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Ilustração de abertura da história «Pancrácia».

21 de Janeiro

Pancrácia

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma dama, que tinha uma criada meia-zaranza e papa-moscas, que não fazia nada com jeito. Chamava-se a criada Pancrácia.

Um dia, a dama teve de ausentar-se de casa por uns tempos e de deixar tudo aos cuidados da Pancrácia. Antes de sair, recomendou-lhe:

– Enquanto eu estiver fora, vê bem como cuidas dos meus haveres. A qualquer um, que te apareça, diz sempre "Não". Está bem?

– Não – respondeu a criada, muito obediente.

A dama percebeu que o recado estava aprendido e saiu mais descansada.

Dias depois, bateram à porta de casa. Era ou fazia de conta que era um mendigo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Senhora, dê-me resguardo, que está muito frio cá fora…

– Não – disse a criada.

– E uma sopinha quente, para comer aqui, mesmo à soleira?

– Não – disse a criada.

– Nem uma esmolinha de uns tostões poucos?

– Não – disse a criada.

Aqui o mendigo começou a perceber que aquele "não" era de encomenda. Por isso, resolveu virar as perguntas do avesso:

– Então a senhora consente que eu enregele de frio, cá fora?

– Não.

– Então a senhora recusa-se a dar-me de jantar?

– Não.

– Então a senhora importa-se que eu dê uma volta pela casa?

– Não.

E assim o falso mendigo foi conseguindo os seus intentos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

– Não faz mal que eu meta para o saco algumas lembranças desta minha visita, pois não?

– Não.

O larápio levou o que quis e a Pancrácia ajudou.

Quando a dama regressou de viagem e viu a casa roubada, desesperou-se:

– Ó mulher, tu não te importaste que me levassem tudo o que levaram?

– Não – respondeu, muito bem ensinada, a Pancrácia.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Ilustrador original por confirmar ilustrou.

Ilustração original recuperada para Pancrácia
Ilustração original recuperada

Era uma vez uma dama, que tinha uma criada meia-zaranza e papa-moscas, que não fazia nada com jeito. Chamava-se a criada Pancrácia.

Um dia, a dama teve de ausentar-se de casa por uns tempos e de deixar tudo aos cuidados da Pancrácia. Antes de sair, recomendou-lhe:

– Enquanto eu estiver fora, vê bem como cuidas dos meus haveres. A qualquer um, que te apareça, diz sempre "Não". Está bem?

– Não – respondeu a criada, muito obediente.

A dama percebeu que o recado estava aprendido e saiu mais descansada.

Dias depois, bateram à porta de casa. Era ou fazia de conta que era um mendigo.

– Senhora, dê-me resguardo, que está muito frio cá fora…

– Não – disse a criada.

– E uma sopinha quente, para comer aqui, mesmo à soleira?

– Não – disse a criada.

– Nem uma esmolinha de uns tostões poucos?

– Não – disse a criada.

Aqui o mendigo começou a perceber que aquele "não" era de encomenda. Por isso, resolveu virar as perguntas do avesso:

– Então a senhora consente que eu enregele de frio, cá fora?

– Não.

– Então a senhora recusa-se a dar-me de jantar?

– Não.

– Então a senhora importa-se que eu dê uma volta pela casa?

– Não.

E assim o falso mendigo foi conseguindo os seus intentos.

– Não faz mal que eu meta para o saco algumas lembranças desta minha visita, pois não?

– Não.

O larápio levou o que quis e a Pancrácia ajudou.

Quando a dama regressou de viagem e viu a casa roubada, desesperou-se:

– Ó mulher, tu não te importaste que me levassem tudo o que levaram?

– Não – respondeu, muito bem ensinada, a Pancrácia.

Ouvir

Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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Brincar

Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.

Recuperação

Dia presente no calendário, mas sem texto HTML extraível no índice recuperado. PDF/assets ficam ligados quando existem. Texto recuperado de uma compilação mensal em PDF publicada pelo blogue da biblioteca escolar da EB 2,3 de Jovim (2019-2020), que reproduzia as histórias do site original; não provém do site arquivado. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.

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