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| Desenhos a giz António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Vejam lá para o que lhe deu!
No primeiro dia de aulas, antes de a professora chegar, o Joca foi para o quadro fazer desenhos.
Pegou no giz, suspirou fundo e pôs-se a desenhar o que lhe vinha à ideia. E o que lhe vinha à ideia?
Ora! | |
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| A praia, o mar, os toldos, a piscina, a esplanada, os pinheiros, a bola a saltar, aquele piquenique na serra, enfim, o tempo bom das férias, tudo o que lhe lembrava as férias, que tinham acabado tão depressa.
O Joca suspirou de novo. Estava na aula, diante do quadro, diante do seu desenho das férias. | |
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| Felizmente que a professora tardava a chegar...
Mas a olhar para o seu desenho com tanta coisa dentro, mesmo assim parecia que faltava nem ele bem sabia o quê. Que seria, que não seria?
Quando não se sabe, o melhor é indagar. Ir ver de perto. Foi o que o Joca fez. Saltou para dentro do quadro. | |
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| Cá temos o Joca no meio do seu desenho. Passou pela praia, molhou os pés nas ondas baixinhas, andou por aqui e por ali e, já cansado de estar sozinho, subiu até uma casa ao fundo, uma casa muito bonita, por sinal.
Foi subindo pelo quadro adiante... Passou pela piscina vazia. | |
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| Passou pela esplanada sem ninguém. Passou pela clareira do piquenique desabrigada... Passou por todas as recordações das férias, que o ventinho do Outono começava a varrer. Até podemos confessar que o Joca sentiu um poucochinho de frio, e assim uma vontade de se abrigar, de se acolher a uma casa, onde o frio não chegasse. Ah! Mas aproximava-se da tal casa. | |
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| Aquela casa... Aquela casa lembrava-lhe outra casa. Qual seria?
Vejam afinal como são as coisas. A casa era uma escola e, na escola, havia um lugar à espera do Joca.
Tocava a campainha para o começo das aulas. Que ninguém se admire. Estamos no tempo delas.
E o Joca não se admirou. | |
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