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| O leão às riscas António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Contam esta história em África, à volta da fogueira.
Façam de conta que também lá estamos a ouvir o contador desfiar a história, enquanto tange o corá, que é um especial instrumento de cordas esticadas sobre uma caixa de ressonância, feita de meia cabaça revestida de couro. Plim... Plam... Plim... Conseguem ouvir? | |
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| Dantes, muito antes de os homens se terem espalhado pela Terra, os bichos não eram como são hoje. Por exemplo: a zebra tinha a pele igual à que o leão tem e o leão, imaginem a excentricidade, tinha a pele às riscas como tem a zebra. Devia ficar-lhe bem... | |
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| A zebra que, nessa época, passava por amiga do leão, disse-lhe, um dia:
- Estive a pensar que devias mudar de aspecto. Assim, com essa pele tão vistosa, chamas demasiadamente a atenção e deves ter dificuldade em esconder-te, quando queres caçar de surpresa. | |
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| O leão reconheceu que, efectivamente, já sofrera alguns desaires na caça à conta da sua bizarra pele às riscas.
- Queres trocar pela minha? - propôs a zebra.
Ela, sem riscas, parecia-se mais com um burro, o que não era nada lisonjeiro para a vaidade da zebra. No fundo, ela invejava a pele listada do leão. | |
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| Acertado o negócio, trocaram de pele. Naquele tempo, tudo era fácil.
Vendo-se vestida de riscado, como tanto ambicionara, a zebra foi ter com a restante bicharia, a avisar, a torto e a direito:
- Cuidado que, agora, o leão é que anda com a minha pele.
O leão não gostou. | |
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| Aquela badalação era prejudicial aos seus intentos e aos seus pergaminhos de majestade. De modo que, desde essa altura, que ele anda a exigir à zebra a devolução da pele.
Onde quer que veja uma a jeito, salta-lhe para os lombos e tenta com as garras arrancar-lhe a pele. | |
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| Até agora ainda não conseguiu recuperá-la, o que é pena. Quem é que não gostava de ver um leão às riscas?
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