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| O ovo de codorniz António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Esta é uma história antiga. Ao contá-la, torno-a nova.
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| Acontecia também que este fidalgo tinha em alguma má conta um criado seu. Suspeitava que ele fosse um badalo de sino ou caixa de rufo de tudo o que se passava paredes adentro. Para avaliá-lo melhor, experimentou-o como vão já saber. Ora escutem.
Numa manhã, deixou no meio dos lençóis da cama, onde dormira, um ovo de codorniz. | |
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| O criado, quando veio arrumar o quarto, deu com o ovo e foi dizer ao amo. Este, dando ares de grande mistério, segredou-lhe:
- Fui eu que o pus, a noite passada, com muito custo. Mas não contes a ninguém, senão os vizinhos começam a espalhar a novidade e não tarda aí o rei, para conhecer de perto o que se passa. | |
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| O criado prometeu segredo, mas, ao chegar à rua, encontrou um criado de outro fidalgo e chamou-o de parte.
- Não dês com a língua nos dentes, mas o meu patrão a noite passada pôs um ovo, mais grado do que ovo de pata.
Segredos destes estoiram por todos os lados. Crescem como urtigas em chão lavrado. | |
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| No dia seguinte, bateram, de manhã cedo, à porta do palácio do fidalgo. Era o rei em pessoa, mais o seu séquito.
- Venho ver esse prodígio de homem que põe cem ovos por dia, maiores do que ovos de perua. | |
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| O fidalgo trazia na palma da mão o ovo de codorniz que mostrou ao rei:
- Vede, senhor, como uma pequena mentira cresce tanto, até chegar ao paço de Vossa Majestade.
E contou ao rei o princípio da história, que o fim já ele sabia. | |
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