| |
|
| A Viola do Firmino António Torrado Cristina Malaquias | |
| | |
| O pai do Joca tem um amigo de quem o Joca muito particularmente gosta. Chama-se Firmino e toca viola.
Da viola do Firmino, dos dedos do Firmino a beliscar as cordas da viola saem as músicas que ele quer. Ou que nós queremos. Que nós pedimos.
- Toca lá esta, ó Firmino - pedem-lhe.
E ele toca. | |
| | |
| - Toca lá agora está, ó Firmino - pedem-lhe de seguida.
E ele toca.
O Firmino é muito amigo de fazer vontades e a viola parece-se com o dono em tudo.
Um dia, o Firmino, que tinha de ir dar umas voltas em que a viola era um peso, pediu ao pai do Joca se lha guardava, lá em casa, até ao dia seguinte. Ele depois viria buscá-la. | |
| | |
| - Está descansado, Firmino - disse o pai do Joca. - Cá em casa fica bem guardada.
Foi o que o Joca quis ouvir. Há tanto tempo que ele queria experimentar aquela viola! Quando o pai virou costas, pôs-se a mexer nas cordas da viola como via o Firmino fazer.
Mas a viola, em vez de cantar, como era seu costume, em vez de tocar música catita, queixou-se. | |
| | |
| Quanto mais o Joca lhe mexia, mais ela se lamentava. Eram guinchos, gemidos, chorinhos e rangidos de arrepiar.
O pai do Joca veio lá de dentro e zangou-se.
- Quem te autorizou a pegar na viola do Firmino? Não vês que podes estragá-la...
- Estragada já ela está - respondeu o Joca. - Não toca nada que preste. | |
| | |
| Copyright
© 2003 APENA, APDD Cofinanciado pelo POSI e pela Presidência do Conselho de Ministros |