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| O burro malfadado António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez um pobre homem que andava de terra em terra, a vender azeite. Quem lhe carregava as bilhas era um burro cinzento, que o homem trazia pela arreata.
Um dia, um malandrim viu o homem entrar numa venda. O burro, à porta, preso a uma argola de parede, tentou-o.
"Vou roubá-lo", pensou o finório. | |
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| "Mas, para que o azeiteiro não faça escarcéu e não chame a guarda, tenho uma ideia..."
Desprendeu o burro e foi escondê-lo atrás dumas moitas. Depois enfiou ele próprio a cabeçada do burro e amarrou-se à argola. Quando o homem voltou e viu a surpresa que o esperava, esbugalhou os olhos, sem nada entender. | |
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| Explicou-se o espertalhão:
- Saiba o senhor que eu tinha sido fadado por uma bruxa, mas acabo de provar uma ervinha milagrosa que me desfadou. Deixei de ser burro. Voltei a ser pessoa. Desculpe o transtorno. | |
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| O azeiteiro nem sabia o que dizer:
- Se eu cuidasse que era gente, nunca lhe tinha batido com a chibata, mas queira desculpar-me. A verdade é que o senhor... o senhor burro... ou o que era, às vezes caprichava nas birras e eu perdia a cabeça... Não me leve a mal. | |
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| O outro condescendeu e o caso ficou por ali.
No dia seguinte, o azeiteiro, dizendo mal da sua vida, foi à feira comprar outro burro. E o que é que ele havia de encontrar? O burro, que o ladrão também tinha levado à feira, para vender. Assim que viu o azeiteiro, o malandrim escapuliu-se. | |
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