26 de Janeiro
O Papagaio
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Do Brasil regressara à sua terra um pobre emigrante. Como única riqueza, trazia um papagaio.
Pacientemente, o homem tinha ensinado o papagaio a dizer: "Não há dúvida".
Um dia, o homem resolveu vender o papagaio.
Realizava-se, nesse dia, uma grande feira, e o nosso homem para lá foi, lançando o seu pregão :
- Quem quer comprar um papagaio? Um papagaio muito esperto por cinco mil euros...
Mas ninguém estava interessado.
Então o homem mudou de pregão .
E pôs-se a apregoar assim:
- Quem quer comprar este ser inteligente, que além do mais também é papagaio. É um sábio com penas! Ele sabe tudo e custa pouco. Por quinze mil euros, leva um sábio para casa, que até distrai e faz vista, porque é tal e qual um papagaio. Quinze mil euros, quem compra?
Aproximou-se um lavrador, que tinha menos de inteligência que de riqueza.
Como queria dar-se ares de espertalhão, perguntou ao papagaio:
- Ó loiro, tu vales quinze mil euros?
- Não há dúvida - gritou o papagaio.
- E és realmente um sábio disfarçado de papagaio? Um grande sábio? - perguntou o lavrador.
- Não há dúvida - respondeu o papagaio.
O lavrador ficou espantado e comprou logo o papagaio, que levou para casa.
Mas o papagaio nunca mais voltou a falar.
Um dia, o lavrador, que já se arrependera de ter caído na esparrela , lamentou-se, junto da gaiola do passaroco:
- Que burro que eu fui em ter dado tanto dinheiro por um papagaio!
- Não há dúvida - gritou o papagaio. - Não há dúvida!
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Do Brasil regressara à sua terra um pobre emigrante. Como única riqueza, trazia um papagaio.
Pacientemente, o homem tinha ensinado o papagaio a dizer: "Não há dúvida".
Um dia, o homem resolveu vender o papagaio.
Realizava-se, nesse dia, uma grande feira, e o nosso homem para lá foi, lançando o seu pregão :
- Quem quer comprar um papagaio? Um papagaio muito esperto por cinco mil euros...
Mas ninguém estava interessado.
Então o homem mudou de pregão .
E pôs-se a apregoar assim:
- Quem quer comprar este ser inteligente, que além do mais também é papagaio. É um sábio com penas! Ele sabe tudo e custa pouco. Por quinze mil euros, leva um sábio para casa, que até distrai e faz vista, porque é tal e qual um papagaio. Quinze mil euros, quem compra?
Aproximou-se um lavrador, que tinha menos de inteligência que de riqueza.
Como queria dar-se ares de espertalhão, perguntou ao papagaio:
- Ó loiro, tu vales quinze mil euros?
- Não há dúvida - gritou o papagaio.
- E és realmente um sábio disfarçado de papagaio? Um grande sábio? - perguntou o lavrador.
- Não há dúvida - respondeu o papagaio.
O lavrador ficou espantado e comprou logo o papagaio, que levou para casa.
Mas o papagaio nunca mais voltou a falar.
Um dia, o lavrador, que já se arrependera de ter caído na esparrela , lamentou-se, junto da gaiola do passaroco:
- Que burro que eu fui em ter dado tanto dinheiro por um papagaio!
- Não há dúvida - gritou o papagaio. - Não há dúvida!
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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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