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| Zé pequeno António Torrado Cristina Malaquias | |
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| O rapaz era o Zé Pequeno. Um besnico. Bem proporcionado de corpo, tudo nos conformes, nenhum defeito, algumas qualidades, gentil, formoso, mas em ponto pequeno.
Claro que queria crescer. Na idade dele todos querem. | |
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| Dois aldrabões de feira, desses que andam de terra em terra a vigarizar ingénuos, souberam da vontade do moço e prometeram que o acrescentavam. Desse-lhes ele em troca o vitelo que, à conta do pai, trazia para vender. | |
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| Acertado o negócio, os aldrabilhas taparam os olhos ao Zé Pequeno e pôs-se um a puxá-lo pelos ombros e o outro pelos pés. Entretanto, iam dando estalos com a língua, a fazer de conta que eram os ossos do rapaz a dar de si. | |
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| No fim da operação, rebentaram com o chapéu de abas largas do Zé Pequeno e enfiaram-lho até ao pescoço.
- Repare que, dantes, nos dava pela cintura e agora está mais alto do que nós - dizia-lhe um dos vigaristas, agachado, a fazer de conta. | |
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| - Por enquanto, não olhe para baixo que sente vertigens - dizia o outro, de joelhos.
Foram-se embora com o vitelo, a rirem-se.
O rapazinho andou pela feira com a aba do chapéu enfiada até ao pescoço, que parecia um babete ou uma gola de fazer rir. | |
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| À volta dele, riam-se, mas Zé Pequeno, muito empertigado, não dava troco. Até que percebeu, afinal, que continuava da mesma altura.
Correu, desesperadamente, atrás dos aldrabófonos. Pois sim. Onde é que eles já iam....
Mas não desistiu. | |
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| Meteu por uns atalhos, correu que nem um danado e foi ter a uma curva da estrada, por onde haviam passado os finórios. Quando os viu, escondeu-se e, fazendo voz grossa pelo meio de uma cabaça, como se fosse altifalante, vociferou:
- Parem, em nome da lei. | |
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| Eu, sargento Viçoso, sargento da Guarda Republicana, intimo-os a largarem o vitelo, senão disparo.
Eles, que tinham a consciência pesada, aterrorizaram-se, de mãos no ar, a tremer. Então o Zé Pequeno acertou uma pedrada num, acertou uma pedrada no outro e fê-los provar o pó da estrada. | |
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