25 de Janeiro
A Flor e o Sino
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
C omo é que uma flor e um sino podem caber na mesma história?
Há-de ser difícil. A flor tão rasteira e o sino tão alto nada têm a ver um com o outro. Hão-de pertencer a histórias diferentes.
Talvez sim e talvez não…
A flor tinha acordado, na ponta de um caule, quando o sino se pôs a badalar. Abriu-se de espanto, porque nunca tinha ouvido música assim: tlim-dlão-dlim…
Mas tudo tem uma lógica, um começo, um antes do que está para vir. Nós contamos.
A erva donde a flor nascera tinha rompido a terra como um dedo espetado, que quer chamar a atenção:
– Perguntem-me porque nasci – gritava a erva, numa vozinha de erva-fina.
Ninguém lhe perguntava.
E ela, impaciente, sempre na sua:
– Perguntem-me porque nasci. Perguntem-me.
Estávamos bem servidos, se tivéssemos de dar conversa a todas as ervas do caminho…
– Então, não querem saber? Perguntem-me – teimava a erva.
Fartos de ouvi-la, debruçámo-nos, enfim, para a ervinha. Logo ela, muito direita, na sua importância de erva fresca, nos disse:
– Nasci, sabem porquê? Nasci para dar uma flor.
Olha a admiração! Nisto o sino, tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim, e apareceu a flor.
– Quem me chama? Quem me chama? – perguntou a flor, que nasceu a falar.
O sino anunciava um casamento. Era o José mais a Maria que iam casar.
O noivo, antes de entrar na igreja, colheu, à beira da estrada, uma flor com que enfeitou a lapela. Logo, por coincidência, a flor que tinha acabado de nascer.
Aí têm como um sino e uma flor podem caber na mesma história. Mas não acaba aqui.
Passado tempo, a flor desprendeu-se da lapela. Já tinha dado um ar da sua graça.
Secou, desfez-se, juntou-se à terra. É sempre assim.
Na Primavera seguinte, mais coisa menos coisa, o sino outra vez a badalar: tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim. Desta vez, era um baptizado, o do menino José Maria, filho de Maria e do José.
Depois, houve boda. No centro da mesa, um grande ramo de flores campestres, iguais à que viveu nesta história.
Tudo se multiplica. Pelos tempos fora, o sino vai voltar a bater e as flores a crescer. É uma história que não acaba.
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
C omo é que uma flor e um sino podem caber na mesma história?
Há-de ser difícil. A flor tão rasteira e o sino tão alto nada têm a ver um com o outro. Hão-de pertencer a histórias diferentes.
Talvez sim e talvez não…
A flor tinha acordado, na ponta de um caule, quando o sino se pôs a badalar. Abriu-se de espanto, porque nunca tinha ouvido música assim: tlim-dlão-dlim…
Mas tudo tem uma lógica, um começo, um antes do que está para vir. Nós contamos.
A erva donde a flor nascera tinha rompido a terra como um dedo espetado, que quer chamar a atenção:
– Perguntem-me porque nasci – gritava a erva, numa vozinha de erva-fina.
Ninguém lhe perguntava.
E ela, impaciente, sempre na sua:
– Perguntem-me porque nasci. Perguntem-me.
Estávamos bem servidos, se tivéssemos de dar conversa a todas as ervas do caminho…
– Então, não querem saber? Perguntem-me – teimava a erva.
Fartos de ouvi-la, debruçámo-nos, enfim, para a ervinha. Logo ela, muito direita, na sua importância de erva fresca, nos disse:
– Nasci, sabem porquê? Nasci para dar uma flor.
Olha a admiração! Nisto o sino, tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim, e apareceu a flor.
– Quem me chama? Quem me chama? – perguntou a flor, que nasceu a falar.
O sino anunciava um casamento. Era o José mais a Maria que iam casar.
O noivo, antes de entrar na igreja, colheu, à beira da estrada, uma flor com que enfeitou a lapela. Logo, por coincidência, a flor que tinha acabado de nascer.
Aí têm como um sino e uma flor podem caber na mesma história. Mas não acaba aqui.
Passado tempo, a flor desprendeu-se da lapela. Já tinha dado um ar da sua graça.
Secou, desfez-se, juntou-se à terra. É sempre assim.
Na Primavera seguinte, mais coisa menos coisa, o sino outra vez a badalar: tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim. Desta vez, era um baptizado, o do menino José Maria, filho de Maria e do José.
Depois, houve boda. No centro da mesa, um grande ramo de flores campestres, iguais à que viveu nesta história.
Tudo se multiplica. Pelos tempos fora, o sino vai voltar a bater e as flores a crescer. É uma história que não acaba.
Ouvir
Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
Voltar ao texto
Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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