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| Bancos e cadeiras António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez um homem que fazia bancos. Tinha aprendido em pequeno a arte ou ofício de fazer bancos e, como se ajeitava bem, era rápido e vendia a mercadoria com facilidade, nunca quis fazer outra coisa.
Ao lado da oficina do homem que fabricava bancos, instalou-se um outro artesão. Mas este só fabricava cadeiras. | |
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| Os clientes começaram a dividir-se. Havia os que continuavam a comprar bancos, que eram mais baratos, e os que preferiam comprar cadeiras, um pouco mais caras, mas mais cómodas. Experimentem e, depois, digam-me.
O homem que fazia bancos enervou-se. Até os bancos lhe saíam menos perfeitos. | |
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| Para poder escoar o produto do seu trabalho, baixou para metade o preço dos bancos. Os bancos continuavam do mesmo tamanho, o preço é que diminuiu.
O concorrente ao lado fez o mesmo. Uma cadeira passou a ser tão barata que até dava vontade de rir.
Aproveitando a baixa de preços, a clientela afluía às duas lojas-oficinas. | |
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| Voaram (maneira de dizer!) bancos e cadeiras.
Mas aquilo era um disparate, tanto maior quanto, descendo os preços, de dia para dia, chegou uma altura em que os bancos e as cadeiras eram dados. E quem levasse uma cadeira de graça, recebia outra de brinde. E tal e qual para os bancos. | |
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| Os dois artesãos fartavam-se de trabalhar, noite e dia, para responder aos pedidos. Arruinavam-se.
Isto mesmo lhes disse um amigo de ambos.
- Porque é que vocês não se juntam e formam uma sociedade que venda cadeiras e bancos, ao mesmo tempo e por um preço razoável? | |
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| A princípio, eles não queriam. Estavam habituados a trabalhar sozinhos e cada qual tinha as suas razões de queixa do concorrente. Mas conformaram-se, a ver no que dava.
Deu certo. A Sociedade Banco & Cadeira, formada pelos dois antigos rivais, agora amigos, vai de vento em popa. | |
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