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| Recado António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Veio um balão, no sopro do vento. Trazia um fio pendurado e, na ponta do fio, um papel.
O fio embaraçou-se na rama da pereira do quintal. Parou de viajar o balão. O Flávio, que estava a estudar, levantou os olhos do livro e olhou pela janela. O balão acenou-lhe, num cumprimento leve.
"Alguém que o perdeu", pensou o Flávio. | |
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| Ele, que já não era menino de andar de balão preso à mão, mesmo assim foi ver mais de perto. Talvez pensasse em deixar o balão ir outra vez pelo ar... Talvez pensasse em esvaziar o balão e guardá-lo para outra ocasião... | |
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| O Flávio desceu ao quintal e trepou à pereira, que já o conhecia de equilibrismos mais antigos. Desembaraçou o fio e ia a largar o balão quando reparou no papel pendurado. E estava escrito. Que dizia ele? | |
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| Em letra aplicada, alguém escrevera:
Olá, amigo.
Se leres este papel, não o deites fora nem o desprendas do balão.
Larga outra vez o balão e deixa-o ir pelo ar, até chegar a outras mãos. | |
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| Este balão gosta de viajar e de mostrar que temos amigos em qualquer lugar.
É este o recado que o balão tem para dar, com um abraço de
um Amigo desconhecido
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