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Ilustração de abertura da história «Os Anjos-da-Guarda».

17 de Janeiro

Os Anjos-da-Guarda

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Um vagabundo resolveu arranjar casa.

- Chega de dormir ao relento e de andar por aí, a vadiar, sem eira nem beira - disse o vagabundo. - Vou fazer uma casa só para mim.

Escolheu um sítio recatado, numa terra de ninguém, e lançou-se ao trabalho. No primeiro dia, desbastou o terreno e alisou-o. Depois, foi à vida.

Este vagabundo chamava-se Joanete.

Por coincidência, outro vagabundo também pensou que já estava em tempo de ter uma casa. Para poder levar a sua avante, tinha de procurar onde construí-la. Deu com o terreno, alisado pelo vagabundo Joanete, e disse:

- Aqui é que me calha.

Está limpo e pronto para a construção. Agora é só cavar as fundações e arranjar uns troncos grossos, que segurem as paredes.

- Foi o que fez. Depois, foi à vida.

- Este vagabundo chamava-se Pé-leve.

Quando o primeiro vagabundo, o Joanete, regressou ao trabalho e viu os buracos feitos e os troncos alinhados, ficou, como é de imaginar, muito contente.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Anda um anjo a ajudar-me - pensou.

Aplicou os troncos e foi cortar madeira para as paredes. Depois, como não tinha pregos para pregá-las, foi comprá-los.

O Pé-leve, quando chegou e viu os troncos enterrados nos buracos e a madeira empilhada, pensou:

- Tenho um anjo ao meu serviço.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E foi comprar pregos.

Entretanto, regressou o Joanete. Pregou a madeira e levantou as paredes.

O telhado deixou para depois. Foi dar um passeio.

Quando o Pé-leve voltou e viu as paredes prontas, disse:

- Tenho de ajudar o meu anjo da guarda.

E levantou o telhado. Depois foi procurar de comer.

O Joanete, acabado o passeio, vendo o telhado pronto, disse:

- O meu anjo é um portento . Só falta o soalho e uns móveis.

Foi no que se aplicou. Assoalhada a casa e mobilada, no seu essencial, só faltava habitá-la. Estava uma lindeza. Uma porta, duas janelas, uma chaminé. Que mais queria?

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

E o vagabundo Joanete, encantado com a sua obra, ajoelhou-se e, de mãos postas, agradeceu a mãozinha ajudadeira do seu anjo da guarda.

Mas uma voz indignada interrompeu-lhe a oração:

- Que pouca vergonha é esta? Quem o mandou entrar na minha casa?

Era o Pé-leve.

Levantou-se o Joanete e fez-lhe frente:

- A sua casa? Com que direito? Ainda agora a assoalhei e mobilei.

- Então e eu que levantei o telhado? - repontou o Pé-leve.

- Então e eu que levantei as paredes? - retorquiu o Joanete.

- E eu que cavei as fundações?

- E eu que alisei o terreno?

Pararam de altercar. Olharam um para o outro, ambos de boca aberta.

- Tu é que eras o meu anjo da guarda? - apontou o Joanete para o Pé-leve.

- O meu anjo da guarda eras tu? - apontou o Pé-leve para o Joanete.

Caíram nos braços um do outro.

E ficaram a viver juntos.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Os Anjos-da-Guarda
Ilustração original recuperada

Um vagabundo resolveu arranjar casa.

- Chega de dormir ao relento e de andar por aí, a vadiar, sem eira nem beira - disse o vagabundo. - Vou fazer uma casa só para mim.

Escolheu um sítio recatado, numa terra de ninguém, e lançou-se ao trabalho. No primeiro dia, desbastou o terreno e alisou-o. Depois, foi à vida.

Este vagabundo chamava-se Joanete.

Por coincidência, outro vagabundo também pensou que já estava em tempo de ter uma casa. Para poder levar a sua avante, tinha de procurar onde construí-la. Deu com o terreno, alisado pelo vagabundo Joanete, e disse:

- Aqui é que me calha.

Está limpo e pronto para a construção. Agora é só cavar as fundações e arranjar uns troncos grossos, que segurem as paredes.

- Foi o que fez. Depois, foi à vida.

- Este vagabundo chamava-se Pé-leve.

Quando o primeiro vagabundo, o Joanete, regressou ao trabalho e viu os buracos feitos e os troncos alinhados, ficou, como é de imaginar, muito contente.

- Anda um anjo a ajudar-me - pensou.

Aplicou os troncos e foi cortar madeira para as paredes. Depois, como não tinha pregos para pregá-las, foi comprá-los.

O Pé-leve, quando chegou e viu os troncos enterrados nos buracos e a madeira empilhada, pensou:

- Tenho um anjo ao meu serviço.

E foi comprar pregos.

Entretanto, regressou o Joanete. Pregou a madeira e levantou as paredes.

O telhado deixou para depois. Foi dar um passeio.

Quando o Pé-leve voltou e viu as paredes prontas, disse:

- Tenho de ajudar o meu anjo da guarda.

E levantou o telhado. Depois foi procurar de comer.

O Joanete, acabado o passeio, vendo o telhado pronto, disse:

- O meu anjo é um portento . Só falta o soalho e uns móveis.

Foi no que se aplicou. Assoalhada a casa e mobilada, no seu essencial, só faltava habitá-la. Estava uma lindeza. Uma porta, duas janelas, uma chaminé. Que mais queria?

E o vagabundo Joanete, encantado com a sua obra, ajoelhou-se e, de mãos postas, agradeceu a mãozinha ajudadeira do seu anjo da guarda.

Mas uma voz indignada interrompeu-lhe a oração:

- Que pouca vergonha é esta? Quem o mandou entrar na minha casa?

Era o Pé-leve.

Levantou-se o Joanete e fez-lhe frente:

- A sua casa? Com que direito? Ainda agora a assoalhei e mobilei.

- Então e eu que levantei o telhado? - repontou o Pé-leve.

- Então e eu que levantei as paredes? - retorquiu o Joanete.

- E eu que cavei as fundações?

- E eu que alisei o terreno?

Pararam de altercar. Olharam um para o outro, ambos de boca aberta.

- Tu é que eras o meu anjo da guarda? - apontou o Joanete para o Pé-leve.

- O meu anjo da guarda eras tu? - apontou o Pé-leve para o Joanete.

Caíram nos braços um do outro.

E ficaram a viver juntos.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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