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| A bola e os seus amigos António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Veio uma bola pelo ar
que se pôs a saltitar
por cima deste papel.
Quem foi que lhe deu licença?
Houve um menino que a viu
e que correu a apanhá-la
ela então parou - fugir não fugiu
- e ficou à espera que o menino
com ela brincasse. | |
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| - Deixas que eu salte ao eixo?
- Pois decerto que deixo.
- E posso deitar-me sobre ti?
Não me empurras? Não me foges?
- Podes sim.
Sou bola boa. Redonda.
Não tenhas medo de mim. | |
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| Nisto, chegou-se uma menina
que perguntou:
- Esta bola é tua?
- Não sei! - respondeu o menino. - Pergunta-lhe a ela.
Falou então a bola:
- Sou vossa, de vocês dois, mas não me partam ao meio. | |
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| Era um perigo pois deixava de ser bola.
Brinquem, brinquem comigo. Não sirvo para outra coisa.
Mão de menino que em mim poisa
é mão de amigo. | |
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| Quantas mais mãos, mais amigos;
e eu, então, embora não pareça,
fico tão cheia de ar, de alegria,
que perco a cabeça. | |
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| Vieram mais meninos,
e a bola voou do chão,
andou de mão em mão
- é minha, é tua agora! -
saltou, correu, voltejou
e voou desta página para fora.
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