22 de Janeiro
O Urso Dá Conselhos
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
No tempo em que havia ursos a rondar os povoados, também havia homens que lhes davam caça com a ajuda de lanças e flechas, porque as espingardas ainda não tinham sido inventadas.
Dois amigos acertaram em ir à caça a um grande urso, que andava a assustar os rebanhos.
Foram para o mato e ambos prometeram um ao outro que mal vissem o urso o cercariam, um pela frente, outro por trás, porque nisto de ursos brutamontes duas lanças valem mais do que uma.
Nisto, apareceu o urso. Um dos amigos, esquecido do prometido, logo marinhou por uma árvore acima, deixando o companheiro sem ajuda.
O que ficara em terra quase desmaiou de susto.
Desmaio, não desmaio...
Pelo sim pelo não, lançou-se ao comprido para o meio do chão, onde se deixou ficar, muito quietinho. Ouvira uma vez dizer que os ursos se agoniavam com a carne morta. Fazer de conta que tinha morrido talvez resultasse.
O urso mirou-o, virou-o com as patonas, cheirou-o dos pés à cabeça, com especial predilecção pelos ouvidos, e, depois, sem lhe fazer um arranhão sequer, deixou-o em paz. Abalou.
O caçador de ursos, por pouco caçado, ainda se deixou ficar quieto mais um tempo, até o amigo saltar da árvore e vir ter com ele.
– Não ganhámos para o susto – disse-lhe o amigo, limpando da testa o suor do medo.
– Eu ganhei – retorquiu o caçador, levantando-se do chão.
O outro estranhou:
– O que é que ganhaste?
– Um conselho do urso – disse.
– O quê? O urso falou-te.
– Pois falou. Não o viste segredar-me ao ouvido?
– De facto, ele esteve que tempos com o focinho encostado à tua orelha. E o que é que ele te disse?
– Disse-me que, daqui para diante, em ocasiões de perigo, não me ficasse mais nas promessas de ajuda dos companheiros de caçada.
– Ele disse isso? Garantes?
– Garanto. Até acrescentou que mais valia caçar sozinho do que na companhia de poltrões.
E, dizendo isto, o caçador pegou na lança e avançou pelo caminho do mato. O companheiro, que saltara da árvore, seguiu-lhe os passos, muito enfiado e arrependido.
António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.
No tempo em que havia ursos a rondar os povoados, também havia homens que lhes davam caça com a ajuda de lanças e flechas, porque as espingardas ainda não tinham sido inventadas.
Dois amigos acertaram em ir à caça a um grande urso, que andava a assustar os rebanhos.
Foram para o mato e ambos prometeram um ao outro que mal vissem o urso o cercariam, um pela frente, outro por trás, porque nisto de ursos brutamontes duas lanças valem mais do que uma.
Nisto, apareceu o urso. Um dos amigos, esquecido do prometido, logo marinhou por uma árvore acima, deixando o companheiro sem ajuda.
O que ficara em terra quase desmaiou de susto.
Desmaio, não desmaio...
Pelo sim pelo não, lançou-se ao comprido para o meio do chão, onde se deixou ficar, muito quietinho. Ouvira uma vez dizer que os ursos se agoniavam com a carne morta. Fazer de conta que tinha morrido talvez resultasse.
O urso mirou-o, virou-o com as patonas, cheirou-o dos pés à cabeça, com especial predilecção pelos ouvidos, e, depois, sem lhe fazer um arranhão sequer, deixou-o em paz. Abalou.
O caçador de ursos, por pouco caçado, ainda se deixou ficar quieto mais um tempo, até o amigo saltar da árvore e vir ter com ele.
– Não ganhámos para o susto – disse-lhe o amigo, limpando da testa o suor do medo.
– Eu ganhei – retorquiu o caçador, levantando-se do chão.
O outro estranhou:
– O que é que ganhaste?
– Um conselho do urso – disse.
– O quê? O urso falou-te.
– Pois falou. Não o viste segredar-me ao ouvido?
– De facto, ele esteve que tempos com o focinho encostado à tua orelha. E o que é que ele te disse?
– Disse-me que, daqui para diante, em ocasiões de perigo, não me ficasse mais nas promessas de ajuda dos companheiros de caçada.
– Ele disse isso? Garantes?
– Garanto. Até acrescentou que mais valia caçar sozinho do que na companhia de poltrões.
E, dizendo isto, o caçador pegou na lança e avançou pelo caminho do mato. O companheiro, que saltara da árvore, seguiu-lhe os passos, muito enfiado e arrependido.
Imagens recuperadas
Ouvir
Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
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Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
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