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Ilustração de abertura da história «Lágrimas».

14 de Janeiro

Lágrimas

António Torrado escreveu.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.

Era uma vez uma lágrima, uma lágrima de constipação. Sabem como é: o pingo no nariz, os olhos a arder, um espirro, outro espirro, e uma lágrima que se solta pelo cantinho do olho e escorrega, bochecha abaixo...

Era uma vez uma lágrima, uma lágrima de riso.

Sabem do que falo: de tanto rir, tudo estala em nós e as lágrimas saltam dos olhos como fogo-de-artifício, foguetes de lágrimas...

Eram, pois, duas lágrimas.

Encontraram-se, no mesmo lenço.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Ouvi dizer que também há lágrimas de tristeza - contou uma.

- Custa-me a acreditar - disse a outra.

Era a do riso quem assim falava.

Mas uma terceira lágrima chegou ao lenço. Tão de água, tão salgada como as outras. E da fonte dos mesmos olhos. Mas esta era diferente.

- Sou uma lágrima de dor - apresentou-se ela.

Seria verdade? Às outras duas parecia impossível.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

Quem a soltara, constipado que estava, ainda há pouco rira até às lágrimas. Como é que se pode passar, assim tão de repente, da alegria à mágoa?

- O que aconteceu, entretanto? - quiseram saber as duas lágrimas mais antigas.

- Foi um entalão - explicou a recém-chegada. - Quem me soltou tinha ido buscar um lenço dobrado à gaveta e, entretido a rir, ao fechar, entalou um dedo.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

- Há desgraças piores - comentou a lágrima da constipação.

- Prefiro nem saber - suspirou a lágrima do riso.

O resto da conversa já não acompanhei, porque eu, o dono das três lágrimas, desfiz-me do lenço molhado para dentro da roupa suja. Lenços não me faltam, brancos ou às cores e para todas as ocasiões da vida.

Edição ilustrada contemporânea gerada com IA

António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.

Ilustração original recuperada para Lágrimas
Ilustração original recuperada

Era uma vez uma lágrima, uma lágrima de constipação. Sabem como é: o pingo no nariz, os olhos a arder, um espirro, outro espirro, e uma lágrima que se solta pelo cantinho do olho e escorrega, bochecha abaixo...

Era uma vez uma lágrima, uma lágrima de riso.

Sabem do que falo: de tanto rir, tudo estala em nós e as lágrimas saltam dos olhos como fogo-de-artifício, foguetes de lágrimas...

Eram, pois, duas lágrimas.

Encontraram-se, no mesmo lenço.

- Ouvi dizer que também há lágrimas de tristeza - contou uma.

- Custa-me a acreditar - disse a outra.

Era a do riso quem assim falava.

Mas uma terceira lágrima chegou ao lenço. Tão de água, tão salgada como as outras. E da fonte dos mesmos olhos. Mas esta era diferente.

- Sou uma lágrima de dor - apresentou-se ela.

Seria verdade? Às outras duas parecia impossível.

Quem a soltara, constipado que estava, ainda há pouco rira até às lágrimas. Como é que se pode passar, assim tão de repente, da alegria à mágoa?

- O que aconteceu, entretanto? - quiseram saber as duas lágrimas mais antigas.

- Foi um entalão - explicou a recém-chegada. - Quem me soltou tinha ido buscar um lenço dobrado à gaveta e, entretido a rir, ao fechar, entalou um dedo.

- Há desgraças piores - comentou a lágrima da constipação.

- Prefiro nem saber - suspirou a lágrima do riso.

O resto da conversa já não acompanhei, porque eu, o dono das três lágrimas, desfiz-me do lenço molhado para dentro da roupa suja. Lenços não me faltam, brancos ou às cores e para todas as ocasiões da vida.

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Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.

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