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| Criado de Confiança António Torrado Cristina Malaquias | |
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| O senhor Conde Qualquer Coisa e Tal admitiu ao seu serviço um novo criado. O rapaz não seria muito vivo de espírito, mas o senhor Conde tinha esta máxima:
- Os criados pouco espertos são de maior confiança.
Seriam ou não, é o que se vai saber. | |
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| Estava o novo criado a limpar o escritório do senhor Conde, quando encontrou no tapete uma moeda de cem escudos.
Assim que o senhor Conde chegou, o criado apresentou-lhe a moeda que tinha achado.
- Gesto bonito, sim senhor - agradou-se o Conde. | |
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| - Fica tu com ela, como prémio da tua honradez.
Tempos depois, o senhor Conde deu por falta de uma libra de ouro, que tinha, juntamente com outras moedas antigas, numa prateleira do escritório. | |
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| Estranhou e perguntou ao criado:
- Tu, quando estiveste a limpar o escritório, por acaso não encontraste uma libra?
- Encontrei, sim, senhor Conde.
- Onde a puseste? | |
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| Respondeu o rapaz, com o ar mais inocente deste mundo:
- Fiquei com ela, como prémio da minha honradez. | |
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