12 de Janeiro
As Hastes do Veado Vaidoso
António Torrado escreveu.
Edição ilustrada contemporânea gerada com IA
Ilustrações desta edição geradas com inteligência artificial.
Era uma vez um veado que tinha em grande apreço as suas hastes recortadas, que lhe davam à cabeça um ar de majestade.
Quando ia dessedentar-se no lago, tanto bebia como se mirava.
- Que gloriosos chifres os meus! Nenhum animal de cornos os tem tão formosos.
Em contrapartida, as patas delgadinhas desgostavam-no.
Debruçado para a água, comparava-as com a volumosa e artística cornadura, e dizia:
- As minhas pernas estão desproporcionadas com os outros extremos do meu corpo. Não fossem elas assim tão estreitas e eu seria o mais elegante dos animais.
Nisto, o veado ouviu, não longe, o uivo de trompas de caça. Ele sabia o que aquela música significava. Fugiu.
Caçadores a cavalo perseguiram-no. Corriam os cavalos a galope e corria o veado, com quantas pernas tinha.
Ágeis, as pernas, no arremesso do medo, saltavam barrancos, venciam precipícios, quase voavam. O veado só pedia que o vigor das pernas não o abandonasse.
Mas, num túnel de ramos, os galhos do veado embaraçaram-se nos troncos e suspenderam-lhe a corrida. Já se aproximavam os cavaleiros. Os belos chifres estavam a deitá-lo a perder.
Sentindo-se perdido, o veado deu um sacão ao corpo e metade de um chifre, que estava preso, partiu-se. Deixá-lo. O veado livrou-se.
As pernas retomaram a fogosa carreira da salvação e o veado conseguiu escapar dos caçadores.
Já livre de perigo, o veado pôs-se a pensar no que lhe sucedera. As pernas, que ele há pouco desprezava, tinham-no salvo. As hastes da sua vaidade por pouco que não o atraiçoavam.
António Torrado escreveu. Cristina Malaquias ilustrou.
Ilustração original ainda não recuperada.
Era uma vez um veado que tinha em grande apreço as suas hastes recortadas, que lhe davam à cabeça um ar de majestade.
Quando ia dessedentar-se no lago, tanto bebia como se mirava.
- Que gloriosos chifres os meus! Nenhum animal de cornos os tem tão formosos.
Em contrapartida, as patas delgadinhas desgostavam-no.
Debruçado para a água, comparava-as com a volumosa e artística cornadura, e dizia:
- As minhas pernas estão desproporcionadas com os outros extremos do meu corpo. Não fossem elas assim tão estreitas e eu seria o mais elegante dos animais.
Nisto, o veado ouviu, não longe, o uivo de trompas de caça. Ele sabia o que aquela música significava. Fugiu.
Caçadores a cavalo perseguiram-no. Corriam os cavalos a galope e corria o veado, com quantas pernas tinha.
Ágeis, as pernas, no arremesso do medo, saltavam barrancos, venciam precipícios, quase voavam. O veado só pedia que o vigor das pernas não o abandonasse.
Mas, num túnel de ramos, os galhos do veado embaraçaram-se nos troncos e suspenderam-lhe a corrida. Já se aproximavam os cavaleiros. Os belos chifres estavam a deitá-lo a perder.
Sentindo-se perdido, o veado deu um sacão ao corpo e metade de um chifre, que estava preso, partiu-se. Deixá-lo. O veado livrou-se.
As pernas retomaram a fogosa carreira da salvação e o veado conseguiu escapar dos caçadores.
Já livre de perigo, o veado pôs-se a pensar no que lhe sucedera. As pernas, que ele há pouco desprezava, tinham-no salvo. As hastes da sua vaidade por pouco que não o atraiçoavam.
Ouvir
Narração sintetizada em pt-PT. Não é o áudio original.
Palavras da história
Voltar ao texto
Brincar
Jogos criados a partir do texto recuperado desta história. Não faziam parte do site original.
Recuperação
Texto extraído das camadas HTML originais recuperadas. Imagens, PDF e áudio Flash são ficheiros locais do arquivo. A narração disponível foi sintetizada em pt-PT a partir do texto recuperado; não é o áudio original.
- Página original arquivada
- Ver no arquivo
- PDF original
- Abrir PDF recuperado