei alterou a ordem das perguntas. Começou assim:
– Há quanto tempo estás ao meu serviço?
– Vinte anos – respondeu o rapaz, imperturbável.
O rei encarou o jovem tarata com estranheza e fez-lhe a segunda pergunta:
– E que idade tens?
– Dois meses, Majestade.
Mais se admirou o rei, que comentou:
– Isso não faz sentido. Um de nós está maluco.
O rapaz, julgando que estava a responder à terceira pergunta, sorriu com cortesia e disse:
– Ambos, Majestade.
Ouvir
Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
Voltar ao texto
Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
- Página original arquivada
- Pendente
- PDF original
- Pendente