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Ilustração de abertura da história «O Boné».

24 de Janeiro

O Boné

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

O senhor Alípio foi comprar um boné. O que usava já tinha perdido a cor de tanto sol e tanta chuva que apanhara. O senhor Alípio trabalhava ao ar livre, nas obras, é preciso que se saiba.

- Quero um boné com pala - pediu o senhor Alípio, quando chegou à loja.

O caixeiro da loja terá pensado que todos os bonés têm pala. Sem pala, só boinas.

Ou barretes. Mas não comentou.

- Que tal um destes azuis, acabados de chegar da fábrica? - perguntou o caixeiro.

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou.

- E este, com quadradinhos castanhos?

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou.

- E este verde escuro?

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou

- E este às risquinhas encarnadas?

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou.

O caixeiro começava a achar que aquele freguês não era fácil de contentar. Sobre o balcão, um monte de bonés abandonados...

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

O senhor Alípio já se dispunha a sair em cabelo, muito desconsolado, se não tivesse visto, no meio dos bonés rejeitados, um que lhe chamou a atenção.

Provou-o, viu-se ao espelho e gostou:

- Levo este.

- Mas é o que o senhor trazia na cabeça, quando entrou na loja - disse-lhe o desolado caixeiro.

- Ai, é?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Levo na mesma - e saiu da loja, muito satisfeito, com um boné ou cinzento deslavado ou castanho ruço ou antes assim-assim.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original ainda não recuperada.

O senhor Alípio foi comprar um boné. O que usava já tinha perdido a cor de tanto sol e tanta chuva que apanhara. O senhor Alípio trabalhava ao ar livre, nas obras, é preciso que se saiba.

- Quero um boné com pala - pediu o senhor Alípio, quando chegou à loja.

O caixeiro da loja terá pensado que todos os bonés têm pala. Sem pala, só boinas.

Ou barretes. Mas não comentou.

- Que tal um destes azuis, acabados de chegar da fábrica? - perguntou o caixeiro.

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou.

- E este, com quadradinhos castanhos?

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou.

- E este verde escuro?

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou

- E este às risquinhas encarnadas?

O senhor Alípio provou, viu-se ao espelho e não gostou.

O caixeiro começava a achar que aquele freguês não era fácil de contentar. Sobre o balcão, um monte de bonés abandonados...

O senhor Alípio já se dispunha a sair em cabelo, muito desconsolado, se não tivesse visto, no meio dos bonés rejeitados, um que lhe chamou a atenção.

Provou-o, viu-se ao espelho e gostou:

- Levo este.

- Mas é o que o senhor trazia na cabeça, quando entrou na loja - disse-lhe o desolado caixeiro.

- Ai, é?

Levo na mesma - e saiu da loja, muito satisfeito, com um boné ou cinzento deslavado ou castanho ruço ou antes assim-assim.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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